quinta-feira, outubro 06, 2005

Fora do Amigo - por Rodrigo Rangel e Thadeu Braga. JORNAL O POVO, Buchicho - Clube do Bolinha de 06 de outubro de 2005


Quem nunca de nós, Bolinhas, foi a um show e levou tantos foras que perdeu a conta? Muitas vezes nem ligamos, porque no final sempre temos boas histórias para contar. Mas nada pior do que levar um “fora do amigo”. Esse fora fica marcado e muitas vezes a amizade acaba por ali. Quem nunca ouviu uma gatinha dizer: “ah... eu também gosto de você, só que de um jeito diferente: como amigo”, “eu não consigo te ver de outra forma, só como amigo”, ou “se a gente ficasse, ia estragar nossa amizade”. Mas o que fazer para evitar esse constrangimento?
O negócio é sério. Essas situações são chatas e embaraçosas. Porém, não são apenas os Bolinhas que são culpados disso. Muitas vezes as meninas nos provocam e fazem acreditar que elas também estão envolvidas, e quando vamos ver, quebramos a cara. O “fora do amigo” é a arma predileta das Luluzinhas na hora de nos dispensar. Mas a gente tem que entender, né? Quando elas fazem isso, é sinal que não querem ser grosseiras. E acredite, por pior que seja ouvir um “desculpa, mas você é só meu amigo”, é melhor do que ouvir a verdade nua e crua. Ou você ficaria mais feliz em ouvir um belo “Sai daqui menino véi!”?
O correto seria deixar claro nossa intenção logo no início. Ou, no outro caso, quando notarmos que algo pode estar rolando, jogar as cartas na mesa e demonstrar nossos sentimentos. Ninguém gosta de levar o “fora do amigo”. Lógico! Aliás, ninguém gosta de levar fora algum. Então não vamos pegar tanto no pé das Luluzinhas por conta disso. No fundo elas não querem nos magoar. Não custa nada tentar entendê-las de vez em quando. Portanto, para quem levou o “fora do amigo”, o melhor é seguir para a próxima. Ficar parado é que não resolve nada.

(clique no título e leia do original a reportagem e sua continuação. Mais uma matéria do Rochedão!)

quarta-feira, outubro 05, 2005

Dia de Merda - Luis Fernando Veríssimo (história verídica)

