quarta-feira, novembro 01, 2006

Reflexões de um motorista - Silvia Curiati

Eu caminhava a passos firmes em direção ao estacionamento. Já tinha andando uma quadra e meia, ainda faltava a segunda metade, cruzar uma avenida de duas mãos e seguir por mais um quarteirão.

Não era tarde, umas oito, oito e meia da noite. Claro, esta informação depende de um referencial. Levando-se em conta que eu deveria ter deixado o hotel às cinco, no máximo com vinte minutos de atraso, era bastante tarde, sim.

Meus olhos ainda estavam embaçados, um pouco pelo astigmatismo incurável e avesso aos óculos de grau, e muito pelas emoções que insistiam em brotar, descontroladas, no estado líquido.

Assim mesmo, sei bem o que vi: ele vinha de costas. Caminhava em marcha-ré, na minha direção. Veloz, decidido. Só não juro que havia um par de olhos vermelhos em sua nuca porque posso estar cometendo um grande engano - o semáforo da avenida obrigava os carros a parar, e de novo, as emoções...

O fato é que ele veio. E as luzinhas vermelhas (existentes ou não) me confirmavam que vinha de costas. Esbarrou em mim intencionalmente e com força, dizendo, bastante incomodado com o fato de eu estar no meio do seu caminho, que eu deveria pensar em continuar no sentido oposto, já que a vida segue em frente, nem de lado, nem de costas.

domingo, outubro 08, 2006

Filme: Os 300 de Esparta

(Clique aqui e assista ao trailer da celebrada mini-série de Frank Miller sobre os espartanos que enfrentaram os persas na Batalha de Thermopylae. Direção: Zack Snyder (Madrugada dos Mortos)

A paixão secreta de Joel - Silvia Curiati

Era sempre no mesmo horário, no mesmo local. Joel passava de carro e via sua paixão loira, rosto angelical, esperando o ônibus.

Linda, cabelos invariavelmente presos na nuca, calça jeans, camiseta. O ideal de simplicidade, e ainda assim reluzia. Pele branca, olhos castanhos, mal se via a sobrancelha, de tão clara.

Carregava sempre uma mochila surrada e muitos cadernos. Ainda não tinha conseguido identificar se estava na escola, no cursinho, na faculdade. Definitivamente o rosto era de pupila. Não parecia de uma inteligência ofensiva, apenas alguém que conseguia manter-se na média, como ele próprio se definia.

Um dia resolveu seguí-la. Ou melhor, seguir o ônibus. Ela desceu apenas 20 minutos depois, na avenida Paulista. Observou-a mais um pouco e partiu, dando curso ao seu dia.

Mas o acaso às vezes dá uma mãozinha aos apaixonados. Numa daquelas manhãs, na tentativa desesperada de fugir da chuva, a menina, impaciente e ensopada, bateu na janela do carro de Joel, que estava parado em frente ao ponto do ônibus atrasado. Ele, com o olhar perdido e a fala completamente atrasada pelo susto, abriu a porta e pediu que entrasse.

Não deixou que ela dissesse nada e imediatamente levou-a à avenida de todos os dias.

Calada, ela desceu do carro e sorriu. Ele, vendo-a correr para os braços de um desconhecido, partiu triste, zerando o taxímetro e tentando lavar o coração doente com a chuva ácida de São Paulo. Levá-la ao seu destino eram os ossos do ofício.

Animação: Corrente pra frente








Vencedor do 1º Festival Livre de Animação na América Latina
clique aqui

A primeira página deles, pelo menos... -

Eis aqui mais um exemplo do quanto a internet pode nos entreter por horas e horas com os mais diversos badulaques. Como este site aqui, no Newseum.com, onde você pode ver a primeira página de centenas de jornais de grande circulação de todo o mundo.O site é atualizado todos os dias e, mesmo que você não saiba nem metade das línguas em que eles são escritos, serve como curiosidade para ao menos se "ler as figuras".É legal você pegar e ver, por exemplo, o que está na capa do An-Nahar do Líbano e depois ver o que está pegando na Islândia, com o Morgunbladid. Alguns dias atrás este último trazia várias fotos de gatos e um gêiser na capa, enquanto o jornal libanês mostrava casas destruídas e fotos de caras barbudos. Mundão louco esse aí, viu...
Fonte: http://www.fabricadequadrinhos.com.br/

À espera de alguém amado - Silvia Curiati

Esperava no escuro, em frente à van branca, todas as noites.
Sentado, paciente, calado em seu mundo ininteligível. Ela não o compreendia, e ele não sabia fazer-se compreender. Restava o silêncio e a espera.

Chovia fraco, frio, vagaroso. Do alto da ladeira ele só podia ver a luz tênue de um poste na esquina, transformando o halo branco em um pequeno arco-íris. O brilho d'água nos paralelepípedos criava desenhos intrigantes que o distraíam enquanto as horas passavam lentas.

A rua era uma curva, uma subida íngreme. O bom de esperá-la no topo, no ponto cego, era a sensação de que ela havia escalado uma montanha para alcançá-lo no cume. Era a surpresa em seu rosto. Surpresas sempre são alegres, ele imaginava.

Avistou a lanterna do carro iluminando a ladeira e colocou-se em posição de alerta. Correu, debaixo de chuva, em direção ao centro da rua. Os olhos úmidos não davam uma boa visibilidade do que vinha pela frente.
Só percebeu o calor dos faróis quando tocaram seu nariz. Voou. Não era ela. Não conhecia o motorista.

Mas sentiu-se brevemente amado quando, minutos depois, ela chegou e o recolheu da rua com uma manta, abraçando-o contra o corpo quente. Teve tempo de abanar o rabinho, mais nada.


domingo, setembro 17, 2006

Jeri 2006

sábado, setembro 16, 2006

Everybody's Changing - Keane

You say you wander your own land
But when I think about it
I don't see how you can

You're aching, you're breaking
And I can see the pain in your eyes
Says everybody's changing
And I don't know why

So little time
Try to understand that I'm
Trying to make a move just to stay in the game
I try to stay awake and remember my name
But everybody's changing and I don't feel the same

(instrumental)

You're gone from here
Soon you will disappear
Fading into beautiful light
'cause everybody's changing
And I don't feel right

So little time
Try to understand that I'm
Trying to make a move just to stay in the game
I try to stay awake and remember my name
But everybody's changing and I don't feel the same

(solo)

So little time
Try to understand that I'm
Trying to make a move just to stay in the game
I try to stay awake and remember my name
But everybody's changing and I don't feel the same

(clique aqui para conhecer a tradução desta música)

terça-feira, setembro 12, 2006

Blowing In The Wind - Bob Dylan

How many roads must a man walk down
Before you call him a man?
Yes, 'n' how many seas must a white dove sail
Before she sleeps in the sand?
Yes, 'n' how many times must the cannon balls fly
Before they're forever banned?
The answer, my friend, is blowin' in the wind,
The answer is blowin' in the wind.

How many times must a man look up
Before he can see the sky?
Yes, 'n' how many ears must one man have
Before he can hear people cry?
Yes, 'n' how many deaths will it take till he knows
That too many people have died?
The answer, my friend, is blowin' in the wind,
The answer is blowin' in the wind.

