quarta-feira, novembro 23, 2005

Droga de Parerga, TOCA RAMONES!!!

20-20-20-4 hours to go
i wanna be sedated
nothing to do, nowhere to go, oh
i wanna be sedated

just get me to the airport, put me on a plane
hurry, hurry, hurry before i go insane
i can't control my fingers, i can't control my brain
oh no, oh no, oh no

20-20-20-4 hours to go
i wanna be sedated
nothing to do, nowhere to go, oh
i wanna be sedated

just put me in a wheelchair, puy me on a plane
hurry hurry hurry before i go insane
i can't control my fingers, i can't control my brain
oh no oh no oh no

20-20-20-4 hours to go
i wanna be sedated
nothing to do, nowhere to go, oh
i wanna be sedated

just put me in a wheelchair, get me to the show
hurry hurry hurry before i cant let go
i can't control my fingers, i can't control my toes
oh no oh no oh no

ba-ba-baba, baba -ba-baba i wanna be sedated
ba-ba-baba, baba-ba-baba i wanna be sedated
ba-ba-baba, baba-ba-baba i wanna be sedated
ba-ba-baba, baba-ba-baba i wanna be sedated

terça-feira, novembro 22, 2005

Jogo: Extreme Farm Simulator


(clique no título e salve sua fazenda dos malditos aliens. Use o mouse pra mirar e atirar. O objetivo é derrubar todos os discos voadores para proteger suas vacas.)

“O verme se enconcha quando é chutado. Essa é sua astúcia. Ele diminui com isso a probabilidade de ser novamente chutado. Na língua da moral: humildade.” Nietzsche

Encontro com Valquíria - Por Gustavo Machado

Chuva e calor. Camisa colada nas costas. Mofando no Fiat alugado. Bilhete amassado na mão: rua, número, academia de ginástica. Ali mesmo. Só esperar. Limpador de pára-brisa no máximo. Nhec, nhec, nhec. Sob o único poste aceso na quadra, pingos grossos estouravam no asfalto branco. Nhec, nhec. Lá vai ele, eu pensei, quando vi o carro saindo pelo estacionamento. Quando se afastou um pouco, fui atrás das lanternas vermelhas.
Uma hora adiante, eu revistava um homem com antebraços espessos de caminhoneiro, sebento, azedo. Nos bolsos, nada. Em uma pequena sacola de lona, carteira, roupa esportiva rançosa, bugigangas de higiene e um estojo aveludado. Dentro, duas alianças muito, muito grossas de novo-rico. Peguei minhas ferramentas, sem pressa.
"Hei", ele disse, jovial, apertando ainda mais os olhinhos negros, num estágio mais avançado de nervosismo, "sabe quem eu sou?"
Eu sabia. Teobaldo, 57, branco, baixo, gordota, rico falido. Faz ginástica à noite.
"Tenho um jatinho, sabe? Grana e saída certa. Que tal?"
A chuva martelava o telhado de zinco. Difícil ouvir o que o homem dizia. Segui calado e ativo como mineiro, zanzando à luz do lampião, escolhendo o melhor lugar para um buraco. Pronto, encontrei. Ele percebeu. Percebeu e gelou. Foi eu mostrar a pá, desatou no choro. Cagaço dos outros não é problema meu. Comecei a cavar no chão batido do depósito de lenha da chácara desativada na Zona Sul. Terra dura, duríssima, era como se eu golpeasse uma pista de concreto. Desconfiei ter aberto o pulso. Cavar, cavar. Há colegas que fazem o condenado cavar. Eu, não. O sujeito já está sofrendo, todo fodido. Não precisa forçar a barra.
"Escuta, irmão. Eu arrumo quanto você quiser. Hein, hein?", fungando, quase aos gritos, não sei se pelo som do zinco metralhado ou pavor.
Não era diferente dos outros. No começo, pareciam mocinhas pedindo pra ir ao baile. Depois, quando a coisa engrossava, ficavam como os leitões que eu sangrava com o meu avô, na serra. Acendi um cigarro e continuei cavando em silêncio. De repente, o homem parou de chorar, reclamar, implorar, resmungar, incomodar. Isso também é de praxe. Se o encomendado não tem volta mesmo, quando sente o bafo na nuca, aí começa a pensar em coisas práticas que tem de resolver. Uma vez um cara me pediu pra pagar a prestação da casa. Fez um cheque. Eu paguei, claro. O buraco estava pronto. Arrastei o Teobaldo para dentro e fiz pontaria. Comigo é uma bala só. O sujeito fecha os olhos e acorda do outro lado. Nem sente nada.
"Espera, espera", e agora estava calmo.
Baixei a mira. Então ele falou numa Valquíria e, claro, no estojo das alianças.
"Tirei a menina da rua. Paguei dentista, ginástica, montei apartamento e arranjei até um empreguinho. Agora, deixei minha mulher. Custou, mas deixei. Hoje, vou jantar com Valquíria e depois pedi-la em casamento. Leva a caixinha pra Val, leva?", mirando o estojo, que eu deixara aberto, bem à vista.
Falei que ia pensar e fiz pontaria de novo. Não prometo nada pra morto porque dá azar, quando a gente não consegue cumprir. Engatilhei. Ele se encolheu todo, cachorro dormindo na rua em noite de inverno. Cerrou os olhos, rilhando os dentes.
"Pensa num lugar bonito", eu disse, e rezei uma prece à Nossa Senhora da Boa Morte.