Senti um pequeno mal estar causado por uma cólica intestinal, mas nada que uma urinada ou uma barrigada não aliviasse. Mas, atrasado para chegar ao ônibus que me levaria para o Galeão, de onde partiria o vôo para Miami, resolvi segurar as pontas. Afinal de contas são só uns 15 minutos de busão. "Chegando lá, tenho tempo de sobra para dar aquela mijadinha esperta, tranqüilo." O avião só sairia as 16:30. Entrando no ônibus, sem sanitários. Senti a primeira contração e tomeiconsciência de que minha gravidez fecal chegara ao nono mês e que faria um parto de cócoras assim que entrasse no banheiro do aeroporto. Virei para o meu amigo que me acompanhava e, sutil, falei: -
- "Cara, mal posso esperar para chegar na merda do aeroporto porque preciso largar um barro." Nesse momento, senti um urubu beliscando minha cueca, mas botei a força de vontade para trabalhar e segurei a onda. O ônibus nem tinha começado a andar quando, para meu desespero, uma voz disse pelo alto falante: "Senhoras e senhores, nossa viagem entre os dois aeroportos levara em torno de 1 hora, devido a obras na pista."Ai o urubu ficou maluco querendo sair a qualquer custo. Fiz um esforço hercúleo para segurar o trem merda que estava para chegar na estação anus a qualquer momento. Suava em bicas. Meu amigo percebeu e, como bom amigo que era, aproveitou para tirar um sarro. O alivio provisório veio em forma de bolhas estomacais, indicando que pelo menos por enquanto as coisas tinham se acomodado. Tentava me distrair vendo TV mas só conseguia pensar em um banheiro, nãocom uma privada, mas com um vaso sanitário tão branco e tão limpo que alguém poderia botar seu almoço nele. E o papel higiênico então: branco e macio, com textura e perfume e, ops, senti um volume almofadado entre meu traseiro e o assento do ônibus e percebi, consternado, que havia cagado. Um coco sólido e comprido daqueles que dão orgulho de pai ao seu autor. Daqueles que da vontade de ligar pros amigos e parentes e convida-los a apreciar na privada. Tão perfeita obra, dava prá expor em uma bienal. Mas sem duvida, a situação tava tensa. Olhei para o meu amigo, procurando um pouco de solidariedade, e confessei serio:
- "Cara, caguei." Quando meu amigo parou de rir, uns cinco minutos depois, aconselhou-me a relaxar, pois agora estava tudo sob controle. "Que se dane, me limpo no aeroporto." - pensei. "Pior que isso não fico." Mal o ônibus entrou em movimento, a cólica recomeçou forte. Arregalei os olhos, segurei-me na cadeira mas não pude evitar, e sem muita cerimonia ou anunciação, veio a segunda leva de merda. Desta vez, como uma pasta morna. Foi merda para tudo que e lado, borrando, esquentando e melando a bunda, cueca, barra da camisa, pernas, panturrilha, calcas, meias e pés. E mais uma cólica anunciando mais merda, agora liquida, das que queimam o fiofo do freguês ao sair rumo a liberdade. E depois um peido tipo bufa, que eu nem tentei segurar, afinal de contas o que era um peidinho para quem já estava todo cagado. Já o peido seguinte, foi do tipo que pesa. E me caguei pela quarta vez.
Lembrei de um amigo que certa vez estava com tanta caganeira que resolveu botar modess na cueca, mas colocou as linhas adesivas viradas para cima e quando foi tira-lo levou metade dos pelos do rabo junto. Mas era tarde demais para tal artificio absorvente. Tinha menstruado tanta merda que nem uma bomba de cisterna poderia me ajudar a limpar a sujeirada.Finalmente cheguei ao aeroporto e saindo apressado com passos curtinhos, supliquei ao meu amigo que apanhasse minha mala no bagageiro do ônibus e a levasse ao sanitário do aeroporto para que eu pudesse trocar de roupas. Corri ao banheiro e entrando de boxe em boxe, constatei a falta de papel higiênico em todos os cinco. Olhei para cima e blasfemei: "Agora chega, Ne?" Entrei no ultimo, sem papel mesmo, e tirei a roupa toda para analisar minha situação (que conclui como sendo o fundo do poço) e esperar pela minha salvação, com roupas limpinhas e cheirosinhas e com ela uma lufada de dignidade no meu dia. Meu amigo entrou no banheiro com pressa, tinha feito o "check-in" e ia correndo tentar segurar o vôo. Jogou por cima do boxe o cartão de embarque e uma maleta de mão e saiu antes de qualquer protesto de minha parte. Ele tinha despachado a mala com roupas. Na mala de mão só tinha um pulôver de gola "V". A temperatura em Miami era de aproximadamente 35 graus. Desesperado comecei a analisar quais de minhas roupas seriam, de algum modo,aproveitáveis. Minha cueca, joguei no lixo. A camisa era historia. As calcas estavam deploráveis e assim como minhas meias, mudaram de cor tingidas pela merda. Meus sapatos estavam nota 3, numa escala de 1 a 10. Teria que improvisar.A invenção e mãe da necessidade, então transformei uma simples privada em uma magnífica maquina de lavar. Virei a calca do lado avesso, segurei-a pela barra, e mergulhei a parte atingida na água.
Comecei a dar descarga ate que o grosso da merda se desprendeu. Estava pronto para embarcar. Sai do banheiro e atravessei o aeroporto em direção ao portão de embarque trajando sapatos sem meias, as calcas do lado avesso e molhadas da cintura ao joelho (não exatamente limpas) e o pulôver gola "V", sem camisa. mas caminhava com a dignidade de um lorde. Embarquei no avião, onde todos os passageiros estavam esperando o "RAPAZ QUE ESTAVA NO BANHEIRO" e atravessei todo o corredor ate o meu assento, ao lado do meu amigo que sorria. A aeromoça aproximou-se e perguntou se precisava de algo. Eu cheguei a pensar em pedir 120 toalhinhas perfumadas para disfarçar o cheiro de fossa transbordante e uma gilete para cortar os pulsos, mas decidi não pedir:
"Nada, obrigado. Eu só queria esquecer este dia de merda!!!"

