quinta-feira, março 29, 2007

Os presentes de Alice - Cláudio Parreira

Alice. Mulherão essa Alice. E vivia querendo coisas:
- Compra um apartamento pra mim, bem?
Eu comprava. Porque ela, sorrindo, isso não tinha preço.

Alice era dada a excentricidades. Poucas, mas ainda assim:
- Compra a lua pra mim, bem?
Eu comprava. E colocava um punhado de estrelas no papel de presente.

Vez ou outra ela emburrava. Não de ficar burra, que ela nunca foi assim, mas emburrar de entristecer, vocês me entendem. Eu fazia caretas, alugava elefantes, tudo pra ela melhorar. Mas ela só melhorava daquele jeito:
- Compra o charme da Gisele Bündchen pra mim?
Eu comprava. Um exagero, concordo, Alice era charmosa o suficiente, mas fazer o quê?

* * *

Alice também era uma mulher de muito bom gosto. Sabia apreciar as coisas boas da vida, as belas coisas:
- Compra um Picasso, um Van Gogh e um Warhol pra mim, bem?
Eclética, como vocês puderam perceber. E eu, é claro, comprava.

* * *

Um dia Alice foi ao cinema e viu uma sereia no filme. Voltou da sessão radiante. E pediu:
- Eu quero uma sereia, bem!
Parti no dia seguinte numa expedição em busca da tal sereia. Fui encontrá-la 30 dias depois no mar gelado da Finlândia.
Quando entreguei o presente a Alice, ela desatou a chorar. Eu perguntei:
- Não é a sereia que você quer?
- É a sereia que eu queria - ela disse. - Mas agora não quero mais.
- O que é que você quer agora?
Alice enxugou as lágrimas e um sorriso brotou no seu rostinho lindo:
- Agora eu quero uma caravela, bem! Uma caravelinha!
Uma caravelinha. Como as caravelas deixaram de ser fabricadas há muito tempo, mandei fazer. Ficou uma beleza. Mas Alice só desembrulhou o presente. Havia um brilho estranho em seus olhos.
- E agora, o que é que você quer? - eu perguntei. - Pede.
- Eu não quero nada, bem. Não quero nada.

* * *

Mas a quietude durou pouco. Logo Alice estava pedindo de novo. E eu, pronto a atender. Quer dizer, mais ou menos.
- Bem, diz que me ama!
Esquisitice. Bem típico de uma mulher como ela. Não que o seu pedido fosse caro demais, longe disso. Não iria me custar um tostão. Mas eu senti que precisava manter a integridade:
- Mas Alice, eu já disse que não sou mitômano!
- Mitômano?
- É.
Ela me olhou com aquele olhar inteligente que só ela tem. E pediu:
- Me compra um dicionário, bem?

***

Depois disso Alice passou quatro anos deprimida, largadona, engordando no sofá francês do século XIX. Sem pedir nada.
Até que, numa bela manhã de carnaval, ela se levantou, emagreceu e pediu:
- Bem, eu quero amor!
Eu caminhei em direção a ela, dei-lhe um demorado beijo na testa e saí para a rua. Não voltei nunca mais. Seria muito doloroso explicar que tem coisas que o dinheiro não compra.