How many years can a mountain exist
Before it's washed to the sea?
Yes, 'n' how many years can some people exist
Before they're allowed to be free?
Yes, 'n' how many times can a man turn his head
Pretending he just doesn't see?
The answer, my friend, is blowin' in the wind,
The answer is blowin' in the wind. ]

Clique aqui para ver a tradução

Jeri 2006


"O desejo exprime-se por uma carícia, tal como o pensamento pela linguagem" - Sartre

O tatuador intérprete - Silvia Curiati

Era bom em transformar coisas intangíveis em desenhos, reduzia um sentimento vasto a alguns traços simples e firmes, eternizando-os nos corpos em forma de tatuagem.
Se alguém lhe pedisse uma estrela, um dragão, rapidamente ele recomendava um colega. Não era tatuador, era intérprete.
Pediram-lhe mais tempo. Ele deu um relógio de Dali escorrendo no ombro esquerdo.
Pediram-lhe fé. Ele pregou uma cruz de cabeça para baixo na parte interna do antebraço, emaranhada em rosas cheias de espinhos.
Pediram-lhe luz. Ele deu três pequenos vagalumes na região do cóccix.
Pediram-lhe vingança. Ele deu um ás de espadas na nuca.
Pediram-lhe liberdade. Ele deu asas em seus pés.
Pediram-lhe um caminho. Ele deu pegadas em toda a extensão da coluna.
Pediu-lhe seu amor. Ele deu apenas um beijo na boca e tatuou, em seu próprio peito, um buraco de fechadura, jogando em seguida todas as suas agulhas fora.

sábado, agosto 26, 2006

O Beijo - Auguste Rodin



" love is a four letter word"

Apenas mais uma separação comum - Silvia Curiati

Ele entrou na casa sem desviar o olhar para a pessoa que abria a porta. Passou como uma flecha e sentou-se no sofá, virando-se então em direção a ela, que vinha caminhando vagarosamente, como um take em slow-motion de um desfile de grife.

Estavam agora um de frente ao outro, olhos nos olhos.

"A mulher da minha vida", pensou, enquanto sua expressão permanecia a mesma, indefinível.
"Eu não posso viver sem ele", ela repetia incessantemente, como um mantra, em sua mente.
"Tão linda, tão perfeita... Ainda sou completamente apaixonado por esta garota".
"Me abraça, por favor, diz que ainda me quer".
Ele levantou-se e disse, rapidamente, antes de ter tempo de repensar:

- Melhor assim, não temos nada a ver um com o outro. Nem me lembro por que nos apaixonamos.
- Verdade.

E partiu sem olhar para trás.

Deixaram a perfeição de seus sentimentos ser maculada pelas palavras. Elas, que saíam de suas bocas sem permissão, como adolescentes fugindo do controle dos pais, rebelando-se contra uma causa inexistente, tatuando-se sem pensar nas conseqüências futuras, no arrependimento que um dia, cedo ou tarde, bateria em suas portas

Filme: Waking Life


Existem dois tipos de sofredores...
aqueles que sofrem
da falta de vida...
e os que sofrem da abundância
excessiva da vida.
Eu sempre me posicionei
na segunda categoria.
Quando se pensa nisso, quase todo
comportamento e atividade humana...
são, essencialmente, nada diferentes
do comportamento animal.
As mais avançadas tecnologias e
artefatos levam-nos, no máximo...
ao nível do super-chimpanzé.
Na verdade, o hiato entre Platão
ou Nietzsche e o humano mediano...
é maior do que o que há entre
o chimpanzé e o humano mediano.
O reino do verdadeiro espírito...
o artista verdadeiro, o santo,
o filósofo, é raramente alcançado.
Por que tão poucos?
Por que a História e a evolução
não são histórias de progresso...
mas uma interminável e fútil
adicão de zeros?
Nenhum valor maior se desenvolveu.
Ora, os gregos, há 3.000 anos,
eram tão avançados quanto somos hoje.
Quais são as barreiras
que impedem as pessoas...
de alcançarem, minimamente,
o seu verdadeiro potencial?
A resposta a isso pode ser encontrada
em outra pergunta, que é...
qual é a característica humana
mais universal?
O medo...
ou a preguiça?


O que está escrevendo?
Um romance.
Qual é a história?
Não há história. São só...
pessoas, gestos, momentos.
Fragmentos de sensações.
Emocões evanescentes.
Em resumo...
as maiores histórias já contadas.
Você está na história?
Acho que não.
Mas estou meio que lendo-a
para depois escrevê-la.

quinta-feira, agosto 24, 2006

Sartre


"O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós"

Filme: Terráqueos


(Abaixo, links onde você poderá assitir ao filme TERRÁQUEOS onde humanos que tratam mal animais são comparados a nazistas. Até onde o homem vai com sua ganância?)

parte 1:, parte 2:, parte 3:, parte 4:, parte 5:, parte 6:, parte 7:, parte 8:, parte 9:, parte 10:

domingo, agosto 13, 2006

Escultura: Jean de Fiennes - Rodin


"A vida é apenas uma fina camada de mofo sobre a superfície terrestre" - Schopenhauer

Cotidiano: Dia após dia, ano a ano - Gina Emanuela

Acordou com o despertador. Esperou aqueles dez minutos de praxe para levantar-se _ aqueles dez minutos que levamos para acostumarmo-nos com a idéia de que temos sim que levantar, muito embora ainda estejamos morrendo de sono. Depois só mais cinco minutinhos de preguiça, concedidos como recompensa antecipada pelo logo dia acordado que teria. Só então se levantou de vez. Nem se preocupou se o pé que havia pisado primeiro o chão havia sido o esquerdo ou o direito. Não era dado a superstições - bobagens simbólicas criadas e acreditadas por cabeças por demais imaginativas e necessitadas. Vazias? Não. Cheias dessas bobagens. Mas não era nisso que ele pensava agora enquanto escovava os dentes. Era isso que ele achava, era isso que carregava dentro de si junto a um monte de outros conceitos já formados sobre tudo, mas agora ele era só um homem com muito sono e a boca cheia de pasta na frente do espelho. Cuspiu, lavou o rosto, limpou com cuidado o canto dos olhos, se achou bonito, tomou o café que lhe fizeram, balbuciou quaisquer bons dias e foi tomar o ônibus.
Mal colocara o pé na calçada, o ônibus chegou. Ele quase pensou que estava com sorte, mas desanimou ao ver o quão lotada estava à condução. Tanta gente! Se esses não estivem esperado também quinze minutos a mais na cama teriam pegado o ônibus mais cedo e agora ele seria um ser feliz. Pegou o troco. Passou na roleta. Sentiu corpo de gente de perto. Suou com eles. Ouviu música ruim. Conseguiu uma vaga na janela. É, estava com sorte. E nem acredita em azar ou sorte.
Chegou, desceu, tropeçou, apanhou a moeda no chão, sorriu pro porteiro em resposta. Trabalhou o dia todo. Cansou-se, se questionou, deixou de besteira, se justificou, se conformou. Uma ponta de dor de cabeça. Quarenta gotas de analgésico. Passou. Fim de tarde foi-se embora, ele e o sol e o ônibus igual rumo ao destino _ sua casa, chegada que é a mesma largada. Chegou, descalçou, coçou, comeu e deitou. Se havia pensado em algo não se sabe, nem se há de saber: dispensou. Mais espelho e pasta nos dentes. Nenhuma preocupação em se achar bonito. Pra dormir? Antes de deitar-se, um copo d´água. Aproveitou a janela aberta e deu uma espiada no céu, viu que fazia lua cheia. Isso não o deslumbrou, nem o amedrontou. Ele apenas constatou. Depois cochilou, cochilou e dali a pouco estava dormindo pra tudo de novo. De novo, muito pouco ou nada. Era um adulto.