Dia de Merda - Luis Fernando Veríssimo

Senti um pequeno mal estar causado por uma cólica intestinal, mas nada que uma urinada ou uma barrigada não aliviasse. Mas, atrasado para chegar ao ônibus que me levaria para o Galeão, de onde partiria o vôo para Miami, resolvi segurar as pontas. Afinal de contas são só uns 15 minutos de busão. "Chegando lá, tenho tempo de sobra para dar aquela mijadinha esperta, tranqüilo." O avião só sairia as 16:30. Entrando no ônibus, sem sanitários. Senti a primeira contração e tomeiconsciência de que minha gravidez fecal chegara ao nono mês e que faria um parto de cócoras assim que entrasse no banheiro do aeroporto. Virei para o meu amigo que me acompanhava e, sutil, falei: -
- "Cara, mal posso esperar para chegar na merda do aeroporto porque preciso largar um barro." Nesse momento, senti um urubu beliscando minha cueca, mas botei a força de vontade para trabalhar e segurei a onda. O ônibus nem tinha começado a andar quando, para meu desespero, uma voz disse pelo alto falante: "Senhoras e senhores, nossa viagem entre os dois aeroportos levara em torno de 1 hora, devido a obras na pista."Ai o urubu ficou maluco querendo sair a qualquer custo. Fiz um esforço hercúleo para segurar o trem merda que estava para chegar na estação anus a qualquer momento. Suava em bicas. Meu amigo percebeu e, como bom amigo que era, aproveitou para tirar um sarro. O alivio provisório veio em forma de bolhas estomacais, indicando que pelo menos por enquanto as coisas tinham se acomodado. Tentava me distrair vendo TV mas só conseguia pensar em um banheiro, nãocom uma privada, mas com um vaso sanitário tão branco e tão limpo que alguém poderia botar seu almoço nele. E o papel higiênico então: branco e macio, com textura e perfume e, ops, senti um volume almofadado entre meu traseiro e o assento do ônibus e percebi, consternado, que havia cagado. Um coco sólido e comprido daqueles que dão orgulho de pai ao seu autor. Daqueles que da vontade de ligar pros amigos e parentes e convida-los a apreciar na privada. Tão perfeita obra, dava prá expor em uma bienal. Mas sem duvida, a situação tava tensa. Olhei para o meu amigo, procurando um pouco de solidariedade, e confessei serio:
- "Cara, caguei." Quando meu amigo parou de rir, uns cinco minutos depois, aconselhou-me a relaxar, pois agora estava tudo sob controle. "Que se dane, me limpo no aeroporto." - pensei. "Pior que isso não fico." Mal o ônibus entrou em movimento, a cólica recomeçou forte. Arregalei os olhos, segurei-me na cadeira mas não pude evitar, e sem muita cerimonia ou anunciação, veio a segunda leva de merda. Desta vez, como uma pasta morna. Foi merda para tudo que e lado, borrando, esquentando e melando a bunda, cueca, barra da camisa, pernas, panturrilha, calcas, meias e pés. E mais uma cólica anunciando mais merda, agora liquida, das que queimam o fiofo do freguês ao sair rumo a liberdade. E depois um peido tipo bufa, que eu nem tentei segurar, afinal de contas o que era um peidinho para quem já estava todo cagado. Já o peido seguinte, foi do tipo que pesa. E me caguei pela quarta vez.