Fotos de filmes

Lucy Liu em Kill Bill Vol.I

Memórias de uma Geisha, dezembro de 2006




Nicole Kidman, a cortesã Satine de "Moulin Rouge"

(clique no título e entre na página da UOL onde você poderá ver várias fotos de vários filmes)

Charadas de Raciocínio

(clique no título e resolva n charadas de raciocínio. Todas do tipo: "Três gatos comem três ratos em três minutos. Cem gatos comem cem ratos em quantos minutos?")

Quando Marte se aproxima... Por Sílvia Curiati


Pessoas impulsivas têm um grande problema: são impulsivas.
É o tipo de gente que deveria ser proibida de entrar no mundo, deveria viver num universo impulsivo cheio de trampolins, desconectado deste calculista e minucioso, num lugar onde o ato impensado, a palavra mal colocada, o texto enviado sem ser relido não causassem grandes danos a ninguém, porque chegariam a uma pessoa igualmente impulsiva que os entenderia e saberia compreender a gravidade ou não do tema. Conseguiria discernir entre a palavra real e a raivosa, entre a tranqüila e a exagerada, entre a carinhosa e a cheia de paixão, entre a opinião real e a forjada. Não é tão complicado. Conhecendo um pouco a pessoa com quem se está falando, dá pra saber o que ela quer dizer, ou o que apenas saiu de sua boca.
Com isso o mundo real seria habitado por pessoas normais, que ouvem e entendem aquilo que foi falado com absoluta certeza de que é este mesmo o significado que o outro quis dar. Seriam mais felizes e não haveria nenhum desentendimento de caráter verbal. São os que mais machucam.
O mundo real seria mais correto se nós, impulsivos, não existíssemos. Haveria menos perdas, mais confiança.
Eu, pelo menos, me machucaria muito menos. E certamente não machucaria ninguém.
Não sou do tipo que pensa mil vezes antes de escrever ou de dizer algo. Falo coisas movida pela sensação do momento. Muitas, incontáveis vezes, elas saem da maneira errada. Outras tantas, falo o que vinha guardando há muito e não tinha nenhuma vontade de externar. Ultimamente tenho quebrado a cara com isso, e vale de lição.
Em alguns casos, a solução deve ser dexistir...

segunda-feira, novembro 21, 2005

Esperar - Por Liannara Duarte

es.pe.rar (lat sperare) 1 Ter esperança em, estar à espera de, contar com 2 Aguardar 3 Estar na expectativa 4 Contar, obter; ter como certo ou muito provável conseguir: 5 Confiar no auxílio ou proteção 6 Conjeturar, supor 7 Estar de espera (emboscada) para acometer. 8 Estar na fase final da gravidez.

Esperei para nascer. Esperaram minhas primeiras palavras e os meus primeiros passos. Esperei para crescer. Esperei o meu corpo crescer. Esperamos um grande amor e uma voz no ouvido, esperamos as agonias da paixão. Esperamos um sentido para respirar ter algum sentido além de receber ar e expelir gás carbônico.
Espero ter coragem. Esperamos crer. Esperamos a noite chegar. Espero para ler um livro. Esperamos que toque aquela música. Esperamos os risos e as lágrimas imprescindíveis.
Esperamos para falar o que não devíamos ou queríamos. Espero as possibilidades, e as impossibilidades também.
E espero para viver, para sentir, para morrer. Esperando o tempo de cada coisa. A espera, angustiante. Esperar e re-esperar. A velha quimera de ser feliz,sempre.
Esperar, como diz uma canção que ouvi por aí, contratos feitos com o tempo.
Joguemos nossos dados, façamos alguma coisa.
Fonte: www.metaphoras.com.br

Juego: El Emigrante


(clique en el título y no deje ser pego pela policía, ¡puta cabrón pentejo!)

Os Pássaros - Los Hermanos

Eu aflito e só
Confuso sem você por aqui
Assim eu sonhei
Mas isso eu não quis
Que diferença!
O dia se fez assim
Ah, um conflito, um nó
Eu difuso enfim
Os pássaros vêem
Me levar aí
Visitar o céu
E pra ver você
Levantando véu pra mim

Mas eles só me vêem
Quando eu já não sei
Se eu estou são
O que um sonho ruim?
E o que é um sonho bom?
Que diferença
A vida é igual assim
Eu não sei, eu não sei, não sei...
Se isso é você
Quem bate aí
Se é pr’eu te ver então deixa eu dormir

Simulador Divino


(clique no título e seja Deus você também)

"Argumentações" Religiosas Infalíveis

Seu coração tem um vazio do tamanho de Jesus.
Deus quis.
Um dia você vai ver que eu estava certo.
Todos precisam acreditar em alguma coisa.
Você não pode pensar assim.
No fundo você sabe que eu estou certo.
Ele diz uma asneira e logo depois a seguinte frase: “A ciência já provou isso”.
Você está sendo muito materialista.
Não importa se faz sentido ou não, você precisa entender que ele te ama.
Você diz contradição, eu digo imperfeição da lógica humana.
Que me importam seus argumentos, que me importa sua lógica, com Jesus eu sou feliz.
Aceitei Jesus e não to nem aí.
Você nunca será feliz se não abrir seu coração para Deus.

Você não acredita em Papai-Noel? Como assim?

