sábado, agosto 26, 2006

Apenas mais uma separação comum - Silvia Curiati

Ele entrou na casa sem desviar o olhar para a pessoa que abria a porta. Passou como uma flecha e sentou-se no sofá, virando-se então em direção a ela, que vinha caminhando vagarosamente, como um take em slow-motion de um desfile de grife.

Estavam agora um de frente ao outro, olhos nos olhos.

"A mulher da minha vida", pensou, enquanto sua expressão permanecia a mesma, indefinível.
"Eu não posso viver sem ele", ela repetia incessantemente, como um mantra, em sua mente.
"Tão linda, tão perfeita... Ainda sou completamente apaixonado por esta garota".
"Me abraça, por favor, diz que ainda me quer".
Ele levantou-se e disse, rapidamente, antes de ter tempo de repensar:

- Melhor assim, não temos nada a ver um com o outro. Nem me lembro por que nos apaixonamos.
- Verdade.

E partiu sem olhar para trás.

Deixaram a perfeição de seus sentimentos ser maculada pelas palavras. Elas, que saíam de suas bocas sem permissão, como adolescentes fugindo do controle dos pais, rebelando-se contra uma causa inexistente, tatuando-se sem pensar nas conseqüências futuras, no arrependimento que um dia, cedo ou tarde, bateria em suas portas

2 comentários:

Paradoxo disse...

Puxa.Esse é daqueles simples q nos fazem pensar...é por isso q dou meu braço a torcer sempre :-)

Pati disse...

roubei esse texto e postei no meu blog, ok??

quase choro ao ler.
lá coloquei mais um trecho de outro autor.
=*