Lembrei de um amigo que certa vez estava com tanta caganeira que resolveu botar modess na cueca, mas colocou as linhas adesivas viradas para cima e quando foi tira-lo levou metade dos pelos do rabo junto. Mas era tarde demais para tal artificio absorvente. Tinha menstruado tanta merda que nem uma bomba de cisterna poderia me ajudar a limpar a sujeirada.Finalmente cheguei ao aeroporto e saindo apressado com passos curtinhos, supliquei ao meu amigo que apanhasse minha mala no bagageiro do ônibus e a levasse ao sanitário do aeroporto para que eu pudesse trocar de roupas. Corri ao banheiro e entrando de boxe em boxe, constatei a falta de papel higiênico em todos os cinco. Olhei para cima e blasfemei: "Agora chega, Ne?" Entrei no ultimo, sem papel mesmo, e tirei a roupa toda para analisar minha situação (que conclui como sendo o fundo do poço) e esperar pela minha salvação, com roupas limpinhas e cheirosinhas e com ela uma lufada de dignidade no meu dia. Meu amigo entrou no banheiro com pressa, tinha feito o "check-in" e ia correndo tentar segurar o vôo. Jogou por cima do boxe o cartão de embarque e uma maleta de mão e saiu antes de qualquer protesto de minha parte. Ele tinha despachado a mala com roupas. Na mala de mão só tinha um pulôver de gola "V". A temperatura em Miami era de aproximadamente 35 graus. Desesperado comecei a analisar quais de minhas roupas seriam, de algum modo,aproveitáveis. Minha cueca, joguei no lixo. A camisa era historia. As calcas estavam deploráveis e assim como minhas meias, mudaram de cor tingidas pela merda. Meus sapatos estavam nota 3, numa escala de 1 a 10. Teria que improvisar.A invenção e mãe da necessidade, então transformei uma simples privada em uma magnífica maquina de lavar. Virei a calca do lado avesso, segurei-a pela barra, e mergulhei a parte atingida na água.
Comecei a dar descarga ate que o grosso da merda se desprendeu. Estava pronto para embarcar. Sai do banheiro e atravessei o aeroporto em direção ao portão de embarque trajando sapatos sem meias, as calcas do lado avesso e molhadas da cintura ao joelho (não exatamente limpas) e o pulôver gola "V", sem camisa. mas caminhava com a dignidade de um lorde. Embarquei no avião, onde todos os passageiros estavam esperando o "RAPAZ QUE ESTAVA NO BANHEIRO" e atravessei todo o corredor ate o meu assento, ao lado do meu amigo que sorria. A aeromoça aproximou-se e perguntou se precisava de algo. Eu cheguei a pensar em pedir 120 toalhinhas perfumadas para disfarçar o cheiro de fossa transbordante e uma gilete para cortar os pulsos, mas decidi não pedir:
"Nada, obrigado. Eu só queria esquecer este dia de merda!!!"

