sábado, agosto 05, 2006

Waking Life

Não me sai da cabeça algo
que você me disse.
- Algo que eu disse?
- E.
Sobre a sensação de que você
observa a sua vida...
da perspectiva de uma velha
à beira da morte. Lembra?
Ainda me sinto assim, às vezes.
Como se visse minha vida
atrás de mim.
Como se minha vida desperta
fossem lembrancas.
Exatamente.
Ouvi dizer que Tim Leary,
quando estava morrendo, disse...
que olhava para seu corpo que estava
morto, mas seu cérebro estava vivo.
Aqueles 6 a 12 minutos de atividade
cerebral depois que tudo se apaga.
Um segundo nos sonhos é infinitamente
mais longo do que na vida desperta.
- Entende?
- Claro.
Tipo, eu acordo às 10:12h.
Então, eu volto a dormir...
e tenho sonhos longos, complexos, que
parecem durar horas. Aí eu acordo e...
são 10:13h.
Exato. Então aqueles 6 a 12 minutos
de atividade cerebral...
podem ser a sua vida inteira.
Você é aquela velha,
olhando para trás e vendo tudo.
Se eu sou, o que você seria nisso?
O que eu sou agora.
Quero dizer, talvez eu só
exista na sua mente.
Eu sou apenas tão real
quanto qualquer outra coisa.
Andei pensando sobre algo
que você disse.
Sobre reencarnação, e de onde todas
as novas almas vêm ao longo do tempo.
Todo mundo sempre...
diz ser a reencarnação de Cleópatra
ou de Alexandre, o Grande.
Não passam de bestas quadradas,
como todo mundo.
Quer dizer, é impossível.
A população mundial duplicou
nos últimos 40 anos.
Então, se você acredita nessa história
egóica de ter uma alma eterna...
há 50% de chance da sua alma
ter mais de 40 anos.
Para que ela tenha mais de 150 anos,
é uma chance em seis.
Está dizendo que reencarnação não
existe? Ou somos todos almas jovens?
Metade de nós é de humanos de
primeira viagem? O que você está...?
- Quero dizer...
- Aonde você quer chegar?
Eu acredito que a reencarnação
é uma expressão poética...
do que é a memória coletiva.
Eu li um artigo de um bioquímico,
não faz muito tempo.
Ele dizia que, quando um membro
de uma espécie nasce...
ele tem um bilhão de anos
de memória para usar.
É assim que herdamos
nossos instintos.
Eu gosto disso. É como se houvesse...
uma ordem telepática
da qual nós fazemos parte...
conscientes ou não.
Isso explicaria os saltos...
aparentemente espontâneos, universais
e inovadores na ciência e na arte.
Como os mesmos resultados surgindo
em toda a parte, independentemente.
Um cara num computador descobre
algo e, simultaneamente...
várias outras pessoas
descobrem a mesma coisa.
Houve um estudo em que isolaram
um grupo por um tempo...
e monitoraram suas habilidades
em fazer palavras cruzadas...
em relação à população
em geral.
Então, deram-lhes um jogo da véspera,
que as pessoas já tinham respondido.
A sua pontuação subiu dramaticamente.
Tipo 20%.
É como se, uma vez que as respostas
estão no ar, pudessem ser pescadas.
É como se estivéssemos partilhando
nossas experiências telepaticamente.

Um comentário:

danielle disse...

Ta me convencendo...ehehheehe