Filme: Waking Life


Na visão de mundo atual, a Ciência
tomou o lugar de Deus...
mas alguns problemas filosóficos
ainda nos perturbam.
Livre-arbítrio, por exemplo.
Esse problema está na praça
desde Aristóteles, em 350 a.C.
Santo Agostinho e São Tomás de Aquino
questionavam "como sermos livres...
se Deus já sabe tudo
o que iremos fazer?"
Hoje, sabemos que o mundo é regido
por leis físicas fundamentais.
Essas leis regem o comportamento
de cada objeto do mundo.
Como essas leis são confiáveis,
elas viabilizam avanços tecnológicos.
Nós somos sistemas físicos. Arranjos
complexos de carbono e de água.
Nosso comportamento não é
excecão a essas leis.
Logo, se é Deus programando isto
de antemão e sabendo de tudo...
ou se são leis físicas nos governando,
não há muito espaço para a liberdade.
Pode-se querer ignorar
o mistério do livre-arbítrio.
Dizer: "É uma anedota
histórica, uma inconsistência.
É uma pergunta sem resposta.
Esqueça isso."
Mas a pergunta permanece. Quanto
à individualidade, quem você é...
se baseia nas livres escolhas que faz.
Ou pelas quais se responsabiliza.
Só se é responsabilizado,
ou admirado, ou respeitado...
pelas coisas que se faz
pela própria escolha.
A pergunta retorna sem cessar
e não temos uma solucão.
Decisões podem parecer charadas.
Imagine só. Há atividade elétrica
no cérebro. Os neurônios disparam...
enviando um sinal através dos nervos
até os músculos. Estes se contraem.
Você estende seu braco.
Parece uma acão livre...
mas cada parte desse processo...
é governada por leis físicas,
químicas, elétricas etc.
Parece que o Big Bang
causou as condicões iniciais...
e todo o resto
da História humana...
é a reação de partículas subatômicas
às leis básicas da física.
Nós achamos que somos especiais,
que temos alguma dignidade.
Isso agora está ameaçado.
Está sendo desafiado por este quadro.
Você pode dizer: "E quanto à mecânica
quântica? Conheço o bastante...
para saber que é uma
teoria probabilística.
É frouxa, não é determinista.
Permite entender o livre-arbítrio."
Mas, se olharmos detalhadamente,
isso não ajudará...
porque há as partículas quânticas
e o seu comportamento é aleatório.
Elas são meio transgressoras.
Seu comportamento é absurdo...
e imprevisível. Não podemos estudá-Io
com base no que ocorreu antes.
Ele tem um enquadre probabilístico.
Será a liberdade apenas
uma questão de probabilidade?
Aleatoriedade em um sistema caótico?
Eu prefiro ser uma engrenagem em
uma máquina física e determinista...
que uma transgressão aleatória.
Não podemos ignorar o problema. Temos
que incluir pessoas nesta perspectiva.
Não apenas corpos, mas pessoas.
Há a questão da liberdade...
espaço para escolha, responsabilidade
e para entender a individualidade.

Filme: Quem Somos Nós?

O materialismo moderno tira das pessoas a necessidade de se sentirem responsáveis, assim como a religião! Mas eu acho que se você levar a mecânica quântica a sério, verá que ela coloca a responsabilidade nas nossas mãos e não dá respostas claras e reconfortantes. Ela só diz que o mundo é muito grande e cheio de mistérios.
O mecanismo não é a resposta, mas não vou dizer qual é, pois vocês têm idade suficiente para tomarem suas decisões.
Por que continuamos recriando a mesma realidade?Por que continuamos tendo os mesmos relacionamentos? Por que continuamos tendo os mesmos empregos repetidamente? Nesse mar infinito de possibilidades que existem à nossa volta, por que continuamos recriando as mesmas realidades? Não é incrível existirem opções e potenciais que desconhecemos? É possível estarmos tão condicionados à nossa rotina, tão condicionados à forma como criam nossas vidas, que compramos a idéia de que não temos controle algum?
Fomos condicionados a crer que o mundo externo é mais real que o interno. Na ciência moderna é justamente o contrário. Ela diz que o que acontece dentro de nós é que vai criar o que acontece fora. Existe uma realidade física que é absolutamente sólida, mas só começa a existir quando colide com outro pedaço de realidade física. Esse outro pedaço pode ser a gente, claro que somos parte desse momento, mas não precisa necessariamente ser. Pode ser uma pedra que venha voando e interaja com toda essa bagunça, provocando um estado particular de existência.
Filósofos no passado diziam: "Se eu chutar uma pedra e machucar meu dedo, é real. Estou sentindo, é vívido." Quer dizer que é a realidade. Mas não passa de uma experiência, e é a percepção dessa pessoa do que é real.
Experimentos científicos nos mostram que se conectarmos o cérebro de um pessoa a computadores e scanners e pedirmos para olharem para determinados objetos, podemos ver que certas partes do cérebro sendo ativadas. Se pedirmos para fecharem os olhos e imaginarem o mesmo objeto, as mesmas áreas do cérebro se ativarão, como se estivessem vendo os objetos. Então os cientistas se perguntam: quem vê os objetos, o cérebro ou os olhos? O que é a realidade? É o que vemos com nosso cérebro? Ou é o que vemos com nossos olhos?A verdade é que o cérebro não sabe a diferença entre o que vê no ambiente e o que se lembra, pois os mesmos neurônios são ativados.

sábado, agosto 12, 2006

Visões: Bertolt Brecht e Schopenhauer

"Um homem pessimista
É tolerante.
Ele sabe deixar a fina cortesia desmanchar-se na língua
Quando um homem não espanca uma mulher
E o sacrifício de uma mulher que prepara café para
seu amado
Com pernas brancas sob a camisa -
Isto o comove.
Os remorsos de um homem que
Vendeu o amigo
Abalam-no, a ele que conhece a frieza do mundo
E como é sábio
Falar alto e convencido
No meio da noite."



"Se olharmos a vida em seus pequenos detalhes, tudo parece bem ridículo. É como uma gota d'água vista num microscópio, uma só gota cheia de protozoários. Achamos muita graça como eles se agitam e lutam tanto entre si. Aqui, no curto período de vida humana, essa atividade febril produz um efeito cômico "

Una Canción Desesperada - Pablo Neruda

En mi cielo al crepúsculo eres como una nube
y tu color y forma son como yo los quiero.
Eres mía, eres mía, mujer de labios dulces,
y viven en tu vida mis infinitos sueños.