Lo que me alimenta, me mata

terça-feira, outubro 04, 2005

Para quem gosta de adivinhação e quebra-cabeça

Incrível!! Um dos melhores links de quebra-cabeça da internet. Você simplesmente acorda em um quarto, não sabe o por quê e como foi parar lá. Seu objetivo: tentar sair dos quartos. Procure em todos os cantos, debaixo da mesa, em cima da cama, atrás do sofá... E faça de tudo para sair. Clique no link e conheça o jogo. São níveis diferente de dificuldade.

http://www.portalchapeco.com.br/~jackson/sala.htm Quarto Azul
http://www.portalchapeco.com.br/~jackson/crimson.htm Quarto Vermelho
http://www.fasco-csc.com/works/viridian/index_e.php Quarto Verde (continuação do quarto vermelho... é o melhor!)
http://www.crazymania.com.br/jogos/escape_the_room.htm Quarto Amarela
http://jogos.hex.com.br/jogo/linsail-mystery/ Quarto Cinza
http://jogos.hex.com.br/jogo/the-pink-room/ Quarto Rosa
http://jogos.hex.com.br/jogo/the-dark-room/ Quarto Preto
http://jogos.hex.com.br/jogo/the-hiding-room/ Quarto Marrom

Fonte: Nerd friend

Popium, o velho Popium - Por: Silvia Curiati

O velho Popium era conhecido por este nome nas redondezas devido à sua semelhança com Mary Poppins, a babá mais completa da história do cinema. Não que ele fosse esbelto, usasse chapéu e maleta, ou nutrisse uma paixão por um limpador de chaminés. Seu encanto estava em suas rugas profundas e longas, que guardavam segredos de todos os que cruzavam o seu caminho.Bastava que uma senhorita passasse ao seu lado com um olhar blasé para que ele colhesse do ar seu suspiro e o guardasse em uma de suas rugas, traduzindo seu sentimento e o definindo em um objeto qualquer. Poderia ser um pequeno broche, neste caso. Enrolado num lencinho com suas iniciais bordadas em azul-calcinha. Já que se tratava de amor, o segredo da donzela deveria ser traduzido em algo delicado, um tanto ridículo e talvez que machucasse um pouquinho. Transformava o sentimento em questão rapidamente em objeto e o escondia nas profundezas de sua pele.Sempre havia espaço para mais. Um estilingue, era o segredo daquele homem de negócios que só dava pedrada em seus funcionários para esconder sua tremenda insegurança. Um batom cor-de-rosa, era o daquele rapaz que não assumia sua homossexualidade. O da vizinha sadomasoquista era um alfinete. Uma gaiola, o do menino que fazia experiências químicas com os hamsters que sua irmã mais nova criava.Popium carregava o peso do mundo em sua pele. Lamentava saber de tantos segredos e não poder fazer nada, porque quando saem da alma de seus donos, já não têm o mesmo valor. Por isso mesmo poderiam ser convertidos em meros objetos inanimados.Resolveu um dia parar numa casa de penhor e deixar os segredos lá, como garantia pela dívida que havia contraído há anos quando começou a fazer sua coleção de álbuns e todo o tipo de material dos Beatles (incluindo canções raras, jamais escutadas por outros ouvidos) e de palitos-helicóptero dos Piracópteros que havia comprado, convencido de que conseguiria voar se arrumasse um jeito de juntá-los e motorizá-los. Era enfim um Day Tripper.Os segredos sumiram. Foram vendidos a preço de banana e espalhados pelo mundo. Certamente os seus donos demoraram a acostumar-se com a idéia de que não havia mais o que esconder, mas acabaram vivendo melhor depois disso.E Popium foi pro céu, com Lennon e Harrison, seus favoritos. Leve como uma pluma, sem nenhuma mágoa, nenhum vício, nenhum amor não-correspondido, nenhuma briga nem mentira em suas 1497 rugas.

Lutando contra moinhos de vento...

sexta-feira, setembro 30, 2005

Mertiolate ou Mercúrio Cromo? Qual pega mais fogo? - por Phelippe Neto

Eu tenho muitos traumas de infância, mas com certeza, a pior coisa era quando eu me machucava e tinha que mostrar o estrago para a minha mãe passar Mertiolate ou Mercúrio Cromo.Eu sei que o machucado podia infeccionar, mas eu não queria passar por aquilo. Era horrível demais. Minha mãe vinha com aqueles frascos, com toda a sua delicadeza, mas como ardia! Parecia que era água com limão e álcool!Lembro-me como se fosse hoje: eu sentado no chão e minha mãe chegando com a redinha, que mais se parecia com aqueles matadores de pernilongo, e eu já me perguntava: “por que eu fui me machucar?!?” Por mais que assoprasse, era inútil... Aquilo latejava no meu machucado de uma maneira que dava pra sentir os meus batimentos cardíacos. E pra completar, o pior eram as manchas de tinta vermelha no corpo, que demorava dias pra sair. Conforme eu tomava alguns banhos, a coisa toda ia descolorindo até chegar a uma cor quase rosa. Mas se ainda não tivesse cicatrizado direito, era só dar mais uma mão de tinta e beleza! Tava lá, na cor original!Depois de quase cinqüenta anos, o remédio foi vetado no mercado em 2001 pelo Ministério da Saúde, alegando que suas substâncias eram prejudiciais à saúde, e que a melhor saída sempre é lavar a ferida com água e sabão. Juro que eu sempre falava isso pra minha mãe, mas ela nunca acreditou.