A complicada arte de ver - Rubem Alves


Ela entrou, deitou-se no divã e disse: "Acho que estou ficando louca". Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. "Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões — é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões... Agora, tudo o que vejo me causa espanto."
Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as "Odes Elementales", de Pablo Neruda. Procurei a "Ode à Cebola" e lhe disse: "Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: 'Rosa de água com escamas de cristal'. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta... Os poetas ensinam a ver".
Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.
William Blake sabia disso e afirmou: "A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê". Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.
Adélia Prado disse: "Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra". Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.
Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem. "Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios", escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Nietzsche sabia disso e afirmou que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. O zen-budismo concorda, e toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada "satori", a abertura do "terceiro olho". Não sei se Cummings se inspirava no zen-budismo, mas o fato é que escreveu: "Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram e agora os olhos dos meus olhos se abriram".
Há um poema no Novo Testamento que relata a caminhada de dois discípulos na companhia de Jesus ressuscitado. Mas eles não o reconheciam. Reconheceram-no subitamente: ao partir do pão, "seus olhos se abriram". Vinicius de Moraes adota o mesmo mote em "Operário em Construção": "De forma que, certo dia, à mesa ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção, ao constatar assombrado que tudo naquela mesa — garrafa, prato, facão — era ele quem fazia. Ele, um humilde operário, um operário em construção".
A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas — e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam... Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo.
Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras. Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: "A mim, ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão e olha devagar para elas".
Por isso - porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver - eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana. Como o Jesus menino do poema de Caeiro. Sua missão seria partejar "olhos vagabundos"...

quinta-feira, novembro 17, 2005

Desânimo - Por Liannara Duarte


de.sâ.ni.mo sm (des+ ânimo)
1. estado de quem se mostra desanimado, desestimulado; 2. desalento, desanimação, esmorecimento

Há dias em que o coração fica pesado. Onde respirar dói como se o ar não pudesse ter mais espaço.
Você deita na cama, olha para o teto e fita a aranha que tece sua teia no canto do forro. Teia esta que será destruída quando você tiver coragem de limpar o quarto, mas que ela reconstruirá logo em seguida.
Os livros lidos pela metade em cima da mesa e debaixo da cama. A roupa suja no canto esperando por água, sabão e sol.
Há formigas no papel de bala que você esqueceu de jogar na lixeira do banheiro e as caixas de achocolatado confundem-se com os papéis que você tem obrigação de ler mas que os olhos rejeitam.
Os últimos raios de sol já foram expulsos pela noite sem Lua que há lá fora. Noites sem Lua e sem estrelas, para quê ir à janela? Já está suficientemente escuro dentro do quarto.
Com o pé liga o ventilador 40mm.
O telefone toca. Mas ele tocou o dia inteiro e você não atendeu. Não deve ser importante senão eles ligariam para o celular, aquele que você não pôs para carregar e que deixou sobre o sofá da sala.
Sente fome. Levanta e vai a geladeira. O que vai ser? Lasanha em conserva? Na dúvida um iogurte com sanduíche de queijo e presunto frios cai bem.
Foi um dia exaustivo...O sono chega e com ele a esperança de acordar e querer ver o sol novamente...

Jogo: Xiao Xiao Shooter


(clique no título e prepare-se. Agora é só atirar nos adversários e nos objetos que eles eventualmente arremessam. A barra de espaço recarrega a arma.)