link: http://www.revistapiaui.com.br/2007/mar/concurso_vencedor.htm

Os falsos mendigos - Airton Monte

Não sei, na verdade não tenho a menor idéia se as demais pessoas vêm observando, em nosso perverso cenário citadino, um fato que para mim é inegável, pois se desenrola diante de meus olhos no aparentemente banal cotidiano. A cada dia que passa, torna-se cada vez mais numerosa e variegada a ruma de gente de todas as idades suplicando uma esmolinha pelo amor de Deus nas ruas da cidade. Sem falar naqueles que batem à porta de nossas casas, hora do almoço ou do jantar, dia útil ou feriado, a pedir um adjutório para os mais diversos fins.
Uns pedem um prato de comida. Outros uma ajudinha em dinheiro para enterrar um parente, comprar remédio, inteirar uma passagem de ônibus. Claro está que dentre essa desesperada legião de deserdados da vida, muitos há que estendem humilhantemente a mão sôfrega à caridade pública pela mais premente necessidade de sobrevivência. E não se deve esquecer que todo homem tem o sagrado direito à vida. Outrossim, também coexistem, de mistura com o bagaço humano da implacável moenda social, os indefectíveis espertalhões da mendicância.
São malandros profissionais que se fingem de esmoler para ganhar a vida na maciota, faturar uns bons trocados na moleza. Tais mendigos de araque tornaram-se exímios especialistas em usar e abusar da chantagem sentimental, espicaçando nosso complexo de culpa, tentando amolecer o coração dos transeuntes. Eu não consigo resistir ao impulso de meter a mão no bolso caçando níqueis ao me deparar com um olhar tristonho de uma criança de colo toda esmulambuda, rastejando pelo chão imundo ou crucificada por entre os braços esqueléticos da mãe.
E por saberem o quanto nos comove a miséria infantil exposta degradantemente na vitrine suja das calçadas, é que muitos sabidões ou sabidonas costumam usar os próprios filhos ou rebentos de aluguel como se fossem iscas vivas pra fisgar a suposta caridade dos passantes. Faça chuva ou sol, lá estão os pescadores com seus anzóis humanos nos cruzamentos mais movimentados. E todos nós, feito um cardume de peixes afogados num mar de remorsos, findamos por ser pescados. Que triste país o nosso, em que as crianças de rua só nos despertam dois únicos sentimentos: o medo e a piedade.

link: http://www.opovo.com.br/opovo/colunas/airtonmonte/

terça-feira, março 20, 2007

Deus existe? - Steve Martin


Deus existe? Essa velha pergunta simplesmente não quer sair de cena. Desde o início da história da humanidade, toda vez que alguém acha que tem a resposta, um outro vem logo contestá-lo. A questão persiste e agora repousa no éter, à espreita, para atacar estudantes universitários e, mais tarde, com os 30 anos de idade, bater em retirada, para emergir em festinhas de papo cabeça, e voltar de novo com força total nos “anos filosóficos”. Mas, antes de discutirmos essa questão complexa, permitam que eu me apresente. Sou Toby, o cavalo falante.

Ser um cavalo falante me deixa com tempo de sobra para ponderar acerca desses grandes temas. Ninguém me monta, porque simplesmente digo logo para descer. Assim, tenho muito tempo livre. Às vezes, à noite, para passar as horas, eu canto; às vezes, paquero a beldade que anda no pasto vizinho, a Lily. Às vezes, exercito meus poderes, o que é divertido. Neste preciso momento, de fato, você não lê isto. Apenas pensa que lê. Na verdade, você está ligando para o serviço telefônico do seu banco e transferindo todo o dinheiro para a minha conta.

Na maior parte do tempo, no entanto, assim como fazem muitos outros cavalos, tento fazer anagramas de cabeça. Quando você vê um cavalo parado num pasto, olhando para você, na realidade ele está tentando recombinar letras na cabeça: “amor, ramo, roma...” É coisa natural nos cavalos. A primeira coisa que faço com um problema grande como este, portanto, é repassá-lo em minha cabeça e recombinar as letras. “Deus...” Não sai muita coisa dessas letras, assim como do infecundo “existe”. Vencido o obstáculo desse pequeno exercício neurótico, estou apto a dar o passo seguinte.

Pergunte a si mesmo: preciso de fato saber a resposta para essa questão? Creio que, se for honesto consigo mesmo, você vai perceber que uma resposta do tipo sim-ou-não não iria, na verdade, mudar grande coisa na sua vida. Se bem que um não pode liberar um bocado de tempo, hoje despendido em cultos. Com efeito, não imagino que Deus seja de fato um entusiasta dos cultos. Você pode tomar por base este que lhe fala, Toby, o cavalo falante – ele é tão humilde quanto qualquer deus, e um simples obrigado é tudo o que espera.

Se me perguntar o que veio primeiro, a questão ou a crença, eu diria que a crença precedeu a questão. A questão não leva à crença; a questão leva à descrença. Por outro lado, a crença existe em quase todas as culturas humanas, se bem que às vezes a gente encontra uns povos que rezam para bonecos feitos de esterco. A crença não surge tão naturalmente em animais – o que faz de mim, um cavalo, um perfeito moderador objetivo.