quinta-feira, setembro 29, 2005

Amigos - por Fernando Pessoa

Um dia a maioria de nós irá se separar....Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, as descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que compartilhamos.Saudades até dos momentos de lágrima, da angústia, das vésperas definais de semana, de finais de ano, enfim... do companheirismo vivido.Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre.Hoje não tenho mais tanta certeza disso.Em breve cada um vai pra seu lado, seja pelo destino, ou por algum desentendimento, segue a sua vida, talvez continuemos a nos encontrar quem sabe... nos e-mails trocados.Podemos nos telefonar conversar algumas bobagens....Aí os dias vão passar, meses... anos... até este contato tornar-secada vez mais raro.Vamos nos perder no tempo...Um dia nossos filhos verão aquelas fotografias e perguntarão? Quem sãoaquelas pessoas?
Diremos... Que eram nossos amigos.E... isso vai doer tanto!Foram meus amigos, foi com eles que vivi os melhores anos de minhavida!A saudade vai apertar bem dentro do peito.Vai dar uma vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente...Quando o nosso grupo estiver incompleto.... nos reuniremos para um ultimo adeus de um amigo.E entre lágrimas nos abraçaremos.Faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante.Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vidinha isolada do passado.E nos perderemos no tempo...Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo : não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades seja a causa de grandes tempestades...Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!





















Destino

Clube do Bolinha: Os homens não são tão insensíveis - por Rodrigo Rangel e Thadeu Braga


É comum ouvir das mulheres que homem não presta, vocês são todos iguais, todo homem é cachorro. Frases que dão a idéia de que os homens são seres brutos e sem qualquer indício de sensibilidade. Segundo elas, nós, homens, não abrimos a porta do carro, não entregamos flores, não discutimos a relação e não fazemos uma infinidade de coisas sensíveis. Mas será que todos os homens são assim mesmo? Claro que existem aqueles que "queimam" nosso filme e por causa destes somos mal vistos pelas Luluzinhas. Os homens estão dispostos a mudar isso. Para isso é preciso demonstrar seus profundos sentimentos pela mulher amada, sem se importar com que os outros vão pensar. Essa nossa fama de mau não pode ser generalizada. Na política as coisas não andam lá muito bem, mas não é por isso que os deputados ou senadores são todos corruptos. Acreditem! Existe sensibilidade em muitos de nós. Já cansei de conversar com muitos colegas arrasados por conta de amor não correspondido, traições, brigas, etc. Sim, os homens também choram – mais do que qualquer pessoa possa imaginar. Essa história de homem ser bruto e grosso é pura generalização. Mulher é mais durona. Qualquer coisa eu choro. Esse negócio que homem não pode chorar é puro machismo, confessa Henio Dias. Se pensarmos bem, as mulheres também poderiam ser taxadas de insensíveis. Afinal, elas também traem, não dão satisfação e, muitas vezes, não ligam para isso. Mas o problema está bem mais fundo, lá onde a luz do sol é fraca. Muitos Bolinhas são sensíveis, mas, por alguma razão, se decepcionaram e decidiram chutar o balde. Aquele cara grosseirão provavelmente já chorou por alguma menina que o fez sofrer e ficou muito magoado, passando a ser insensível. Portanto, elas deviam valorizar os muitos homens sensíveis que estão à solta no mercado, no lugar de ficar babando os mais estúpidos. Nós, homens, sabemos que enquanto elas estão indo atrás do cafajeste, existem vários caras sensíveis loucos para agradá-las e fazer todo tipo de declaração de amor. Quando realmente gostamos, nos entregamos de corpo e alma, e muitos quando não o fazem, é com medo de se machucar ou querendo manter a fama de durão. Contudo, essas máscaras caem, e o homem que antes se intitulava o "pegador", que saia para o show da Ivete no Beach Park e agarrava todas sem compromisso, agora manda flores e cartões no aniversário de mês de namoro. Todos nós somos sensíveis no fundo de nossos corações, basta aparecer alguém que saiba valorizar isso.