O Sonho dos Ratos - Rubens Alves

Era uma vez um bando de ratos que vivia no buraco do assoalho de uma casa velha.
Havia ratos de todos os tipos: grandes e pequenos, pretos e brancos, velhos e jovens, fortes e fracos, da roça e da cidade.
Mas ninguém ligava para as diferenças, porque todos estavam irmanados em torno de um sonho comum: um queijo enorme, amarelo, cheiroso, bem pertinho dos seus narizes. Comer o queijo seria a suprema felicidade...
Bem pertinho é modo de dizer. Na verdade, o queijo estava imensamente longe, porque entre ele e os ratos estava um gato...
O gato era malvado, tinha dentes afiados e não dormia nunca. Por vezes fingia dormir. Mas bastava que um ratinho mais corajoso se aventurasse para fora do buraco para que o gato desse um pulo e, era uma vez um ratinho...
Os ratos odiavam o gato. Quanto mais o odiavam mais irmãos se sentiam. O ódio a um inimigo comum os tornava cúmplices de um mesmo desejo: queriam que o gato morresse ou sonhavam com um cachorro...
Como nada pudessem fazer, reuniram-se para conversar. Faziam discursos, denunciavam o comportamento do gato (não se sabe bem para quem), e chegaram mesmo a escrever livros com a crítica filosófica dos gatos. Diziam que um dia chegaria em que os gatos seriam abolidos e todos seriam iguais.
"Quando se estabelecer a ditadura dos ratos", diziam os camundongos, "então todos serão felizes"...
- O queijo é grande o bastante para todos, dizia um.
- Socializaremos o queijo, dizia outro.
Todos batiam palmas e cantavam as mesmas canções. Era comovente ver tanta fraternidade. Como seria bonito quando o gato morresse!
Sonhavam. Nos seus sonhos comiam o queijo. E quanto mais o comiam, mais ele crescia. Porque esta é uma das propriedades dos queijos sonhados: não diminuem: crescem sempre.
E marchavam juntos, rabos entrelaçados, gritando: " o queijo, já!"...
Sem que ninguém pudesse explicar como, o fato é que, ao acordarem, numa bela manhã, o gato tinha sumido. O queijo continuava lá, mais belo do que nunca. Bastaria dar uns poucos passos para fora do buraco.
Olharam cuidadosamente ao redor. Aquilo poderia ser um truque do gato. Mas não era. O gato havia desaparecido mesmo. Chegara o dia glorioso, e dos ratos surgiu um brado retumbante de alegria.
Todos se lançaram ao queijo, irmanados numa fome comum. E foi então que a transformação aconteceu.
Bastou a primeira mordida. Compreenderam, repentinamente, que os queijos de verdade são diferentes dos queijos sonhados.
Quando comidos, em vez de crescer, diminuem. Assim, quanto maior o número dos ratos a comer o queijo, menor o naco para cada um.
Os ratos começaram a olhar uns para os outros como se fossem inimigos. Olharam, cada um para a boca dos outros, para ver quanto o queijo haviam comido. E os olhares se enfureceram. Arreganharam os entes. Esqueceram- se do gato.
Eram seus próprios inimigos. A briga começou. Os mais fortes expulsaram os mais fracos a dentadas. E, ato contínuo, começaram a brigar entre si. Alguns ameaçaram a chamar o gato, alegando que só assim se restabeleceria a ordem.
O projeto de socialização do queijo foi aprovado nos seguintes termos: "Qualquer pedaço de queijo poderá ser tomado dos seus proprietários para ser dado aos ratos magros, desde que este pedaço tenha sido abandonado pelo dono".
Mas como rato algum jamais abandonou um queijo, os ratos magros foram condenados a ficar esperando.. Os ratinhos magros, de dentro do buraco escuro, não podiam compreender o que havia acontecido.
O mais inexplicável era a transformação que se operara no focinho dos ratos fortes, agora donos do queijo. Tinham todo o jeito do gato, o olhar malvado, os dentes à mostra.
Os ratos magros nem mais conseguiam perceber a diferença entre o gato de antes e os ratos de agora. E compreenderam, então, que não havia diferença alguma. Pois todo rato que fica dono do queijo vira gato. Não é por acidente que os nomes são tão parecidos.

A arte de Michelangelo Merisi, o Caravaggio


Entre a passagem do Clássico para o Barroco, não há vida mais instigante e atormentada do que a de Michelangelo Merisi, o Caravaggio. Em sua biografia podem ser encontrados qualificadores muito distanciados entre si: rebelde maldito e submisso, generoso e egoísta, racional ou supersticioso, humilde e orgulhoso; porém, todos os seus biógrafos são unânimes ao defini-lo como um ser apaixonado, angustiado e extremamente solitário que, após pintar aflitamente por dias, saía à rua disposto a esmurrar as pessoas que por ele passassem. E todos tinham medo daquele ruivo atarracado, forte, com olhos impressionantes como os das criaturas habitantes dos seus quadros.
Já na infância dava mostras do que iria ser como adulto: menino extremamente voluntarioso, briguento e sedento de liberdade, convenceu o pai, mestre-de-obras, de que nascera para pintar. Por isso, aos onze anos, foi matriculado na oficina do artista Simone Perterzano, em Milão. Aos 16 anos, já tendo perdido os pais, Caravaggio empreende fuga para Roma. Lá, seu olhar agudo e senso crítico inigualável não permitem que ele se integre aos colegas pintores que se dedicavam ao vulgar e ao medíocre em troca dos favores que pudessem obter dos poderosos incultos da época, submetidos ao clero fanático e mobilizador ou aos terrores do Tribunal do Santo Ofício.
Sua fama de brigão se espalhara em definitivo por Roma e, após uma série de violências contra pessoas, acabou por matar um homem durante uma luta banal; os Collona, família importante de Roma àquela época, o protegeram e enviaram-no a Nápoles onde se viu recebido triunfalmente por admiradores de sua obra, ansiosos para mantê-lo sob a custódia do mecenato reinante.
Mas, como todos os anjos, bêbados e demônios, Caravaggio era um ser livre e rebelde. Parcialmente aceitava as benesses, mas pintava o que se lhe convinha como observador do mundo. Os homens de seu tempo ouviram-no inúmeras vezes observar: pinto o que a Natureza me ensina como professor...
Por isso, talvez, tenha negado a seu pincel os excessos maneiristas ou barrocos: pintava soberanamente e em seus traços, sobretudo nas diagonais agudas que se entrechocam, louvava a vida que procurava com fúria, insubmissão e a consciência do transitório de tudo no universo.
Caravaggio é o detalhe: veias que saltam, testas que se franzem, bocas que se comprimem. E mesmo o componente feísta de que ele se serve traz uma marca que difere da dos demais barrocos. A mulher que segura o prato, à direita do quadro, estampa a dor dos que não se queixam nunca. Tem o rosto vincado de rugas fundas, os olhos baixos e o semblante comovido dos que ouvem alguma forma de consolo que lhes prometa algo para além da existência do corpo.
Morto aos 39 anos, de febre maligna ou o que quer que seja, preso algumas vezes por engano, por descuido, por própria culpa, o italiano Michelangelo Merisi deixou atrás de si o seu rastro humano e solitário. Um olhar sobre suas telas, hoje, é privilégio porque cada uma delas nos diz, sem que perguntemos: "Meu nome é Caravaggio e este é o testemunho de minha travessia humana: estive aqui."

