segunda-feira, dezembro 27, 2004

The Severed Garden - Jim Morrison

"They are waiting to take us into
the severed garden
Do you know how pale & wanton thrillful
comes death on strange hour
unannounced, unplanned for
like a scaring over-friendly guest you've
brought to bed
Death makes angels of us all
& gives us wings
where we had shoulders
smooth as raven's
claws

No more money, no more fancy dress
This other Kingdom seems by far the best
until its other jaw reveals incest
& loose obedience to a vegetable law

I will not go
Prefer a Feast of Friends
To the Giant family"

Jim Morrison

ps: Aos que me lêem, quero essa música lida no meu funeral...

7 comentários:

Paradoxo disse...

Este sino encantado que ameaça e prende aos seus caprichos alguém a lhe acariar a pele metálica e gélida. Este sino, que para muitos é música. Este sino que para outros é o tempo a sussurrar que ele mesmo
(tempo) se esvai e no pêndulo lhe balança e leva. Este sino fantasmagórico; mas que ainda assim é mais doce que uma ampulheta porque faz som. E porque o som , mesmo que em gritos, é companhia sei lá de quem onde. Seja lá de lugar algum.

Será da amada imediatamente posterior, e (por isso?) superior?! E só de ver o nome do Fernando Pessoa, mesmo que seja "apenas" como tradutor já me dá uma coisa tão. Tão que eu já gosto do poema sem ler porque já sei sobre o quê ele vai dizer. E porque sei que ele vai dizer sobre mim e coisas que eu não sei dizer, mas que sei. Egoísta? Tanto quanto quem em poesia se recusa a largar (de mão) um amor.

Mas nem tanto quanto alguém que, em vida, quer para si ao menos o direito de escolher o som que irá ouvir ( ouvirá?) em morte . Melhor seria dizer, que com vc agora na minha frente, não quero falar sobre sua morte.

Thiago Braga disse...

Seja o triste som do sino que anuncia muitas vezes tristezas e mal goros, ou o simples pêndulo que vai e vem na sua incansável busca pelo descanso, tudo é melancólico. Tudo é o fim implícito. Viver ao lado da igreja para ouvir o som dos sinos é viver de morte. O sino, o pêndulo é só. Enquanto o primeiro traz consigo o som, a segunda... Nada. E isso para mim é angustiante. Embora seja um sino e um pêndulo.

Em falar de poesia, nada é mais "ponte" entre razão e sentimento. Seja Fernando Pessoa ou Gina Emanuela. A arte nos traz essa ajuda. Sentimento é logos. E muitas vezes, ou todas às vezes, relativos aos nossos mais profundos desejos e lamentações. Por isso que para mim é Vinícius, para você Rimbaumd. Um diz mais a mim que a você. Cada um com seu espelho que mais lhe acalenta a alma.

Mais "the severed garden" é meu último desejo. Não para mim, que possivelmente não vou estar aqui para a ouvir, mas para vocês que irão atravessar essa ponte. Pela beleza da música, vislumbrar o que eu imaginei que EU vislumbraria. Razão/emoção. Sentimento/Logos. Não para mim, para vocês...

Paradoxo disse...

Engraçado, era por aí que eu ia enveredar ontem caso vc não tivesse aparecido VIVO na minha frente. Quem escutar é quem ficará com os ouvidos vivos e com o coração pulsando, mesmo que contra vontade e, neste dia, mais músculo involutário ainda.
Quem morreu nem vai mesmo saber se seu desejo foi atendido, sonho que apenas pode alimentar em vida enquanto imagina o dia de seu fim. Agora, algo me encuca: vc, sabendo disso, escolher uma música que na última estrofe diz " I will not go". :-P

Thiago Braga disse...

Eu realmente não quero ir, e , quando for, vou ficar um bom tempo por aqui. Seja nas mentes dos amigos que aqui ficaram, nos trabalhos que escrevi ou até aqui mesmo, no http://www.parergaeparaleponema.blogspot.com/. Sempre serei... Eu. I will not go.

Paradoxo disse...

A árvore, o filho e o livro? :-)

Thiago Braga disse...
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Thiago Braga disse...

A árvore já plantei em frente da minha casa, o livro está longe de sair, mas o filho...