Estabelecerei uma regra básica. Nada de discutir. Discutir é o que vivem fazendo na televisão, e o quê isso traz de bom? Uma grande risada de cavalo para a idéia humana de que a razão alguma vez mudou a mente de alguém. Eu poderia, se quisesse, defender a tese de que o céu é verde. E ganharia a discussão. Por quê? Porque pude estudar o bastante para deixar você encurralado a cada proposição, porque adquiri uma grande velocidade mental na controvérsia-do-céu-verde. Poderia fazer sua cabeça rodopiar com as voltas e as guinadas que eu lançaria sobre você. E sou um cavalo. Mesmo assim, poderia fazer isso. Imagine o que seria capaz de fazer um bem adestrado fornecedor de sabedoria religiosa.

Outra regra básica. Nada de definições. Nós poderíamos ficar aqui sentados até as vacas voltarem do pasto, o que no meu mundo não é uma metáfora, discutindo definições de palavras importantes. Mas, permita que eu lhe diga, não vamos chegar a parte alguma. Seria fácil reduzir a questão da existência de Deus a um problema de semântica. Mas já ultrapassamos essa fase. Estou feliz por meu nome ser Toby, pois isso prova a minha tese. Sou minha própria definição. Não sou “Estrela”, ou “Brasa”, ou “Corisco”, ou nenhum outro nome. Deixemos que, assim como eu, Deus seja a sua própria definição.

Tenho de lhe dizer uma coisa a respeito de Lily. Ela tem uma crina amarela. Estava justamente pensando nela.

Outra coisa: por favor, não use a expressão “religião organizada”. Já sei onde você quer chegar, e esse argumento só serve para universitários que querem ter alguma coisa para falar quando fumam maconha. Já deixamos essa discussão para trás há muito tempo.

Talvez você não tenha meios de compreender como é linda uma crina amarela. Bem, em Lily, isso é lindo. Às vezes, de noite, ela se esgueira rente à cerca, vem para perto de mim e suspira seu hálito quente no meu nariz. Esfrego minha cabeça na sua crina amarela, e o cheiro fica grudado em mim até de manhã. Ela tem também um cu fantástico. Ah, esqueci. Você é um ser humano e acha isso vulgar. Lily é a coisa mais parecida com Deus que já vi. Ela é corpórea e espiritual, e olha para mim, encosta-se em mim, balança a sua crina de modo que fica roçando em mim e, embora ela não saiba falar, nesses momentos é como se dissesse: “Toby”.

Lily... Toby... Toby... Lily...

Há certas pessoas que parecem saber que a resposta para a nossa questão é afirmativa. Isso as leva a querer envergar mantos, capas, túnicas e uns chapéus especiais, ou usar maquiagem bem pesada e pentear o cabelo muito alto. Outras pessoas parecem acreditar no contrário. Algumas pessoas se sentem bem com isso, mas outras podem ficar bem abatidas. Para tais pessoas, existe uma palavra especial, estrangeira, de uma vogal e várias consoantes nervosas: angst. Da qual também não saem anagramas.

Na certa você está pensando que, se não podemos usar lógica, se não podemos argumentar, se não podemos definir, como é que vamos chegar a uma resposta? Bem, se você fosse eu, não ficaria preocupado. Mas você tem receio das duas pernas que lhe faltam para ser como eu. Sugiro, pois, que faça o que eu faço: numa determinada noite, masque demoradamente um bom fardo de feno e um punhado de aveia. Retire seus antolhos e se deixe ficar num grande descampado, incline a cabeça para trás e contemple as estrelas. Você vai saber que existe um Deus.