O velho Noel está velho - Por Igor Capelatto

Tudo está insólito. Irreal. Parece que nada é verdade. Tudo fantasia. Não há realidade. Pisamos num breu de infinito. Nossos relógios não marcam mais o tempo concreto. Estamos em um ponto e num piscar de olhos, já estamos em outro, às vezes, milhas de distância. Não há mais um ponto que se liga a outro formando uma reta. Nada mais é linear.
Tudo voa. Livremente. Voa como deveria voar o trenó do senhor Nicolau junto com suas renas. Mas não. O velhinho também está fora de foco. Seu relógio também não serve para mais nada. Nem é dia 25 ainda e ele já está em alguns shoppings. Alguns estão sentados distribuindo balinhas. Outros estão fazendo compras. E eu que cresci achando que este bom velhinho juntava seus duendes ou elfos para eles mesmos fazerem os brinquedos. Balinha de morango ou hortelã não tem nada de parecido com brinquedo.
Não há mais uma realidade concisa. Se existem infinitas realidades como alguns estudiosos dizem, em alguma as coisas ainda devem acontecer como deveriam. Ou não. Porque está tudo bagunçado.
- Manhê?? O Papai Noel não vem só no Natal?
- Vem sim, filhinho.
- Mas ele já está aqui no shopping!
- São tantos lugares para ele ir, tantas criancinhas que para dar tempo, ele veio antes.
- E ele se multiplica?
- Não. Ele é um só.
- Mentirosa.
- Não me chame de mentirosa, senão vai ficar de castigo.
- Então me explica como pode ter um Papai Noel ali na poltrona e outro naquela loja ali?
Outra vez. Mal deu tempo de subir e tirar a estrela dourada de cima da árvore e quando ainda estou descendo o último degrau da velha escada, já tenho que subi-la novamente, pois já é hora de colocá-la de novo. Não deu tempo nem de pisar no chão. Estamos ficando velhos cada vez mais depressa.
- Ô paiê! O Papai Noel não envelhece?
- Ele já é velhinho, filho.
- É, mas a vovó era velhinha e ficou mais ainda e foi enrugando até morrer.
- Bem, o Papai Noel deve ser mágico. É isso. Ele é mágico. No Pólo Norte ninguém envelhece. Ninguém morre.
- Então vamos para lá.
- Mas nós não temos roupas adequadas para ir para lá.
- E aquela roupa vermelha que você usa no dia do Natal para fingir ser o Papai Noel?
O velho Noel está velho. Ultrapassado. Ninguém mais acredita nele. Ele é mentiroso. Promete brinquedos e não os dá, não responde às cartas e fica "se achando", com aquela risadinha maliciosa. O Natal já foi bom, eu já acreditei no velhinho. Ele não mentia. Quando ele não podia dar algo, ele avisava de antemão.
- O seu Noel? Eu queria um UltraMega Super PlayStation 5.0 turbo com os jogos avançados versão 30 do Final Fantasy 5000.
- Como você se chama?
- Pedro.
- Bom, Pedrinho, seu pedido foi anotado na minha super-big-extra-enorme-cumprida lista.
- Obrigadão.
- Toma uma balinha e bom Natal.
(...)
- Mas que velho mentiroso.
- Não fala assim do Papai Noel, Pedrinho, meu filho.
- Não é? Como poderei ganhar um UltraMega Super PlayStation 5.0 turbo com os jogos avançados versão 30 do Final Fantasy 5000 se nem existe um? Eu acabei de inventar isto.

quarta-feira, novembro 16, 2005

segunda-feira, novembro 14, 2005

Jogo: Arco e Flecha


(clique no título e tente acertar seu oponente. Use da força, velocidade do vento e ângulo de tiro para isso)

