segunda-feira, abril 24, 2006

Aquele brilho, para sempre! - Bruno Braga

Há tempos ansiava por uma viagem daquelas. Nem lembrava da última vez que havia feito uma viagem assim. Amigos, lugares novos, pessoas novas. No caminho, ainda no ônibus, ficou com uma garota. Simpática, ela. Bonita, também. Conversaram a noite inteira sobre tudo, livros, filmes, histórias do passado. Mas não era ainda o que buscava. Na verdade, nem sabia que buscava algo.
Queria curtir ter novas experiências, sair da mesmice. Continuou um tempo com a garota, mas faltava algo. Foi quando a conheceu. Ela, tímida, longe de querer chamar atenção, desajeitada de um jeito meigo e charmoso. Conversaram até o nascer do sol, mas nem viram o tempo passar. Ele, deixando claro suas intenções, ela, por sua vez, calada, ainda tímida. Mas havia algo de diferente. Um brilho no olhar, no sorriso. Estava feliz, e foi nesse brilho que ele se agarrou com todas as forças e prometeu não soltar até que fosse sua. Ela já era de alguém, dizia. Ele, no entanto, sabia que havia esperança, ela mesma havia dito. Não podia deixá-la escapar. Não dessa vez. Depois de tanto tempo vazio, finalmente sentia algo. Algo novo, algo real. E era correspondido, sabia que era.
Continuaram juntos o resto da viagem. Visitaram a cidade, foram a festas, viram o nascer do sol. Sempre juntos. Ele falando, ela menos tímida, aceitando o que ele tinha para oferecer. Ela também queria sair da mesmice. E encontrara nele algo novo, diferente. Não sabia ao certo o que fazer, afinal, já era de alguém. Não sabia o que aconteceria quando voltasse, qual história seria sua, qual caminho escolheria. Queria continuar sempre viajando, talvez, assim, não tivesse que escolher. Ele sabia de tudo isso, e entendia. Entendia porque o que sentia era real. Era o momento certo para eles e sabiam disso. Um era exatamente o que o outro precisava. Naquele mundo, naquela realidade que criaram juntos, eram felizes. E poderiam continuar assim para sempre.
Mas o tempo passou e a viagem acabou. Na volta, dormiram de mãos dadas, rostos colados no balançar do ônibus. Estavam caindo do céu, e sabiam disso. Ele, já decidido a encarar seu destino, ela, já disposta a escolher. E foram assim, calados, aceitando o fim da realidade que criaram juntos. Ela ainda prometeu que conversariam, mas ele sabia o que o esperava. Ainda tentou, numa ultima tentativa, já quase sem forças, mas foi em vão. Assim, a historia que construíram juntos tiveram que destruir sozinhos, separados pela nova realidade que os cercava. E foi assim que ele, dessa vez calado, tímido, soltou o brilho que agarrara com tanta força, e o perdeu para sempre.

7 comentários:

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