domingo, maio 15, 2005





sexta-feira, maio 13, 2005

Sors de l'enfance, ami, réveille-toi

De onde vem a calma?

Havia um tempo em que não havia nada. Nenhuma coisa poderia existir porque, na verdade, não havia nem mesmo o tempo. De repente acontece algo que faz com que as coisas possam existir. Em um instante exato, tudo está extraordinariamente comprimido em um espaço tão pequeno que nada pode ser menor do que ele. Até que... BIG BANG! Tudo começa... Será? Tudo era concentrado em um espaço muito menor do que um átomo. E era quente, inimaginavelmente quente, Esse Pequeno ponto começa a crescer em uma velocidade absurda, mais rápida que a luz!!! Ele dobra de tamanho, depois dobra de novo e assim por cem vezes. Mesmo com tanto crescimento, o resultado final ainda tem o mesmo diâmetro de uma laranja. Até então não havia matéria, apenas a soma de vários tipos de energia, mas o universo esfriou, e essas forças deram origem a uma sopa de partículas minúsculas, com Quarks, Glúons e Elétrons. O universo não parava de crescer e, até onde o espaço e o tempo chegassem, tudo o que havia eram partículas soltas que reagiam loucamente. Antes do primeiro segundo, essa imensidão já havia esfriado o suficiente para permitir o surgimento de Prótons e Neútrons. Tudo era escuridão. Nada poderia se acender porque todos os fótons (partículas de luz) se ligavam rapidamente e Elétrons. Demorou um pouco, mas de repende... FEZ-SE A LUZ! Com menos calor, os Elétrons se ligaram a Pròtons e formaram os primeiros átomos. E a luz, sem elétrons para reagir, varreu o universo. Ao longo do tempo, algumas estrelas entraram em colapso. Nesse processo fundiram hidrogênio e hélio em elementos mais pesados, como carbono, oxigênio e tudo mais que você precisa para existir. E aqui estamos nós! Depois de tanto tempo, surge a vida na terra e o universo ainda se expandindo!!! Ninguém sabe o que deve acontecer daqui para frente. Os cientistas dizem que o universo continua se expandindo, e cada vez mais rápido. Qual a força está nos empurrando? Onde iremos parar? Assim como não sabemos de onde veio o universo, o lugar para onde vamos é ainda um mistério. Eu disse... ainda.

quinta-feira, maio 12, 2005

Quem sabe - Los Hermanos

Quem sabe o que é ter e perder alguém
Quem sabe o que é ter e perder alguém
Sente a dor que senti
Quem sabe o que é ver quem se quer partir
E não ter pra onde ir
Faz tanta falta o teu amor e te esperar...
Não sei viver sem te ter
Não dá mais pra ser assim
Quem sabe o que é ter sem querer pra si
Não quer ver outro em mim
Não fala do que eu deveria ser
Pra ser alguém mais feliz
Faz tanta falta o teu amor e te esperar...
Não sei viver sem te ter
Não dá mais pra ser assim

quarta-feira, maio 11, 2005

O Clã das Adagas Voadoras - Zhang Yimou



A história se passa no ano 859 d.C., durante o declínio da Dinastia Tang. O imperador é incompetente e o governo, corrupto. A inquietação se espalha pelo país e muitos exércitos rebeldes se organizam como forma de protesto. O maior e mais prestigioso deles é uma aliança sub-mundana, chamada O Clã das Adagas Voadoras. O Clã trabalha sorrateiramente, roubando dos ricos para dar aos pobres. Eles acabam conquistando o apoio e a admiração das pessoas, mas a ira dos representantes locais. Mesmo após o assassinato do chefe, o Clã continua a crescer, sob a liderança de um novo e misterioso líder.
Enviado para capturar o novo líder, o capitão Leo (Lau) desconfia que Mei (Ziyi), uma linda dançarina é, na verdade, filha do antigo líder. Como ela se recusa a divulgar qualquer tipo de informação sobre o Clã, ele trama um novo plano: outro capitão, Jin (Kaneshiro), fingirá ser um guerreiro solitário chamado Wind, e tentará conquistar o coração de Mei. A trama dá certo e Mei concorda em levar Jin à base secreta do Clã das Adagas Voadoras. Tudo sairia como o previsto se, durante a longa viagem, Jin não acabasse fascinado pelo charme enigmático de Mei.