Depois, um dia, quando as coisas não estiverem correndo muito bem para o seu lado, pare e reflita sobre a questão. Vai saber que não existe Deus nenhum. Para um cavalo, duas idéias contraditórias podem ser ambas verdadeiras, ao mesmo tempo. É isso o que me separa de você. É por isso que o cavalo não inventou o computador, mas inventou – e pouca gente sabe disso – o sofá. Uma vez que você permita que idéias incompatíveis coexistam em seu cérebro, estará no rumo certo para virar uma boa besta de carga. Aqui está uma pitada de juízo de cavalo, saído de minha própria cocheira: qualquer resposta que escolher, a qualquer momento, será a resposta correta. E se algum sabidinho elegante, de lábios contraídos, de cabelinho raspado rente, vier contestá-lo, é só dizer que aprendeu isso com Toby, o cavalo falante.

fonte: http://www.revistapiaui.com.br/

No escuro, todos são iguais - Silvia Curiati

Inácio não enxergava quase nada, sofria desde os 10 anos de idade com 16 graus de miopia.

Para as lentes dos óculos não ficarem tão grandes e desproporcionais sobre seu nariz aquilino, ele balanceava: parte dos graus em lentes de contato, e a outra parte no vidro anti-reflexo. Portanto, para Inácio, não havia nada mais comum que encontro às escuras.

Fez isso a vida toda – tirava os óculos, ia só de lente para não fazer feio. Ou melhor, não ficar feio.

Gelza sofria de cegueira noturna. Durante o dia vivia como um ser humano qualquer, comentando sobre os mosquitos que sobrevoavam sua mesa no escritório e as formiguinhas que insistiam em fazer fila indiana na pia de sua cozinha, todo ano, na primavera. Já à noite, era um desastre. A conta de luz vinha quilométrica devido à energia que gastava em sua casa para que tudo se mantivesse como se ainda fossem três da tarde.

Inácio era amigo de Lúcio, primo de Gelza.

Lúcio comentou com Inácio que tinha uma prima boazuda e solteira, não nesta ordem, nem nestes termos.

Inácio comentou com Lúcio que estava no queijão*, assim, nestes termos mesmo.

Provavelmente antes de Lúcio falar de Gelza.

Lúcio, que adorava provocar situações constrangedoras entre as pessoas, colocou Inácio e Gelza na sua janela do Messenger, para um bate-papo informal.

O casal de desconhecidos adicionou-se mutuamente e, dois dias depois, marcaram de sair para formalizar a pretensa amizade. Um jantar.

Inácio escolheu estrategicamente um restaurante romântico, à luz de velas. Com o ambiente escurecido sentia-se mais confortável e protegido, já que suas lentes espessas deixavam seus olhos levemente esbugalhados.

Gelza, quando entrou no lugar, surtou. Internamente, claro. Não queria aparentar esquizofrenia, além de seu outro defeito congênito.

O fato é: foi um legítimo encontro às escuras. Um desastre completo. Obviamente, depois de uns beijos e amassos, nunca mais nem se falaram.


*termo que denota a ausência de atividade sexual por um longo período. Apenas desconfia-se da razão de o nome ser o mesmo de algo que é praticamente leite podre, mas nada é comprovado cientificamente.

terça-feira, março 13, 2007

Aos que virão depois de nós - Bertolt Brecht

I

Eu vivo em tempos sombrios.
Uma linguagem sem malícia é sinal de
estupidez,
uma testa sem rugas é sinal de indiferença.
Aquele que ainda ri é porque ainda não
recebeu a terrível notícia.

Que tempos são esses, quando
falar sobre flores é quase um crime.
Pois significa silenciar sobre tanta injustiça?
Aquele que cruza tranqüilamente a rua
já está então inacessível aos amigos
que se encontram necessitados?

É verdade: eu ainda ganho o bastante para viver.
Mas acreditem: é por acaso. Nado do que eu faço
Dá-me o direito de comer quando eu tenho fome.
Por acaso estou sendo poupado.
(Se a minha sorte me deixa estou perdido!)

Dizem-me: come e bebe!
Fica feliz por teres o que tens!
Mas como é que posso comer e beber,
se a comida que eu como, eu tiro de quem tem fome?
se o copo de água que eu bebo, faz falta a
quem tem sede?
Mas apesar disso, eu continuo comendo e bebendo.


Eu queria ser um sábio.