A aliança - Luis Fernando Verissimo

Esta é uma história exemplar, só não está muito claro qual é o exemplo. De qualquer jeito, mantenha-a longe das crianças. Também não tem nada a ver com a crise brasileira, o apartheid, a situação na América Central ou no Oriente Médio ou a grande aventura do homem sobre a Terra. Situa-se no terreno mais baixo das pequenas aflições da classe média. Enfim. Aconteceu com um amigo meu. Fictício, claro.
Ele estava voltando para casa como fazia, com fidelidade rotineira, todos os dias à mesma hora. Um homem dos seus 40 anos, naquela idade em que já sabe que nunca será o dono de um cassino em Samarkand, com diamantes nos dentes, mas ainda pode esperar algumas surpresas da vida, como ganhar na loto ou furar-lhe um pneu. Furou-lhe um pneu. Com dificuldade ele encostou o carro no meio-fio e preparou-se para a batalha contra o macaco, não um dos grandes macacos que o desafiavam no jângal dos seus sonhos de infância, mas o macaco do seu carro tamanho médio, que provavelmente não funcionaria, resignação e reticências... Conseguiu fazer o macaco funcionar, ergueu o carro, trocou o pneu e já estava fechando o porta-malas quando a sua aliança escorregou pelo dedo sujo de óleo e caiu no chão. Ele deu um passo para pegar a aliança do asfalto, mas sem querer a chutou. A aliança bateu na roda de um carro que passava e voou para um bueiro. Onde desapareceu diante dos seus olhos, nos quais ele custou a acreditar. Limpou as mãos o melhor que pôde, entrou no carro e seguiu para casa. Começou a pensar no que diria para a mulher. Imaginou a cena. Ele entrando em casa e respondendo às perguntas da mulher antes de ela fazê-las.
— Você não sabe o que me aconteceu!
— O quê?
— Uma coisa incrível.
— O quê?
— Contando ninguém acredita.
— Conta!
— Você não nota nada de diferente em mim? Não está faltando nada?
— Não.
— Olhe.
E ele mostraria o dedo da aliança, sem a aliança.
— O que aconteceu?
E ele contaria. Tudo, exatamente como acontecera. O macaco. O óleo. A aliança no asfalto. O chute involuntário. E a aliança voando para o bueiro e desaparecendo.
— Que coisa - diria a mulher, calmamente.
— Não é difícil de acreditar?
— Não. É perfeitamente possível.
— Pois é. Eu...
— SEU CRETINO!
— Meu bem...
— Está me achando com cara de boba? De palhaça? Eu sei o que aconteceu com essa aliança. Você tirou do dedo para namorar. É ou não é? Para fazer um programa. Chega em casa a esta hora e ainda tem a cara-de-pau de inventar uma história em que só um imbecil acreditaria.
— Mas, meu bem...
— Eu sei onde está essa aliança. Perdida no tapete felpudo de algum motel. Dentro do ralo de alguma banheira redonda. Seu sem-vergonha!
E ela sairia de casa, com as crianças, sem querer ouvir explicações. Ele chegou em casa sem dizer nada. Por que o atraso? Muito trânsito. Por que essa cara? Nada, nada. E, finalmente:
— Que fim levou a sua aliança? E ele disse:
— Tirei para namorar. Para fazer um programa. E perdi no motel. Pronto. Não tenho desculpas. Se você quiser encerrar nosso casamento agora, eu compreenderei.
Ela fez cara de choro. Depois correu para o quarto e bateu com a porta. Dez minutos depois reapareceu. Disse que aquilo significava uma crise no casamento deles, mas que eles, com bom-senso, a venceriam.
— O mais importante é que você não mentiu pra mim.
E foi tratar do jantar.

sábado, novembro 12, 2005

Animação: Fly Guy


(clique no título e alce vôo com em um sonho. Conheça os objetos e ouça a música)

Dica: Convidada

sexta-feira, novembro 11, 2005

Seja um idiota - Arnaldo Jabor

A idiotice é vital para a felicidade
Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre. Putz!A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado?Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes,separações, dores e afins. No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota!
Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você. Ignore o que oboçal do seu chefe disse. Pense assim: quem tem que carregar aquela carafeia, todos os dias, inseparavelmente, é ele. Pobre dele.
Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor, dinheiro, sexo,sincronia, mas pela ausência de idiotice. Trate seu amor como seu melhoramigo, e pronto. Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que temconselho pra tudo, soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça?hahahahahahahahaha!...
Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia decomo preencher as horas livres de um fim de semana? Quanto tempo faz quevocê não vai ao cinema?
É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí, oque elas farão se já não têm por que se desesperar? Desaprenderam abrincar. Eu não quero alguém assim comigo. Você quer? Espero que não.
Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas... a realidade já é dura; piorase for densa. Dura, densa, e bem ruim. Brincar é legal. Entendeu? Esqueça oque te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, nãofalar besteira, não ser imaturo, não chorar, não andar descalço, não tomarchuva. Pule corda!
Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lambera tampa do iogurte. Ser adulto não é perder os prazeres da vida - e esse éo único "não" realmente aceitável. Teste a teoria. Uma semaninha, paracomeçar. Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que realmente são:passageiras.
Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitirisso adiante ou sorrir... Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso naboca e paz no coração!

A pessoa errada - Luis Fernando Veríssimo

Pensando bem em tudo o que a gente vê, vivencia, ouve e pensa,
não existe uma pessoa certa pra gente.
Existe uma pessoa que, se você for parar pra pensar é, na verdade, a pessoa errada.
Porque a pessoa certa faz tudo certinho
Chega na hora certa,
Fala as coisas certas,
Faz as coisas certas,
Mas nem sempre a gente tá precisando das coisas certas.
Aí é a hora de procurar a pessoa errada.
A pessoa errada te faz perder a cabeça
Fazer loucuras
Perder a hora
Morrer de amor
A pessoa errada vai ficar um dia sem te procurar
Que é pra na hora que vocês se encontrarem
A entrega ser muito mais verdadeira
A pessoa errada, é na verdade, aquilo que a gente chama de pessoa certa
Essa pessoa vai te fazer chorar
Mas uma hora depois vai estar enxugando suas lágrimas
Essa pessoa vai tirar seu sono
Mas vai te dar em troca uma noite de amor inesquecível
Essa pessoa talvez te magoe
E depois te enche de mimos pedindo seu perdão
Essa pessoa pode não estar 100% do tempo ao seu lado
Mas vai estar 100% da vida dela esperando você
Vai estar o tempo todo pensando em você.
A pessoa errada tem que aparecer pra todo mundo
Porque a vida não é certa
Nada aqui é certo
O que é certo mesmo, é que temos que viver cada momento, cada segundo
Amando, sorrindo, chorando, emocionando, pensando, agindo, querendo,conseguindo
E só assim é possível chegar àquele momento do dia
Em que a gente diz: "Graças à Deus deu tudo certo"
Quando na verdade
Tudo o que Ele quer
É que a gente encontre a pessoa errada
Pra que as coisas comecem a realmente funcionar direito pra gente....