Nota: 9.7



Filosofia do Budô

Em um país atormentado durante muito tempo por guerras e conflitos, os samurais desenvolveram um rigoroso código ético não-escrito, conhecido como bushido, que fornecia parâmetros para se viver e morrer com dignidade. Hoje em dia, em um Japão mais seguro, este código de conduta desenvolveu-se para uma filosofia de vida, o Budo.As filosofias do budo, foram escritas por famosos Kendo-kas e mestres zen tais como Miyamoto Musashi, Yagyu Munenori, Sekishusai, Soho Takuan e muitos outros, a cerca de 500 anos atrás. Budo pode ser traduzido como caminho das artes marciais, bu significa "marcial" ou "militar" e do "caminho". Todas as artes marciais japonesas são chamadas de budo, quando estas possuem conotação filosófica. Na idade média (Sengoku-gidai), principalmente em seu crepúsculo, surgiram grandes gênios da luta. Através das experiências vividas, eles se preocupavam em manter, mesmo em época de paz, o Ken-no-kokoro, o espírito da esgrima, considerado o alicerce do bushido (caminho do samurai), o qual desenvolveu-se em conjunto para a formação humana com ken (espada). O homem não consegue viver em sociedade usando somente sua força animal ou instinto. Surgiu então um apoio mental, recorrendo-se à pratica do zen (método que dá equilíbrio mental). O Kendo chegou a um alto nível de perfeição, pois "ken-no-miti", o caminho da esgrima, é a meta de formação do samurai, favorecendo inclusive na era Tokugawa, o controle e o aprimoramento ao máximo da força mental e das técnicas. As lutas de Kendo permitiram enfrentar adversários fisicamente maiores com possibilidades de vence-los, impondo a paz e a disciplina, mostrando assim que já naquela época, os nobres procuravam aprimorar a mente e o corpo. Em resumo, deve-se a pratica do budo, a tarefa de contribuir na evolução do homem, ajudando-o a enfrentar e encarar a realidade com energia e coragem. A meta é descobrir o caminho de cada ser humano dentro das suas limitações e possibilidades. O homem, em sua evolução física e espiritual passa pelo estágio primário, secundário, atingindo um nível superior. Esta busca de perfeição deve ser o caminho da vida, que a cada dia se aprimora. Esta escolha do caminho permite ao homem viver, sentir, perceber, aperfeiçoar-se, enriquecendo-se até a morte. A percepção atua, de acordo com o grau de sensibilidade, por meio dos órgãos dos sentidos, levando a diferentes reações e comportamentos. Além desses valores perceptivos, existe a riqueza espiritual que se manifesta pelo grau de emoções, satisfações e podem conduzir a verdadeira felicidade. Esta energia espiritual pode levar a um magnetismo favorável na personalidade e à formação de um alto grau de cultura do homem. O instrumento para o caminho da vida é a técnica que dá ânimo, motivação e estímulo. Para, utiliza-la, o homem aperfeiçoa sua habilidade e seu talento mantendo um bom controle do físico e da mente. Aqui, talvez esteja o verdadeiro caminho da vida.




Bushido



Bushido, significa literalmente, "caminho do guerreiro" - era um código de honra não-escrito e um modo de vida para os samurais (a classe guerreira do Japão feudal ou bushi), que fornecia parâmetros para esse guerreiro viver e morrer com honra.

"Seguir o bushido, é dar ênfase à lealdade, fidelidade, auto sacrifício, justiça, modos refinados, humildade, espírito marcial e honra acima de tudo, morrer com dignidade".

Bushido é formado e influenciado pelos conceitos do Budismo, Xintoísmo e Confucionismo. A combinação dessas doutrinas e religiões, formaram o código de honra do guerreiro samurai, conhecido como bushido.