Nos livros antigos está escrito o que é a sabedoria:
Manter-se afastado dos problemas do mundo
e sem medo passar o tempo que se tem para
viver na terra;
Seguir seu caminho sem violência,
pagar o mal com o bem,
não satisfazer os desejos, mas esquecê-los.
Sabedoria é isso!
Mas eu não consigo agir assim.
É verdade, eu vivo em tempos sombrios!

II

Eu vim para a cidade no tempo da desordem,
quando a fome reinava.
Eu vim para o convívio dos homens no tempo
da revolta
e me revoltei ao lado deles.
Assim se passou o tempo
que me foi dado viver sobre a terra.
Eu comi o meu pão no meio das batalhas,
deitei-me entre os assassinos para dormir,
Fiz amor sem muita atenção
e não tive paciência com a natureza.
Assim se passou o tempo
que me foi dado viver sobre a terra.

III

Vocês, que vão emergir das ondas
em que nós perecemos, pensem,
quando falarem das nossas fraquezas,
nos tempos sombrios
de que vocês tiveram a sorte de escapar.

Nós existíamos através da luta de classes,
mudando mais seguidamente de países que de
sapatos, desesperados!
quando só havia injustiça e não havia revolta.

Nós sabemos:
o ódio contra a baixeza
também endurece os rostos!
A cólera contra a injustiça
faz a voz ficar rouca!
Infelizmente, nós,
que queríamos preparar o caminho para a
amizade,
não pudemos ser, nós mesmos, bons amigos.
Mas vocês, quando chegar o tempo
em que o homem seja amigo do homem,
pensem em nós
com um pouco de compreensão.

Sessão da Tarde e cavalos falantes - Silvia Curiati

Incorpore um sotaque caipira forte, daquele que puxa os Rs com vontade. Agora diga em voz alta “éR, déRdi, rícher”.

Era exatamente o que eu ouvia quando o locutor, após a apresentação de um filme, concluía: “Versão brasileira, Herbert Richards”. Normalmente, estes eram os mais legais. Aqueles cuja versão brasileira era Álamo, com uma voz de mesmo timbre daquela do locutor que anunciava no SBT “Ghandiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii”, com aquele “i” grave e eterno, eram meio toscos.

Tenho um problema com alguns roteiros.

Não entendo até hoje o que leva pessoas a fazerem filmes com cavalos falando. Nada mais chato e imbecil. O cavalo era sempre lindo, a criança tinha voz de boba e a maior tensão era o fato de ele não ganhar uma corrida ou de ela não conseguir montá-lo. Quando a atração da Sessão da Tarde era um ser relinchante de rabo que conseguia formar frases melhores que as minhas, eu resolvia dar trabalho à minha mãe e aprontar alguma em casa. Porque é absolutamente inaceitável gostar de uma porcaria destas.

Meu negócio eram as aventuras, os leves suspenses, ou aquelas comédias tipo Jerry Lewis ou Day-Hudson. Coisas que não me tratassem como uma completa imbecil.

Aliás, meu negócio era mais simbólico que qualquer outra coisa. Sessão da Tarde é a representação mais pura do ócio. É o que te perguntam se você esta assistindo quando falta ao trabalho. Combina com Danette, brigadeiro, biscoitos recheados, pipoca. Também é um ícone da doença infecto-contagiosa, do trio canja-cobertor-termômetro. Me lembra imediatamente “pneumonia”, uma das três que tive.

E me lembra que há muito não invento uma boa desculpa para ver se existem novas gerações de cavalos falantes.

segunda-feira, março 12, 2007

Jogo: Bush Shoot Out


(clique aqui e lute contra o "terrorismo")

domingo, março 11, 2007

Charles Bukowski


"Não há nada a lamentar sobre a morte, assim como não há nada a lamentar sobre o crescimento de uma flor. O que é terrível não é a morte, mas as vidas que as pessoas levam até a sua morte"