La lámpara de mi alma te sonrosa los pies,
el agrio vino mío es más dulce en tus labios :
oh segadora de mi canción de atardecer,
Cómo te sienten mía mis sueños solitarios !

Eres mía, eres mía, voy gritando en la brisa
de la tarde, y el viento arrastra mi voz viuda.
Cazadora del fondo de mis ojos, tu robo
estanca como el agua tu mirada nocturna.

En la red de mi música estás presa, amor mío,
y mis redes de música son anchas como el cielo.
Mi alma nace a la orilla de tus ojos de luto.
En tus ojos de luto comienza el país del sueño.

domingo, agosto 06, 2006

sábado, agosto 05, 2006

O Corvo - Edgar Allan Poe

Numa sombria madrugada, enquanto eu meditava, fraco e cansado, sobre um estranho e curioso volume de folclore esquecido; enquanto cochilava, já quase dormindo, de repente ouvi um ruído. O som de alguém levemente batendo, batendo na porta do meu quarto. "Uma visita," disse a mim mesmo, "está batendo na porta do meu quarto - É só isto e nada mais."
Ah, que eu bem disso me lembro, foi no triste mês de dezembro, e que cada distinta brasa ao morrer, lançava sua alma sobre o chão. Eu ansiava pela manhã. Buscava encontrar nos livros, em vão, o fim da minha dor - dor pela ausente Leonor - pela donzela radiante e rara que chamam os anjos de Leonor - cujo nome aqui não se ouvirá nunca mais.
E o sedoso, triste e incerto sussurro de cada cortina púrpura me emocionava - me enchia de um terror fantástico que eu nunca havia antes sentido. E buscando atenuar as batidas do meu coração, eu só repetia: "É apenas uma visita que pede entrada na porta do meu quarto - Uma visita tardia pede entrada na porta do meu quarto; - É só isto, só isto, e nada mais."
Mas depois minha alma ficou mais forte, e não mais hesitando falei: "Senhor", disse, "ou Senhora, vos imploro sincero vosso perdão. Mas o fato é que eu dormia, quando tão gentilmente chegastes batendo; e tão suavemente chegastes batendo, batendo na porta do meu quarto, que eu não estava certo de vos ter ouvido". Depois, abri a porta do quarto. Nada. Só havia noite e nada mais.
Encarei as profundezas daquelas trevas, e permaneci pensando, temendo, duvidando, sonhando sonhos mortal algum ousara antes sonhar. Mas o silêncio era inquebrável, e a paz era imóvel e profunda; e a única palavra dita foi a palavra sussurrada, "Leonor!". Fui eu quem a disse, e um eco murmurou de volta a palavra "Leonor!". Somente isto e nada mais.
De volta, ao quarto me volvendo, toda minh'alma dentro de mim ardendo, outra vez ouvi uma batida um pouco mais forte que a anterior. "Certamente," disse eu, "certamente tem alguma coisa na minha janela! Vamos ver o que está nela, para resolver este mistério. Possa meu coração parar por um instante, para que este mistério eu possa explorar. Deve ser o vento e nada mais!"
Abri toda a janela. E então, com uma piscadela, lá entrou esvoaçante um nobre Corvo dos santos dias de tempos ancestrais. Não pediu nenhuma licença; por nenhum minuto parou ou ficou; mas com jeito de lorde ou dama, pousou sobre a porta do meu quarto. Sobre um busto de Palas empoleirou-se sobre a porta do meu quarto. Pousou, sentou, e nada mais.
Depois essa ave negra, seduzindo meu triste semblante, acabou por me fazer sorrir, pelo sério e severo decoro da expressão por ela mostrada. "Embora seja raspada e aparada a tua crista," disse eu, "tu, covarde não és nada. Ó velho e macabro Corvo vagando pela orla das trevas! Dize-me qual é teu nobre nome na orla das trevas infernais!".
E o Corvo disse: "Nunca mais."
Muito eu admirei esta ave infausta por ouvir um discurso tão atenta, apesar de sua resposta de pouco sentido, que pouca relevância sustenta. Pois não podemos deixar de concordar, que ser humano algum vivente, fora alguma vez abençoado com a vista de uma ave sobre a porta do seu quarto; ave ou besta sobre um busto esculpido, sobre a porta do seu quarto, tendo um nome como "Nunca mais."
Mas o corvo, sentado sozinho no busto plácido, disse apenas aquela única palavra, como se naquela única palavra sua alma se derramasse. Depois, ele nada mais falou, nem uma pena ele moveu, até que eu pouco mais que murmurei: "Outros amigos têm me deixado. Amanhã ele irá me deixar, como minhas esperanças têm me deixado."
Então a ave disse "Nunca mais."
Impressionado pelo silêncio quebrado por resposta tão precisa, "Sem dúvida," disse eu, "o que ele diz são só palavras que guardou; que aprendeu de algum dono infeliz perseguido pela Desgraça sem perdão. Ela o seguiu com pressa e com tanta pressa até que sua canção ganhou um refrão; até ecoar os lamentos da sua Esperança que tinha como refrão a frase melancólica 'Nunca - nunca mais.' "
Mas o Corvo ainda seduzia minha alma triste e me fazia sorrir. Logo uma cadeira acolchoada empurrei diante de ave, busto e porta. Depois, deitado sobre o veludo que afundava, eu me entreguei a interligar fantasia a fantasia, pensando no que esta agourenta ave de outrora, no que esta hostil, infausta, horrenda, sinistra e agourenta ave de outrora quis dizer, ao gritar, "Nunca mais."
Concentrado me sentei para isto adivinhar, mas sem uma sílaba expressar à ave cujos olhos ígneos no centro do meu peito estavam a queimar. Isto e mais eu sentei a especular, com minha cabeça descansada a reclinar, no roxo forro de veludo da cadeira que a luz da lâmpada contemplava, mas cujo roxo forro de veludo que a lâmpada estava a contemplar ela não iria mais apertar, ah, nunca mais!
Então, me pareceu o ar ficar mais denso, perfumado por invisível incensário, agitado por Serafim cujas pegadas ressoavam no chão macio. "Maldito," eu gritei, "teu Deus te guiou e por estes anjos te enviou. Descansa! Descansa e apaga o pesar de tuas memórias de Leonor. Bebe, oh bebe este bom nepenthes e esquece a minha perdida Leonor!"
E o Corvo disse: "Nunca mais."
"Profeta!" disse eu, "coisa do mal! - profeta ainda, se ave ou diabo! - Tenhas sido enviado pelo Tentador, tenhas vindo com a tempestade; desolado porém indomável, nesta terra deserta encantado, neste lar pelo Horror assombrado, dize-me sincero, eu imploro. Há ou não - há ou não bálsamo em Gileade? - dize-me - dize-me, eu imploro!"
E o Corvo disse: "Nunca mais."
"Profeta!" disse eu, "coisa do mal! - profeta ainda, se ave ou diabo! Pelo Céu que sobre nós se inclina, pelo Deus que ambos adoramos, dize a esta alma de mágoa carregada que, antes do distante Éden, ela abraçará aquela santa donzela que os anjos chamam de Leonor; que abraçará aquela rara e radiante donzela que os anjos chamam Leonor."
E o Corvo disse: "Nunca mais."
"Que essa palavra nos aparte, ave ou inimiga!" eu gritei, levantando - "Volta para a tua tempestade e para a orla das trevas infernais! Não deixa pena alguma como lembrança dessa mentira que tua alma aqui falou! Deixa minha solidão inteira! - sai já desse busto sobre minha porta! Tira teu bico do meu coração, e tira tua sombra da minha porta!"
E o Corvo disse: "Nunca mais."
E o Corvo, sem sequer se bulir, se senta imóvel, se senta ainda, sobre o pálido busto de Palas que há sobre a porta do meu quarto. E seus olhos têm toda a dor dos olhos de um demônio que sonha; e a luz da lâmpada que o ilumina, projeta a sua sombra sobre o chão. E minh'alma, daquela sombra que jaz a flutuar no chão, levantar-se-á
- nunca mais!