(clique no título e leia do original a reportagem e sua continuação feita por Thadeu Braga e Rodrigo Rangel. Me mata de orgulho, Rochedão!)

quarta-feira, setembro 28, 2005

Mario Quitana

"A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa. Quando se vê, já são seis horas! Quando se vê, já é sexta-feira... Quando se vê, já é Natal... Quando se vê, já terminou o ano... Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida... Quando se vê, passaram-se 50 anos! Agora, é tarde demais para ser reprovado... Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio. Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas... Seguraria o amor, que está muito à minha frente, e diria que eu amo... Dessa forma, eu digo: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo. Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz. A única falta que terá, será a desse tempo que infelizmente... Nunca mais voltará."

Clic - Luis Fernando Verissimo

Cidadão se descuidou e roubaram seu celular. Como era um executivo e não sabia mais viver sem celular, ficou furioso. Deu parte do roubo, depois teve uma idéia. Ligou para o número do telefone. Atendeu uma mulher.
— Aloa.
— Quem fala?
— Com quem quer falar?
— O dono desse telefone.
— Ele não pode atender.
— Quer chamá-lo, por favor?
— Ele esta no banheiro. Eu posso anotar o recado?
— Bate na porta e chama esse vagabundo agora.
Clic. A mulher desligou. O cidadão controlou-se. Ligou de novo.
— Aloa.
— Escute. Desculpe o jeito que eu falei antes. Eu preciso falar com ele, viu? É urgente.
— Ele já vai sair do banheiro.
— Você é a...
— Uma amiga.
— Como é seu nome?
— Quem quer saber?
O cidadão inventou um nome.
— Taborda. (Por que Taborda, meu Deus?) Sou primo dele.
— Primo do Amleto?
Amleto. O safado já tinha um nome.
— É. De Quaraí.
— Eu não sabia que o Amleto tinha um primo de Quaraí.
— Pois é.
— Carol.
— Hein?
— Meu nome. É Carol.
— Ah. Vocês são...
— Não, não. Nos conhecemos há pouco.
— Escute Carol. Eu trouxe uma encomenda para o Amleto. De Quaraí. Uma pessegada, mas não me lembro do endereço.
— Eu também não sei o endereço dele.
— Mas vocês...
— Nós estamos num motel. Este telefone é celular.
— Ah.
— Vem cá. Como você sabia o número do telefone dele? Ele recém-comprou.
— Ele disse que comprou?
— Por que?
O cidadão não se conteve.
— Porque ele não comprou, não. Ele roubou. Está entendendo? Roubou. De mim!
— Não acredito.
— Ah, não acredita? Então pergunta pra ele. Bate na porta do banheiro e pergunta.
— O Amleto não roubaria um telefone do próprio primo.
E Carol desligou de novo.
O cidadão deixou passar um tempo, enquanto se recuperava. Depois ligou.
— Aloa.
— Carol, é o Tobias.
— Quem?
— O Taborda. Por favor, chame o Amleto.
— Ele continua no banheiro.
— Em que motel vocês estão?
— Por que?
— Carol, você parece ser uma boa moça. Eu sei que você gosta do Amleto...
— Recém nos conhecemos.
— Mas você simpatizou. Estou certo? Você não quer acreditar que ele seja um ladrão. Mas ele é, Carol. Enfrente a realidade. O Amleto pode Ter muitas qualidades, sei lá. Há quanto tempo vocês saem juntos?
— Esta é a primeira vez.
— Vocês nunca tinham se visto antes?
— Já, já. Mas, assim, só conversa.
— E você nem sabe o endereço dele, Carol. Na verdade você não sabe nada sobre ele. Não sabia que ele é de Quaraí.
— Pensei que fosse goiano.
— Ai esta, Carol. Isso diz tudo. Um cara que se faz passar por goiano...
— Não, não. Eu é que pensei.
— Carol, ele ainda está no banheiro?
— Está.
— Então sai daí, Carol. Pegue as suas coisas e saia. Esse negocio pode acabar mal. Você pode ser envolvida. — Saia daí enquanto é tempo, Carol!