O Recital - Luis Fernando Verissimo

Uma boa maneira de começar um conto é imaginar uma situação rigidamente formal — digamos, um recital de quarteto de cordas — e depois começar a desfiá-la, como um pulôver velho. Então vejamos. Um recital de quarteto de cordas.
O quarteto entra no palco sob educados aplausos da seleta platéia. São três homens e uma mulher. A mulher, que é jovem e bonita, toca viola. Veste um longo vestido preto. Os três homens estão de fraque. Tomam os seus lugares atrás das partituras. Da esquerda para a direita: um violino, outro violino, a viola e o violoncelo. Deixa ver se não esqueci nenhum detalhe. O violoncelista tem um grande bigode ruivo. Isto pode se revelar importante mais tarde, no conto. Ou não.
Os quatro afinam seus instrumentos. Depois, silêncio. Aquela expectativa nervosa que precede o início de qualquer concerto. As últimas tossidas da platéia. O primeiro violinista consulta seus pares com um olhar discreto. Estão todos prontos, o violinista coloca o instrumento sob o queixo e posiciona seu arco. Vai começar o recital. Nisso...
Nisso, o quê? Qual a coisa mais insólita que pode acontecer num recital de um quarteto de cordas? Passar uma manada de zebus pelo palco, por trás deles? Não. Uma manada de zebus passa, parte da platéia pula das suas poltronas e procura as saídas em pânico, outra parte fica paralisada e perplexa, mas depois tudo volta ao normal. O quarteto, que manteve-se firme em seu lugar até o último zebu — são profissionais e, mesmo, aquilo não pode estar acontecendo — começa a tocar. Nenhuma explicação é pedida ou oferecida. Segue o Mozart.
Não. É preciso instalar-se no acontecimento, como a semente da confusão, uma pequena incongruência. Algo que crie apenas um mal-estar, de início e chegue lentamente, em etapas sucessivas, ao caos. Um morcego que posa na cabeça do segundo violinista durante um pizzicato. Não. Melhor ainda. Entra no palco um homem carregando uma tuba.
Há um murmúrio na platéia. O que é aquilo? O homem entra, com sua tuba, dos bastidores. Posta-se ao lado do violoncelista. O primeiro violinista, retesado como um mergulhador que subitamente descobriu que não tem água na piscina, olha para a tuba entre fascinado e horrorizado. O que é aquilo? Depois de alguns instantes em que a tensão no ar é como a corda de um violino esticada ao máximo, o primeiro violinista fala:
— Por favor...
— O quê? — diz o homem da tuba, já na defensiva. — Vai dizer que eu não posso ficar aqui?
— O que o senhor quer?
— Quero tocar, ora. Podem começar que eu acompanho.
Alguns risos na platéia. Ruídos de impaciência. Ninguém nota que o violoncelista olhou para trás e quando deu com o tocador de tuba virou o rosto em seguida, como se quisesse se esconder. O primeiro violinista continua:
— Retire-se, por favor.
— Por quê? Quero tocar também.
O primeiro violinista olha nervosamente para a platéia. Nunca em toda a sua carreira como líder do quarteto teve que enfrentar algo parecido. Uma vez um mosquito entrou na sua narina durante uma passagem de Vivaldi. Mas nunca uma tuba.
— Por favor. Isto é um recital para quarteto de cordas. Vamos tocar Mozart. Não tem nenhuma parte para a tuba.
— Eu improviso alguma coisa. Vocês começam e eu faço o um-pá-pá.
Mais risos na platéia. Expressões de escândalo. De onde surgiu aquele homem com uma tuba? Ele nem está de fraque. Segundo algumas versões veste uma camisa do Vasco. Usa chinelos de dedo. A violista sente-se mal. O violinista ameaça chamar alguém dos bastidores para retirar o tocador de tuba a força. Mas ele aproxima o bocal do seu instrumento dos lábios e ameaça:
— Se alguém se aproximar de mim eu toco pof!
A perspectiva de se ouvir um pof naquele recinto paralisa a todos.
— Está bem — diz o primeiro violinista. — Vamos conversar. Você, obviamente, entrou no lugar errado. Isto é um recital de cordas. Estamos nos preparando para tocar Mozart. Mozart não tem um-pá-pá.
— Mozart não sabe o que está perdendo — diz o tocador de tuba, rindo para a platéia e tentando conquistar a sua simpatia.
Não consegue. O ambiente é hostil. O tocador de tuba muda de tom. Torna-se ameaçador:
— Está bem, seus elitistas. Acabou. Onde é que vocês pensam que estão, no século XVIII? Já houve 17 revoluções populares depois de Mozart. Vou confiscar estas partituras em nome do povo. Vocês todos serão interrogados. Um a um, pá-pá.
Torna-se suplicante:
— Por favor, só o que eu quero é tocar um pouco também. Eu sou humilde. Não pude estudar instrumento de cordas. Eu mesmo fiz esta tuba, de um Volkswagen velho. Deixa...
Num tom sedutor, para a violista:
— Eu represento os seus sonhos secretos. Sou um produto da sua imaginação lúbrica, confessa. Durante o Mozart, neste quarteto anti-séptico, é em mim que você pensa. Na minha barriga e na minha tuba fálica. Você quer ser violada por mim num alegro assai, confessa...
Finalmente, desafiador, para o violoncelista:
— Esse bigode ruivo. Estou reconhecendo. É o mesmo bigode que eu usava em 1968. Devolve!
O tocador de tuba e o violoncelista atracam-se. Os outros membros do quarteto entram na briga. A platéia agora grita e pula. É o caos! Simbolizando, talvez, a falência final de todo o sistema de valores que teve início com o iluminismo europeu ou o triunfo do instinto sobre a razão ou ainda, uma pane mental do autor. Sobre o palco, um dos resultados da briga é que agora quem está com o bigode ruivo é a violista. Vendo-a assim, o tocador de tuba pára de morder a perna do segundo violinista, abre os braços e grita: "Mamãe!"
Nisso, entra no palco uma manada de zebus.

Crônica extraída do livro "O Analista de Bagé", L & PM Editores Ltda - Porto Alegre, 1981, pág. 58.

terça-feira, maio 10, 2005