Ocupe seu tempo ocioso, nem que seja em um Blog

















"A abelha atarefada não tem tempo para a tristeza" - Willian Blake

Jogo: Cobrança de faltas


(clique no título e faça o português cobrar faltas com precisão)

Ao redor de todo grande buraco há sempre beira

10 razões para você odiar o fim do ano - Por Guto Dias

Há mais motivos para se lamentar o término de um ano do que os especiais do Faustão e o show do Robertão. Por mais que você tente se convencer de que é tempo de paz, a época de festas, com o Natal e o Reveillon juntos, é um porre. Aqui vão 10 razões para você acreditar nisso.

1. Presentes: Você nunca recebe o que pediu. A maioria dos presentes não presta ou não serve. Se lhe dão sapatos, eles são 2 números abaixo do seu. E a sua tia acha que você ficará um charme com a camisa havaiana com estampas de coqueiros que comprou. Em compensação, você ganha um estoque de meias para uma década. Todas de cor bege com bolinhas vermelhas.
2. Programação de TV: Além dos especiais acima citados, os canais são invadidos por filmes natalinos. Você vê a 385ª reprise de “O milagre da rua 34”. Sem falar na overdose de filmes que se passam na Roma antiga. A quantidade de marmanjos usando saias e sandálias só é superada por festas gays à fantasia.
3. Hipocrisia: Todo mundo lhe deseja feliz natal e um próspero ano novo. Do zelador que te xinga pelas costas ao teu patrão. Que, por sinal, vai te despedir assim que você voltar ao escritório.
4. Bonificações: Todo mundo aparece para te pedir o “bônus de natal”. O cara que limpa o bueiro, o carteiro, o lixeiro que adora deixar metade do lixo espalhado na frente da sua casa (fora do saco, claro) e até um guarda noturno que você nunca viu na vida.
5. Retrospectivas: Tudo aquilo que você tentou esquecer durante o ano é lembrado por jornais e telejornais. Crises, guerras, assassinatos, etc. Você assiste e lê tudo e depois não consegue dormir na noite da virada, com medo do fim do mundo.
6. Trilha sonora: Em todos os lugares, nas lojas e supermercados, você só ouve “Jingle Bells” tocada por harpas paraguaias. Ou “Bate o sino” entoada por um coral de crianças desafinadas. Pior: Simone arrepiando em uma cover de John Lennon : “ Então é natááál...um tempo féééééélishhhhhh!”
7. Visitas familiares: Por mais legal que seja a sua família, tem sempre algum parente pentelho. E ele vai te visitar. Se não são aqueles seus priminhos pestinhas que adoram quebrar seus vasos, são aqueles tios distantes que aparecem para tomar um café. E acabam jantando.
8. Repetições: Tem filme da Xuxa, 13º curto e matérias televisivas mostrando como o reveillon é comemorado em capa parte do ano - incluindo um repórter dizendo que “No Japão, o ano novo já começou!”. Tudo igual, inclusive o seu tédio diante de tudo isso.
9. Porre: Tem sempre alguém que exagera nas festas. Se não é você que fica bêbado e dá vexame, é um convidado que se encarrega de beber tudo e mais um pouco para depois vomitar a ceia inteira. E em cima do seu sofá novo.
10. Ano novo: Quando chega janeiro você pensa : “Ufa. Enfim acabou tudo”. Que nada. É a hora em que a conta do seu cartão chega...

quinta-feira, novembro 10, 2005

Fiz tudo que quis fazer. Tudo. Pena para você ter me perdido

"Era um sonho de Cinderella, conto de fadas, foi bom, valeu pela tentativa, tudo é sempre uma boa experiência no final.
A doação é arriscada, extremamente arriscada, você sempre perde um pedaço de si, sempre, mas depois se recompõe com a fortaleza triplicada, é estranho, é como doar sangue, nunca faz mal, só se renova. Ruim é doar e sempre ser pouco, nunca ter mais de verdade e quando parece que aquele pedaço doado apodrece, era pequeno demais, pouco demais, na hora se pensa que era melhor nem ter doado, era melhor deixar apodrecer à doar, mas a lição não é para o beneficiado, é para o doador.
Não existe crescimento sem dor, crescer doe em tudo, dentro e fora, de cima a baixo, mas é um prazer quase masoquista. É bom escrever nos outros, é uma forma de não deixar que escrevam em você. Suas cicatrizes são suas, doações voluntárias, suas, não interessa a ninguém nem aquém"
Ana de Guadalupe

O que tiver de ser meu deixo ir... Se voltar, é porque tinha que ser mesmo meu. Que grande oportunidade de ser feliz você perdeu...

Coração em Chamas - Eduardo Suplicy

"Meu coração em chamas clama por você
Lembrar do seu rosto me faz entender
Jamais pensei em ter alguém como você
Jamais pensei que um dia pudesse esquecer
E eu não estava pronto para amar (mas você não consegue entender)
E eu não estava pronto pro amor (mas você não consegue entender)
Pro amor
Pra amar
Que tipo de jogo é esse? Eu queria saber
Mistura tristeza e alegria e ainda nos dá prazer
Que tipo de jogo é esse onde amar é sofrer?
Que tipo de jogo é esse de te pertencer?
Meu coração em chamas clama por você
Lembrar do seu rosto me faz entender
Jamais pensei que um dia ficaria assim
Penso em você muito mais do que em mim
Ninguém foi e nem será como você"


Mas você não conseguiu entender...

quarta-feira, novembro 09, 2005

Luto: O Longo e Doloroso Processo de Adeus

Destruído com um buraco na alma...