sexta-feira, março 09, 2007

Capitão América é alvejado e morto

Lenda viva é assassinada nas escadarias da Corte Federal


NOVA YORK - Esta manhã, reportamos a tentativa de assassinato de um ex-super-herói. Agora vimos confirmar que a vítima foi identificada como Steve Rogers, também conhecido como Capitão América. Rogers foi dado como morto no Mercy Hospital, devido a ferimentos causados por tiros no ombro, peito e estômago.
Testemunhas afirmam que a primeira bala, que feriu Rogers no ombro, veio de um atirador localizado no topo de um dos edifícios próximos à Corte Federal. Diversos outros tiros foram disparados durante o conflito, atingindo Rogers no peito e estômago, mas testemunhas que presenciaram a cena, assim como os policiais que estavam escoltando Rogers, reportaram que somente um atirador disparou os tiros.
A identidade do(s) assassino(s), assim como a origem de outros tiros, ainda não foi revelada. Agentes da S.H.I.E.L.D., do FBI e da polícia local estão trabalhando juntos na investigação e vistoriando os edifícios dada área. Um porta-voz da S.H.I.E.L.D. não quis fazer comentários sobre o tiroteio, informando que mais detalhes serão conhecidos conforme avançarem as investigações.
Rogers, um veterano da 2.ª Guerra Mundial, e que foi dado como desaparecido com o fim do conflito, retornou à ação décadas depois e combateu nos primeiros tempos dos Vingadores. Esteve no front principal dos heróis americanos até recentemente, quando se opôs violentamente à lei do governo americano, o Superhero Registration Act. Como Capitão América, Rogers combateu as forças do ato pró-registro, até se render em Manhattan, ficando sob a custódia da S.H.I.E.L.D. Estava a caminho de sua audiência quando foi atingido essa manhã."

Para mais detalhes sobre o tiroteio, leia Captain America n.º 25. Para mais informações sobre o Capitão América e os acontecimentos, continue lendo o Clarim Diário.


(clique aqui e veja cenas fortes do corpo do herói)

segunda-feira, março 05, 2007

Sonho de voar - Silvia Curiati

Enquanto os balões amarelos não ficavam prontos, Liana se contorcia no tapete do seu quarto de tanto rir da voz de seu pai, que vez ou outra engolia o que chegaria perto de meio copo de gás hélio, se este pudesse ser medido como líquidos, para alegrar a menina.

Gordinha ativa, cabelos loirinhos sempre amarrados em chiquinhas, Liana era o tipo de menina que encantava a todos com sua esperteza. Muito inteligente, falava coisas que ninguém imaginaria ouvir saídas da boca de uma criança de 5 anos.

Sua meta era voar. Por isso, quando passou em frente ao ponto de venda de um empreendimento imobiliário onde um grupo de promotoras amarrava balões nos postes e notou um deles escapando rumo ao céu, voando inatingível, teve certeza que aquelas seriam suas asas.

"Amarelas", pediu ao pai, falando com dificuldade a letra R.

Ansiosa, esticou os bracinhos brancos abrindo as mãos, cheias de covinhas onde a pele era fofa, em direção ao pai, que entendeu o pedido e imediatamente amarrou dois balões amarelos em cada pulso da menina.

Os minutos seguintes foram pontuados por um descontentamento silencioso. Com os olhos úmidos, ela fitava suas asas amarelas e não compreendia a razão de estar em terra firme, ainda. Olhou para o pai e disse:

- Foi porque eu comi aquele chocolate antes do almoço e você disse que era porcaria que engorda? Fiquei pesada?

Com pena, o pai sorriu. Disse que esperasse um momento e resolveria seu problema.

Voltou com óculos de brinquedo, de lentes cobertas por um papel colorido. Colocou-os no rosto de Liana, que achou a brincadeira engraçada, mesmo sem dar muito crédito ao que viria pela frente por não ter idéia de como continuar. Enquanto ela esperava imóvel (porque crianças, quando são privadas de sua visão ficam estáticas, ainda que em posição de ataque, mantendo um sorriso maroto nos lábios entreabertos), o pai buscou sua velha bicicleta, aquela que já sofria com reumatismo e artrite, e colocou a cadeirinha da pequena onde encaixava. Ensaiou uma pedalada, funcionava.

Voltou triunfante, como só os pais que realizam os sonhos dos filhos entenderiam. Colocou a menina na cadeirinha, atou os cintos de segurança e saiu pedalando pelas ruas, o mais rápido que podia, enquanto gritava "abra as asas, bata as asinhas, para cima e para baixo!".