Gravuras por Gustave Dorè

Flake - Jack Johnson

I know she said it's alright
you can make it up next time
I know she knows it's not right
There ain't no use in lying
Maybe she thinks I know something
Maybe maybe she thinks its fine
Maybe she knows something I don't
I'm so, I'm so tired, I'm so tired of trying
It seems to me that maybe
It pretty much always means no
So don't tell me you might just let it go
And often times we're lazy
It seems to stand in my way
Cause no one no not no one
Likes to be let downWell I know she loves the sunrise
No longer sees it with her sleeping eyes
And I know that when she said she's gonna try
Well it might not work because of other ties and
I know she usually has some other ties
And I wouldn't want to break 'em, nah, I wouldn't want to break 'em
Maybe she'll help me to untie this but
Until then well, I'm gonna have to lie to her
It seems to me that maybe
It pretty much always means no
So don't tell me you might just let it go
And often times we're lazy
It seems to stand in my way
Cause no one no not no one
Likes to be let downIt seems to me that maybe
It pretty much always means no
So don't tell me you might just let it go(Ben Solo's)
The harder that you try baby, the further you'll fall
Even with all your money in the whole wide world
Please please please don't pass me
Please please please don't pass me
Please please please don't pass me by
Everything you know about me now baby you gonna have to change
You goin to call it by a brand new name
Please please please don't drag me
Please please please don't drag me
Please please please don't drag me down
Just like your tree down by the water baby I shall not move
Even after all your silly things you do-oo
Please please please don't drag me
Please please please don't drag me
Please please please don't drag me down

(clique aqui e conheça a tradução)

No love, no glory, no hero in her sky


"Você só é outro por aquilo que você tem de diferente, isso é óbvio" - Sher

Conheça: http://www.eugostodegolfinhos.blogspot.com

Waking Life

Não me sai da cabeça algo
que você me disse.
- Algo que eu disse?
- E.
Sobre a sensação de que você
observa a sua vida...
da perspectiva de uma velha
à beira da morte. Lembra?
Ainda me sinto assim, às vezes.
Como se visse minha vida
atrás de mim.
Como se minha vida desperta
fossem lembrancas.
Exatamente.
Ouvi dizer que Tim Leary,
quando estava morrendo, disse...
que olhava para seu corpo que estava
morto, mas seu cérebro estava vivo.
Aqueles 6 a 12 minutos de atividade
cerebral depois que tudo se apaga.
Um segundo nos sonhos é infinitamente
mais longo do que na vida desperta.
- Entende?
- Claro.
Tipo, eu acordo às 10:12h.
Então, eu volto a dormir...
e tenho sonhos longos, complexos, que
parecem durar horas. Aí eu acordo e...
são 10:13h.
Exato. Então aqueles 6 a 12 minutos
de atividade cerebral...
podem ser a sua vida inteira.
Você é aquela velha,
olhando para trás e vendo tudo.
Se eu sou, o que você seria nisso?
O que eu sou agora.
Quero dizer, talvez eu só
exista na sua mente.
Eu sou apenas tão real
quanto qualquer outra coisa.
Andei pensando sobre algo
que você disse.
Sobre reencarnação, e de onde todas
as novas almas vêm ao longo do tempo.
Todo mundo sempre...
diz ser a reencarnação de Cleópatra
ou de Alexandre, o Grande.
Não passam de bestas quadradas,
como todo mundo.
Quer dizer, é impossível.
A população mundial duplicou
nos últimos 40 anos.
Então, se você acredita nessa história
egóica de ter uma alma eterna...
há 50% de chance da sua alma
ter mais de 40 anos.
Para que ela tenha mais de 150 anos,
é uma chance em seis.
Está dizendo que reencarnação não
existe? Ou somos todos almas jovens?
Metade de nós é de humanos de
primeira viagem? O que você está...?
- Quero dizer...
- Aonde você quer chegar?
Eu acredito que a reencarnação
é uma expressão poética...
do que é a memória coletiva.
Eu li um artigo de um bioquímico,
não faz muito tempo.
Ele dizia que, quando um membro
de uma espécie nasce...
ele tem um bilhão de anos
de memória para usar.
É assim que herdamos
nossos instintos.
Eu gosto disso. É como se houvesse...
uma ordem telepática
da qual nós fazemos parte...
conscientes ou não.
Isso explicaria os saltos...
aparentemente espontâneos, universais
e inovadores na ciência e na arte.
Como os mesmos resultados surgindo
em toda a parte, independentemente.
Um cara num computador descobre
algo e, simultaneamente...
várias outras pessoas
descobrem a mesma coisa.
Houve um estudo em que isolaram
um grupo por um tempo...
e monitoraram suas habilidades
em fazer palavras cruzadas...
em relação à população
em geral.
Então, deram-lhes um jogo da véspera,
que as pessoas já tinham respondido.
A sua pontuação subiu dramaticamente.
Tipo 20%.
É como se, uma vez que as respostas
estão no ar, pudessem ser pescadas.
É como se estivéssemos partilhando
nossas experiências telepaticamente.