"Aquilo a que chamamos o nosso desespero é frequentemente a dolorosa avidez de uma esperança insatisfeita" - George Eliot

"O que mais desespera, não é o impossível, mas o possível não alcançado" - Robert Mallet

terça-feira, novembro 08, 2005

Alea Jacta est








... que a sorte seja lançada ...

segunda-feira, novembro 07, 2005

À amiga verdadeira de costas nuas

"A duração da amizade depende da renúncia do auxílio mútuo"
Emanuel Wertheimer

Obrigado por essa verdadeira e sincera amizade. Espero que um dia eu possa retribuir o conforto e a ajuda que você está me oferecendo.

Juliusz Slowacki

A tristeza é um livro sábio que se tem no coração e que nos diz centenas de coisas - impede-nos de apodrecer como um cogumelo debaixo de uma árvore; pouco a pouco vai fabricando uma provisão de ensinamentos para a vida

Pura tristeza



Coqueiros - Geraldo Azevedo

Por entre as palmas desse lugar
Por coqueiros de beira mar
Beira os olhos do meu amor
Buscando os meus, vento a soprar
Quero as águas verdes
E quero enfim
Ser maior do que esse mar
Que avança sobre mim
Sobre a areia quero amar
Mas vou te dizer amor, mulher
Na paisagem do teu corpo
Vou deixar meu sorriso
Entre cirandas e cirandar
A cidade Recife, o sal
Do mar que derramei, chorei
Quando deixei tudo por lá
Entre pedras, ruas
Só, meu amor
Entre a gente que falava de mim
Que parti
E hoje aqui quis me lembrar
Vendo as praias tão sem cor, enfim
Sem as palmas dos coqueiros
Meu amor, eu me lembro

sexta-feira, novembro 04, 2005

Acabou: 03.02.2005 - 01.11.2005. Cadê o chão?

Angústia da Espera


"O indivíduo, na sua angústia de não ser culpado mas de passar por sê-lo, torna-se culpado" - Kierkegaard

quinta-feira, novembro 03, 2005

Jogo: TGFC


(clique no título e dirija um Over-Craft por terrenos tortuosos)

...Vazio, agudo, ando meio cheio de tudo...

A Racionalidade Irracional - José Saramago

Eu digo muitas vezes que o instinto serve melhor os animais do que a razão a nossa espécie. E o instinto serve melhor os animais porque é conservador, defende a vida. Se um animal come outro, come-o porque tem de comer, porque tem de viver; mas quando assistimos a cenas de lutas terríveis entre animais, o leão que persegue a gazela e que a morde e que a mata e que a devora, parece que o nosso coração sensível dirá "que coisa tão cruel". Não: quem se comporta com crueldade é o homem, não é o animal, aquilo não é crueldade; o animal não tortura, é o homem que tortura. Então o que eu critico é o comportamento do ser humano, um ser dotado de razão, razão disciplinadora, organizadora, mantenedora da vida, que deveria sê-lo e que não o é; o que eu critico é a facilidade com que o ser humano se corrompe, com que se torna maligno.
Aquela ideia que temos da esperança nas crianças, nos meninos e nas meninas pequenas, a ideia de que são seres aparentemente maravilhosos, de olhares puros, relativamente a essa ideia eu digo: pois sim, é tudo muito bonito, são de facto muito simpáticos, são adoráveis, mas deixemos que cresçam para sabermos quem realmente são. E quando crescem, sabemos que infelizmente muitas dessas inocentes crianças vão modificar-se. E por culpa de quê? É a sociedade a única responsável? Há questões de ordem hereditária? O que é que se passa dentro da cabeça das pessoas para serem uma coisa e passarem a ser outra? Uma sociedade que instituiu, como valores a perseguir, esses que nós sabemos, o lucro, o êxito, o triunfo sobre o outro e todas estas coisas, essa sociedade coloca as pessoas numa situação em que acabam por pensar (se é que o dizem e não se limitam a agir) que todos os meios são bons para se alcançar aquilo que se quer. Falámos muito ao longo destes últimos anos (e felizmente continuamos a falar) dos direitos humanos; simplesmente deixámos de falar de uma coisa muito simples, que são os deveres humanos, que são sempre deveres em relação aos outros, sobretudo. E é essa indiferença em relação ao outro, essa espécie de desprezo do outro, que eu me pergunto se tem algum sentido numa situação ou no quadro de existência de uma espécie que se diz racional. Isso, de facto, não posso entender, é uma das minhas grandes angústias.

Um passo a frente e já não estamos no mesmo lugar...

terça-feira, novembro 01, 2005

Cotidiano


"É apenas isto: se você vai ser humano, tem um monte de coisas no pacote. Olhos, um coração, dias e vida. Mas são os momentos que iluminam tudo. O tempo quevocê não nota que está passando... é isso que faz o resto valer".
Lar dos Perpétuos

Per te che non capisce lo che scrivo

Sai! Se i baci fossero parole allora vieni qui che ti faccio un bel discorso