domingo, abril 02, 2006

Depois de Tantos Anos - Bruno Braga

Não sabia ao certo se devia contar. Afinal se tratava de seu melhor amigo. Cresceram juntos, jogando bola, tocando na banda que iria revolucionar o mundo da música, passando noites jogando vídeo-game e assistindo o canal adulto que quase não tinha imagem. “Eu acho que vi um peito”, e a noite já teria valido a pena. Eram mais velhos agora, já não jogavam mais todo dia, a banda já era só um hobby, assim como o vídeo-game, e o canal adulto já era mais necessário.
Mas continuavam tão amigos quanto sempre foram. Sabiam tudo um do outro. Não tinha como haver segredos entre eles, pois se conheciam bem demais para isso. E foi justamente por isso que o mais velho, que havia nascido apenas três meses antes do outro, mas que sempre se vangloriou por ser mais velho e usava isso como desculpa para tirar vantagem em tudo, estranhou quando o mais novo não quis lhe contar o que o estava perturbando. Sabia que havia algo, não tinha como esconder. Mas o mais novo não sabia como dar aquela noticia.
Não era uma besteira qualquer, era um assunto sério. Encarou o amigo, sem muita coragem. Viu seus olhos de preocupação e tudo que eles escondiam, conhecia cada expressão dele. Não resistiu. “Vamos dar uma volta”, sugeriu. Foram andar na praia, já estava escurecendo e não havia quase ninguém por perto, apenas uma mulher passeando com seu imenso cachorro e dois jovens jogando frescobol. Como jogavam mal, comentaram os amigos, que de tanto jogarem juntos já não sabiam jogar com outras pessoas.
A primeira frase é sempre a mais difícil, assim como em qualquer texto. Sabia que quando começasse a falar sairia tudo e logo teria tirado aquele peso dos ombros. Já carregava esse tormento há uma semana e tinha certeza que não agüentaria mais uma hora se falar para o companheiro mais velho. Mas simplesmente não sabia como começar. Não conseguia. Foi quando o amigo colocou a mão no seu ombro, com aquele ar superior de irmão mais velho, e falou que ele podia dizer qualquer coisa que quisesse. “Como você pode ainda não saber disso, depois de tantos anos”. E essa ultima parte da frase ecoou na cabeça do outro. “Depois de tantos anos”. Havia algo mágico nessas palavras. Não sabia ao certo, mas não eram apenas palavras. Tinham um significado imenso, não só pelo tempo que representava, mas pelo que havia dentro daquele tempo. Era como se toda a história daquela amizade coubesse depois dentro dessa frase. Depois de tantos anos. Realmente, muitos anos. E não lembrava de ter havido situação parecida em todo esse tempo.
Pararam e ficaram encarando o mar sem dar uma palavra. Dizem que amigos são aqueles que ficam sós sem falar nada e não ficam constrangidos. E assim ficaram até que o sol se pôs por completo. E foi justamente quando o ultimo raio solar desapareceu no horizonte que o mais novo começou a falar. A primeira frase surgiu naturalmente, sem que ele percebesse. Apenas saiu da sua boca como um animal enjaulado que não agüentava mais ficar preso. Olhou para os pés, respirou, virou-se para o amigo e começou a falar. Depois de tantos anos, foi o que disse...

7 comentários:

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