— Mas...
— Eu sei. Você não precisa dizer. Eu sei. Você não quer acabar a amizade. Vocês se dão bem, ele é muito legal. Mas ele é um ladrão, Carol. Um bandido. Quem rouba celular é capaz de tudo. Sua vida corre perigo.
— Ele esta saindo do banheiro.
— Corra, Carol! Leve o telefone e corra! Daqui a pouco eu ligo para saber onde você está.
Clic.
Dez minutos depois, o cidadão liga de novo.
— Aloa.
— Carol, onde você está?
— O Amleto está aqui do meu lado e pediu para lhe dizer uma coisa.
— Carol, eu...
— Nós conversamos e ele quer pedir desculpas a você. Diz que vai devolver o telefone, que foi só brincadeira. Jurou que não vai fazer mais isso.
O cidadão engoliu a raiva. Depois de alguns segundos falou:
— Como ele vai devolver o telefone?
— Domingo, no almoço da tia Eloá. Diz que encontra você lá.
— Carol, não...
Mas Carol já tinha desligado.
O cidadão precisou de mais cinco minutos para se recompor. Depois ligou outra vez.
—Aloa.
Pelo ruído o cidadão deduziu que ela estava dentro de um carro em movimento.
— Carol, é o Torquatro.
— Quem?
— Não interessa! Escute aqui. Você está sendo cúmplice de um crime. Esse telefone que você tem na mão, esta me entendendo? Esse telefone que agora tem suas impressões digitais. É meu! Esse salafrário roubou meu celular!
— Mas ele disse que vai devolver na...
— Não existe Tia Eloá nenhuma! Eu não sou primo dele. Nem conheço esse cafajeste. Ele esta mentindo para você, Carol.
— Então você também mentiu!
— Carol...
Clic.
Cinco minutos depois, quando o cidadão se ergueu do chão, onde estivera mordendo o carpete, e ligou de novo, ouviu um "Alô" de homem.
— Amleto?
— Primo! Muito bem. Você conseguiu, viu? A Carol acaba de descer do carro.
— Olha aqui, seu...
— Você já tinha liquidado com o nosso programa no motel, o maior clima e você estragou, e agora acabou com tudo. Ela está desiludida com todos os homens, para sempre. Mandou parar o carro e desceu. Em plena Cavalhada. Parabéns primo. Você venceu. Quer saber como ela era?
— Só quero meu telefone.
— Morena clara. Olhos verdes. Não resistiu ao meu celular. Se não fosse o celular, ela não teria topado o programa. E se não fosse o celular, nós ainda estaríamos no motel. Como é que chama isso mesmo? Ironia do destino?
— Quero meu celular de volta!
— Certo, certo. Seu celular. Você tem que fechar negócios, impressionar clientes, enganar trouxas. Só o que eu queria era a Carol...
— Ladrão
— Executivo
— Devolve meu...
Clic.
Cinco minutos mais tarde. Cidadão liga de novo. Telefone toca várias vezes. Atende uma voz diferente.
— Ahn?
— Quem fala?
— É o Trola.
— Como você conseguiu esse telefone?
— Sei lá. Alguém jogou pela janela de um carro. Quase me acertou.
— Onde você está?
— Como eu estou? Bem, bem. Catando meus papéis, sabe como é. Mas eu já fui de circo. É. Capitão Trovar. Andei até pelo Paraguai.
— Não quero saber de sua vida. Estou pagando uma recompensa por este telefone. Me diga onde você está que eu vou buscar.
— Bem. Fora a Dalvinha, tudo bem. Sabe como é mulher. Quando nos vê por baixo, aproveita. Ontem mesmo...
— Onde você está? Eu quero saber onde!
— Aqui mesmo, embaixo do viaduto. De noitinha. Ela chegou com o índio e o Marvão, os três com a cara cheia, e...

Extraído do livro "As Mentiras que os Homens Contam", Editora Objetiva - Rio de Janeiro, 2000, pág. 41.

Equilibrium: segredo de tudo

terça-feira, setembro 27, 2005

Lua da Taíba

Jogo: Call of Duty 2

(clique no título e faça o download da demo de Call of Duty 2, um dos mais bem sucedidos games sobre a Segunda Guerra de todos os tempos)