Liana mal cabia em si, sufocada com o ar no rosto e aquela sensação de liberdade e de meta alcançada que ela só viria a compreender mais velha, quando conseguisse vencer um jogo no colégio, conquistar o menino mais bonito da turma, passar no vestibular ou ser contratada pela empresa que desejasse.

De qualquer forma, aquele foi o momento mais feliz na vida dos dois.

quinta-feira, março 01, 2007

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Pantera - Walk




Cant you see Im easily bothered by persistence
One step from lashing out at you...
You want in to get under my skin
And call yourself a friend
Ive got more friends like you
What do I do?

(pre) is there no standard anymore?
What it takes, who I am, where Ive been
Belong
You cant be something youre not
Be yourself, by yourself
Stay away from me
A lesson learned in life
Known from the dawn of time

(chorus) respect, walk

Run your mouth when Im not around
Its easy to achieve
You cry to weak friends that sympathize
Can you hear the violins playing you song?
Those same friends tell me your every word

(pre)

(chorus)

Are you talking to me?
No way punk

Charles Bukowski: um pouco do velho safado








"Tudo bem, Deus, digamos que Você esteja mesmo aí. Foi Você que me colocou nesta. Você queria me testar. E que tal se eu O testasse? E que tal se eu dissesse que Você não está aí? Você já me expôs ao teste supremo me dando esses pais e estas espinhas. Acho que passei no Seu teste. Sou mais durão do que Você. Se Você tivesse coragem de descer aqui, agora, eu cuspiria na Sua cara, se é que Você tem cara. E Você caga? O padre nunca respondeu a essa questão. Ele nos disse para não duvidarmos. Duvidar do quê? Acho que você já passou doslimites comigo, por isso, desafio-O a descer até aqui para que eu possa aplicar o meu teste em Você!Esperei. Nada. Esperei por Deus. Esperei infinitamente. Acho que peguei no sono.
Deus é só mais um bundão!"

Brujeria - Revolución



Oygan o se chingan, no sean pendejos
Gobierno de Mexico ya vale madre
P.R.I. manda todo, son comunistas
Indios y pobres, no tienen chanzas
Donde estan todos los topos
En la selva ya estan
En la ciudad hay que comenzar
Hay que meterse en cada rincon
Cabrones del P.R.I. - comunismo
Despierten todos - revolucian
Con machetes - armanse
Ejercitos indios - zapatistas
Comandante Marcos - mandanos
Cubre tu cara - subterraneo
Son topos guerrilleros - revolucian
Son topos locos!!! - revolucian
Viva Zapata, Viva Chiapas
Viva Mexico, Viva la revolucian
No sean coyones - haganse hombres
Ya empezaron - hay que acabarlo
Quieren ser ratas or quieren ser hombres
Si no pa' ti - por tus hijos
Comunismo, satanismo, P.R.I.- es lo mismo

Gaiolas e asas - Rubem Alves

Os pensamentos me chegam de forma inesperada, sob a forma de aforismos. Fico feliz porque sei que Lichtenberg, William Blake e Nietzsche frequentemente eram também atacados por eles. Digo "atacados" porque eles surgem repentinamente, sem preparo, com a força de um raio. Aforismos são visões: fazem ver, sem explicar. Pois ontem, de repente, esse aforismo me atacou: "Há escolas que são gaiolas. Há escolas que são asas".


Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do vôo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-las para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o vôo.

Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são os pássaros em vôo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros. O vôo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.

Esse simples aforismo nasceu de um sofrimento: sofri conversando com professoras de segundo grau, em escolas de periferia. O que elas contam são relatos de horror e medo. Balbúrdia, gritaria, desrespeito, ofensas, ameaças... E elas, timidamente, pedindo silêncio, tentando fazer as coisas que a burocracia determina que sejam feitas, como dar o programa, fazer avaliações... Ouvindo os seus relatos, vi uma jaula cheia de tigres famintos, dentes arreganhados, garras à mostra - e a domadoras com seus chicotes, fazendo ameaças fracas demais para a força dos tigres.

Sentir alegria ao sair de casa para ir à escola? Ter prazer em ensinar? Amar os alunos? O sonho é livrar-se de tudo aquilo. Mas não podem. A porta de ferro que fecha os tigres é a mesma porta que as fecha com os tigres.