De que modo a métrica embeleza - Nietzsche


"A métrica coloca um véu sobre a realidade; dá lugar a algum artifício de linguagem, alguma indesiçsão de pensamento; pela sombra que lança sobre as idéias, ora oculta, ora salienta.
Do mesmo modo que a sombra é necessária para embelezar, assim o 'obscuro' é necessário para dar mais clareza.
A arte torna surpotável o aspecto da vida, cobrindo-a com o véu do pensamento imperfeito."

sexta-feira, agosto 04, 2006

Memórias do subsolo - Fiódor Mikhálovitch Dostoiévski

Oh, se eu não fizesse nada unicamente por preguiça! Meu Deus, como eu me respeitaria então! Respeitar-me-ia justamente porque teria a capacidade de possuir em mim ao menos a preguiça; haveria, pelo menos, uma propriedade como que positiva, e da qual eu estaria certo. Pergunta: quem é? Resposta: um preguiçoso. Seria muito agradável ouvir isto a meu respeito. Significaria que fui definido positivamente; haveria o que dizer de mim. “Preguiçoso!” realmente é um título e uma nomeação, é uma carreira. Não brinqueis, é assim mesmo. Seria então, de direito, membro do primeiro dos clubes, e ocupar-me-ia apenas em me respeitar incessantemente. Conheci um cavalheiro que, a vida inteira, orgulhava-se com o fato de ser entendido em Laffitte. Ele considerava isso sua qualidade positiva e nunca duvidava de si. Morreu com a consciência não só tranqüila, mas triunfante até, e tinha toda a razão. E eu poderia, neste caso, escolher uma carreira para mim: seria preguiçoso e comilão, não do tipo comum, mas, por exemplo, dos que comungam com tudo o que é belo e sublime. Que tal? Há muito que isto me vem à mente. Este “belo e sublime” apertou-me com força a base do crânio aos quarenta anos; sim, foi aos quarenta, mas agora, oh, agora seria diferente! Imediatamente eu encontraria também o setor correspondente de atividade, ou, para ser mais exato: beber à saúde de tudo o que é belo e sublime. Eu me agarraria a toda oportunidade para, em primeiro lugar, verter uma lágrima na minha taça e, a seguir, esvaziá-la em intenção de tudo o que fosse belo e sublime; haveria de encontrar este belo e sublime até na mais ignóbil, na mais indiscutível das porcarias, e transformaria em belo e sublime tudo o que existisse no mundo. Tornar-me-ia lacrimejante como uma esponja molhada. Um pintor, por exemplo, pinta um quadro de Gué. Imediatamente, eu beberia à saúde do pintor que realizou o quadro de Gué, porque amo o que é belo e sublime. Um autor escreve “como apraz a cada um”; imediatamente eu beberia à saúde de “cada um”, porque amo tudo o que é “belo e sublime”. E exigiria por isto respeito a mim mesmo, e perseguiria quem não me tributasse este respeito. Vive-se com tranqüilidade, morre-se solenemente... É o encanto, um verdadeiro encanto! E eu criaria então um tal barrigão, armaria um tal queixo tríplice, elaboraria um tal nariz de sândalo que todo transeunte diria, olhando para mim: “Este é que é um figurão! Isto é que é verdadeiro e positivo!”. Seja o que quiserdes, mas é agradabilíssimo ouvir opiniões assim em nosso século de negação, meus senhores.
¡Recuerdos a mi corazón!

terça-feira, agosto 01, 2006

Arte: Jill Greenberg

(clique aqui e conheça a exposição pessoal de Jill Greenberg, END TIMES e aqui MONKEY PORTRAITS. Atualmente em Los Angeles no Paul Kopeikin Gallery)

quarta-feira, julho 26, 2006

Despierta - Pablo Cerda

Pobres hombres de ambición infinita,
no han logrado cosechar las flores,
en su búsqueda han quedado ciegos,
sólo pueden defender riquezas,
han quedado amarrados al estiércol,
ya ni saben cuánto van teniendo.

Pobres hombres, tan eterna angustia,
compran casas, coches, yates, lujos...
sienten en sus cuerpos tantos miedos,
sufren de delirios, de persecuciones.
Cambian seres vivos por lingotes,
creen que el brillo de oro es su salvación.

Pobres hombres necios, inhumanos,
¡sus ojos son ciegos, no ven nada!
para ellos no hay luna ni estrellas,
ni caricias tersas ni nostalgia.
Es por esos hombres que se acaba
un planeta, que lo tiene todo,
que nos dio la vida y la sangre,
los mares, los ríos, las sonrisas.

Es por esos hombres, mis hermanos,
que otros hermanos traen panzas vacías,
se mueren de hambre ¡son calacas!
se mueren de frío ¡son cenizas!
Somos engranes de sus empresas,
fuimos tornillos o algunas tuercas.

¡Vamos, hermano, lucha y despierta!

terça-feira, julho 25, 2006

Arte: As posturas do Kamasutra em 3D

Esta exposição foi apresentada desde dia 15 de novembre de 2005 à 30 de maio de 2006 no Museu de Arte Moderna de Chambéry - França. Cada uma das obras representa uma posição do kamasutra, uma posição da sexualidade humana. O autor dessas esculturas, francês, nascido em 1963 nos Alpes, tem conservado esta coleção em seu atelier em segredo durante muito tempo. Para satisfação e prazer de todos, aceitou uma montagem fotográfica destas obras, com a condição de que sua tranquilidade pessoal não vinhesse alterada...

(clique no título e conheça o site das obras)

RadioHead - Fake Plastic Trees

Her green plastic watering can
For her fake Chinese rubber plant
In the fake plastic earth
That she bought from a rubber man
In a town full of rubber plans
To get rid of itself
It wears her out, it wears her out
It wears her out, it wears her out

She lives with a broken man
A cracked polystyrene man
Who just crumbles and burns
He used to do surgery
For girls in the eighties
But gravity always wins

It wears her out, it wears her out
It wears her out, it wears her out

She looks like the real thing
She tastes like the real thing
My fake plastic love
But I can't help the feeling
I could blow through the ceiling
If I just turn and run

It wears her out, it wears her out
It wears her out, it wears her out

If I could be who you wanted
If I could be who you wanted all the time

(clique no título e conheça a tradução)

segunda-feira, julho 24, 2006

domingo, julho 23, 2006

Dica de Livro: A Cura de Schopenhauer

" - Vou contar uma coisa - disse Julius - Anos atrás, em Xangai, estive numa catedral deserta. Sou ateu, mas gosto de conhecer lugares religiosos. Bem, dei uma volta na catedral, sentei no confessionário vazio e fiquei invejando o padre-confessor. Que poder ele tinha! Tentei dizer: "Você está perdoado meu filho, você está perdoado minha filha". Imaginei a enorme segurança dele por se considerar o elo do perdão que vinha direto do homem lá de cima. E como as minhas técnicas pareciam insignificantes em comparação com as dele. Mas depois que saí da catedral, concluí que pelo menos eu vivia de acordo com as normas da razão, e não tratava meus pacientes como crianças, transformando mitologia em realidade."

"Talvez não ser nada seja a melhor maneira de realmente ser alguma coisa." - Chuco

quarta-feira, julho 19, 2006

Waking Life

Em nossa visão de mundo contemporânea é fácil pensar que a ciência ocupou o lugar de Deus. Mas alguns problemas filosóficos ainda perturbam. Por exemplo, o livre-arbítrio. O problema existe desde Aristóteles, em 350 a.C. Sto. Agostinho e S.Tomás de Aquino também refletiram sobre como ter livre-arbítrio, se Deus sabe o que faremos. Sabemos hoje que o mundo obedece a leis físicas básicas que governam o comportamento de todo objeto no mundo. Como são fidedignas, permitem incríveis avanços tecnológicos.Mas somos um sistema físico.Um arranjo complexo de carbono e, principalmente água. Nosso comportamento não é exceção às leis físicas.Seja Deus organizando previamente e sabendo tudo ou as leis físicas no controle , não há lugar pra liberdade. Talvez queira ignorar a questão, o mistério do livre-arbítrio.Dizer: "é só um caso histórico. É frívolo. Uma pergunta sem resposta. Esqueça".Mas a pergunta não desaparecerá.Se pensar em individualidade quem você é se baseia nas escolhas que faz.Ou veja a responsabilidade.Só será responsável , declarado culpado, admirado, respeitado pelo que fez,ou seu livre-arbítrio fez.Portanto a questão volta, e não temos solução. Nossas decisões são um enigma. Veja como acontecem.Atividade elétrica no cérebro.Os neurônios enviam sinais ao sistema nervoso, que passa as fibras musculares.Elas se contraem.Você estica o braço.Parece uma ação livre sua, mas cada parte do processo é governada por leis físicas , químicas etc. Parece que o big bang definiu as condições iniciais e o resto da historia humana , é a reação de partículas subatômicas de acordo com as leis da Física. Pensamos que somos especiais que temos dignidade.Mas isso é ameaçado , desafiado por esta imagem. Diria: "E quanto a mecânica quântica? Sei muita teoria para saber que não é assim. É uma teoria de probabilidade. É inexata. Não deterministica. Isso nos permite entender o livre-arbítrio". Mas olhando os detalhes não serve , porque o que se tem são partículas quânticas de comportamento randômico. Elas se desviam. Seu comportamento é absurdo, imprevisível.Não podemos entende-los com base no que já aconteceu.Faz algo de repente ,age na estrutura de probabilidade.Isso ajuda? Nossa liberdade é questão de probabilidade? Um desvio aleatória num sistema caótico? Parece pior. Prefiro ser uma engrenagem numa maquina deterministica física do que desvio aleatório.Não podemos ignorar o problema.Devemos achar, em nossa visão de mundo, o espaço das pessoas.Não corpos mas pessoas.Devemos resolver o problema da liberdade, achar espaço para opção e responsabilidade e entender a individualidade.

Uma grande empresa - Silvia Curiati

Era uma empresa com problemas. Cabeça-dura e Coração-mole, funcionário e chefe respectivamente. O Coração dava as coordenadas e a Cabeça tinha como ordem trancá-las e seguí-las à risca.
Vez ou outra, a Cabeça tinha os seus momentos. Todo funcionário quer crescer dentro da empresa, claro. Ela tinha rompantes de luz e fazia tudo parecer muito mais simples, as soluções estavam ali, ao seu alcance, por breves segundos. Era quando a empresa parecia mais forte.
Mas o Coração não era coercível. Sua complacência durava pouco. Logo ele recobrava as forças e dominava novamente, com seus pensamentos ilógicos e imperfeitos, cheios de intuições e significados embutidos. Não tinha imparcialidade, característica importante a um governante. Mas era apaixonado, o que fazia todos os seus êxitos terem mais brilho.
Já houve dias em que, ausentando-se a Cabeça, o Coração chegava até mesmo a culpar-se pelos problemas que o envolviam, como se sua empresa, seu governo, fosse a causa da desgraça de outras. Nestes momentos soava o alarme de emergência e a Cabeça voltava correndo para injetar todos os seus argumentos (muito bons e verdadeiros, diga-se de passagem) na veia, dose única. Afetava toda a empresa, já que normalmente estes medicamentos são fortes e doloridos, por prometerem rápido efeito.
Se a Cabeça fosse chefe, seria ditadora. O Coração é um governante democrata. Cabeça-dura não houve nada além de sua voz, seria um soldado de defesa brilhante; Coração-mole é todo ouvidos, se deixa influenciar por todas as intempéries.
E esta é uma empresa falida, por ter problemas absolutamente sem solução. Ninguém está no poder, ninguém assume. Eu peço demissão antes que seja tarde demais.

segunda-feira, julho 17, 2006

Dança a la brasileira

(clique no título e conheça um site onde você poderá fazer sua banda funcionar a sua maneira. Clique no instrumento e ele tocará, clique de novo e ele se calará)

domingo, julho 16, 2006

O Relógio no Deserto - R. J. Riggins

Ok, então se você encontrasse um relógio no deserto, suporia que ele tinha se “construído espontaneamente” a si próprio a partir da areia do deserto e das rochas? É claro que não! Você suporia que o relógio foi feito, ou criado, por um relojoeiro habilidoso, e deixado cair ali por ele ou por outra pessoa. O relógio foi claramente projetado para um propósito muito específico, por alguém com grande perícia, que sabia de antemão exatamente o que queria. Portanto, quando encontramos algo projetado de forma tão perfeita como um animal vivo, também é completamente ridículo supor que isso se “construiu espontaneamente a si próprio”. Teve de ser concebido, em toda a sua perfeição, por algum grande projetista. A mera existência de relógios e animais bem concebidos é toda a prova que precisamos para concluir que ambos foram criados por alguém com infinitamente mais sabedoria do que as criações. Ambos, meramente pela sua existência, têm implícita a existência de um grande projetista ou criador. Os relógios não “evoluem simplesmente”, nem os animais (ou as pessoas); logo, a evolução é logicamente absurda (e, por extensão, qualquer pessoa que acredite nela é um idiota ilógico).
É mais ou menos assim que a analogia geralmente é apresentada. E parece bastante convincente à primeira vista. Imagino que algumas pessoas com inclinação para a evolução tenham ficado desconcertadas por esta analogia na primeira vez que a ouviram, não sabendo exatamente como responder nesse momento. Também aposto que alguns criacionistas vêem isto como uma pérola de lógica irrefutável que destrói completamente a evolução e todas as suas obras.
Mas espere um momento. Já que este argumento é apresentado sob a forma de uma analogia, vamos obrigar o criacionista a seguir a sua própria lógica e vejamos se a analogia se agüenta. Para uma analogia fazer algum sentido lógico, as duas coisas que estão sendo comparadas precisam de ter muito em comum, não apenas uma característica saliente. Por exemplo, quando estamos a considerar o funcionamento de uma coisa viva (como uma pessoa), muitas vezes é feita uma analogia com uma máquina complexa de algum tipo (como um relógio, mas um automóvel serve ainda melhor). Ambos precisam de combustível, ambos produzem calor e desperdícios, ambos se gastam com o passar do tempo, ambos transformam energia química em energia mecânica, ambos têm muitas partes pequenas, mas críticas etc. Mas a analogia do relógio no deserto não é sobre como as coisas funcionam. É sobre de onde elas vieram – ou realmente, como apareceram. E quando pensamos nisso, chegamos a algumas conclusões interessantes. Lembre-se, é suposto a analogia funcionar desta forma: assim como um relógio não se constrói espontaneamente e precisa ter um construtor que o fez exatamente como é, da mesma forma um animal não se pode construir espontaneamente e também precisa ter um construtor que o fez exatamente do modo como é presentemente.
Vamos começar por aqui: os relógios não apareceram simplesmente no mundo com a forma que têm agora! É um fato muito óbvio que eles evoluíram. Os primeiros instrumentos de medição do tempo eram muito primitivos, desajeitados e imprecisos. Eles melhoraram ao longo dos anos. Se nos pudermos referir a dispositivos de medição do tempo realmente antigos como sendo “fósseis”, então podemos mostrar uma seqüência de fósseis da evolução dos relógios desde algum momento obscuro no passado até as nossas maravilhas eletrônicas atuais. Atualmente, eles evoluem visivelmente de um ano para o seguinte. Os relojoeiros passaram por toda uma série evolutiva de relógios antes de alguém ter deixado cair descuidadamente um deles naquele deserto. Sendo assim, será que isto prova que o animal que encontramos no deserto foi criado na sua forma atual, sem mudanças significativas ao longo de muitas gerações? Será que me estou a esquecer de algo aqui?
Lembre-se, o debate é realmente sobre se a evolução ocorre, não é sobre se existe um criador por detrás dela. Um relojoeiro (a humanidade) desenvolveu (fez evoluir) lentamente a seqüência de dispositivos de medição do tempo. Talvez um Relojoeiro tenha desenvolvido (ou feito evoluir) a seqüência de coisas vivas – não encontrará qualquer argumento sobre isso aqui. Mas a evolução aconteceu em ambos os casos. A mensagem desse relógio perdido não é: “Apareci na minha perfeição atual, sem quaisquer ancestrais primitivos antes de mim.” É antes algo do gênero: “Estou na extremidade de uma longa cadeia de ancestrais que evoluíram lentamente, e os meus descendentes continuarão a mudar”.
Será que encontrar no deserto um relógio feito pelo homem mostra de algum modo que os animais foram criados nas suas formas atuais através de magia (ou milagres) há alguns milhares de anos? O que nos levaria a tirar essa conclusão? O relógio não foi criado por magia. De fato, foi criado por processos puramente naturais (por oposição a sobrenaturais). Se a criação do relógio é realmente análoga à criação de coisas vivas, então o que a analogia nos mostra é que a origem de ambos pode ser explicada por processos naturais.
A intervenção sobrenatural poderia ter sido responsável por qualquer deles ou por ambos, mas essa explicação certamente não é necessária para o relógio. Se obrigarmos o criacionista a seguir a lógica da sua própria analogia, então o que a analogia “prova”, se é que prova alguma coisa, é que “criações” bem concebidas podem ser produzidas naturalmente, em pequenos passos incrementais: não é necessária qualquer magia, muito obrigado.
“Mas, mas, mas...” insiste o criacionista, “o ponto da analogia é que coisas como relógios e animais não se constroem espontaneamente!” Bem, isso está parcialmente correto, e é aqui que a analogia deixa de funcionar. Qualquer analogia só pode ser esticada até um certo ponto. O automóvel deixa de ser análogo ao corpo humano quando começamos a falar sobre pensamento ou emoções. E os relógios deixam de ser análogos aos animais quando você começa a falar sobre como o item individual é construído. Os relógios, afinal, nunca dão à luz pequenos relógios bebês! Um relógio individual é evidentemente sempre construído por algo exterior a si mesmo (um relojoeiro humano, embora atualmente ser mais provável que sejam robôs industriais). Todos os animais que já vi construíram-se a si próprios, de forma muito literal! Eles assimilam matéria (geralmente) não viva dos seus meios, processam-na quimicamente e transformam-na em partes do animal vivo. No caso de mamíferos como nós, as nossas únicas partes que são diretamente feitas por outros são as células do espermatozóide e do óvulo que se unem e se subdividem nas nossas primeiras células. Depois disso, durante o resto das nossas vidas, assimilamos matéria do exterior e incorporamo-la nós próprios em partes do nosso corpo. Inicialmente, essa matéria nos é fornecida pela nossa mãe, mas ela não nos faz: apenas fornece a matéria prima. Nós absorvemo-la, manipulamo-la, construímo-nos a nós próprios, e vemo-nos livres daquilo que não precisamos.
Mas tudo bem, eu sei; a questão é o primeiro animal. Como é que ele poderia ter-se iniciado? Todos os animais atualmente vivos começam com pedaços de matéria já viva criada pelos seus progenitores. Químicos não-vivos não se montam espontaneamente, não criam moléculas ordenadas e complexas a partir de elementos simples. Será que não? Se o criacionista chegar a ponto de dizer isso, já revelou a sua ignorância básica sobre química simples. Elementos e moléculas simples combinam-se espontaneamente a todo momento para formarem moléculas mais complexas. Quando foi a última vez que você encontrou algum hidrogênio solto na Terra, ou flúor? Todo o hidrogênio combinou-se de forma espontânea com outros elementos para formar moléculas mais complexas. Se você libertar algum hidrogênio, este não vai ficar livre de combinações durante muito tempo. Os átomos de carbono, especialmente, têm uma tendência para [se combinarem e] formarem espontaneamente todo o tipo de moléculas complexas, que por sua vez combinam-se para formar polímeros muito complicados e megamoléculas. Algumas dessas combinações até são auto-replicantes [fazem cópias de si mesmas], se os materiais necessários estiverem disponíveis. Nós normalmente não vemos moléculas montando-se a si próprias para formar sistemas vivos, mas isso só teve de acontecer uma vez – daí em diante a tendência natural da vida tem sido manter-se a si própria, espalhar-se e evoluir. Quando descemos ao nível das moléculas, ou de pequenas coleções delas, a linha divisória entre o que é vivo e o que é não-vivo torna-se bastante indistinta. De fato, um dos critérios básicos usados na biologia moderna para distinguir sistemas complexos vivos e não-vivos é que sistemas realmente vivos têm a capacidade de evoluir à medida que se reproduzem.
Se estivermos inclinados para a idéia de um Criador, ele certamente pode ter arranjado essa primeira combinação improvável. Ele até pode ter dirigido toda a evolução desde então. Mais uma vez, o ponto da velha e estafada analogia do relógio no deserto era supostamente que a evolução não ocorre nem pode ter ocorrido. Mas os relógios evoluíram; não foram miraculosamente criados ex nihilo, e a sua incapacidade de se construírem a si mesmos nada tem a ver com a capacidade óbvia dos compostos químicos e coisas vivas se construírem a si mesmos a partir de matérias disponíveis. Então, explique lá novamente como é que encontrar um relógio de fabricação humana supostamente prova que os animais foram criados nas suas formas atuais?

“Contemplando a expressão de suave serenidade refletido no rosto da maioria dos mortos, parece que o fim de toda a atividade da vida seja um consolo para a força que a mantém.” Schopenhauer

sexta-feira, julho 14, 2006

Jogo: Trampolim

(clique no título e tente melhorar seus saltos)

quarta-feira, julho 05, 2006

A Balsa da "Medusa" - Jean Louis André Théodore Géricault. 1818-1819. Óleo sobre tela. 490 x 720 cm. Louvre, Paris, France

"Navegar é preciso, viver não é preciso” - Fernando Pessoa


Precisar. V.T. d. 1. Indicar com exatidão; particularizar, distinguir, especializar. 2. Ter precisão ou necessidade de; necessitar. 3. Citar ou mencionar especialmente. T. í. 4. Ter necessidade, carecer, necessitar. Int. 5. Ser pobre, necessitário. 6. Ter precisão ou necessidade. 7. Ser preciso ou necessário.