Nos tempos de minha infância, eu tinha um prazer cruel: pegar passarinhos. Fazia minhas próprias arapucas, punha fubá dentro e ficava escondido, esperando... O pobre passarinho vinha, atraído pelo fubá. Ia comendo, entrava na arapuca e pisava no poleiro. E era uma vez um passarinho voante. Cuidadosamente eu enfiava a mão na arapuca, pegava o passarinho e o colocava dentro de uma gaiola. O pássaro se lançava furiosamente contra os arames, batia as asas, crispava as garras e enfiava o bico entre os vãos. Na inútil tentativa de ganhar de novo o espaço, ficava ensanguentado... Sempre me lembro com tristeza da minha crueldade infantil.

Violento, o pássaro que luta contra os arames da gaiola? Ou violenta será a imóvel gaiola que o prende? Violentos, os adolescentes de periferia? Ou serão as escolas que são violentas? As escolas serão gaiolas? Vão me falar sobre a necessidade das escolas dizendo que os adolescentes de periferia precisam ser educados para melhorarem de vida. De acordo. É preciso que os adolescentes, que todos, tenham uma boa educação. Uma boa educação abre os caminhos de uma vida melhor. Mas eu pergunto: nossas escolas estão dando uma boa educação? O que é uma boa educação?

O que os burocratas pressupõe sem pensar é que os alunos ganham uma boa educação se aprendem os conteúdos dos programas oficiais. E, para testar a qualidade da educação, criam mecanismos, provas e avaliações, acrescidos dos novos exames elaborados pelo Ministério da Educação.

Mas será mesmo? Será que a aprendizagem dos programas oficiais se identifica com o ideal de uma boa educação? Você sabe o que é "dígrafo"? E os usos da partícula "se"? E o nome das enzimas que entram na digestão? E o sujeito da frase "Ouviram do Ipiranga as margens plácidas de um povo heróico o brado retumbante"? Qual a utilidade da palavra "mesóclise"? Pobres professoras, também engaioladas... São obrigadas a ensinar o que os programas mandam, sabendo que é inútil. Isso é hábito velho das escolas. Bruno Bettelheim relata sua experiência com as escolas: "Fui forçado (!) a estudar o que os professores haviam decidido que eu deveria aprender. E aprender à sua maneira".

O sujeito da educação é o corpo, porque é nele que está a vida. É o corpo que quer aprender para poder viver. É ele que dá as ordens. A inteligência é um instrumento do corpo cuja função é ajudá-lo a viver. Nietzsche dizia que ela, a inteligência, era "ferramenta" e "brinquedo" do corpo. Nisso se resume o programa educacional do corpo: aprender "ferramentas", aprender "brinquedos".

"Ferramentas" são conhecimentos que nos permitem resolver os problemas vitais do dia-a-dia. "Brinquedos" são todas aquelas coisas que, não tendo nenhuma utilidade como ferramentas, dão prazer e alegria à alma.

Nessas duas palavras, ferramentas e brinquedos, está o resumo da educação. Ferramentas e brinquedos não são gaiolas. São asas. Ferramentas me permitem voar pelos caminhos do mundo.

Brinquedos me permitem voar pelos caminhos da alma. Quem está aprendendo ferramentas e brinquedos está aprendendo liberdade, não fica violento. Fica alegre, vendo as asas crescer... Assim todo professor, ao ensinar, teria de se perguntar: "Isso que vou ensinar, é ferramenta? É brinquedo?" Se não for, é melhor deixar de lado.

As estatísticas oficiais anunciam o aumento das escolas e o aumento dos alunos matriculados. Esses dados não me dizem nada. Não me dizem se são gaiolas ou asas. Mas eu sei que há professores que amam o vôo dos seus alunos.

Há esperança...

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Paranoid Android - Radiohead



Please could you stop the noise, I'm trying get some rest
From all the unborn chicken voices in my head
What's that...? (I may be paranoid, but not an android)
What's that...? (I may be paranoid, but not an android)

When I am king, you will be first against the wall
with your opinion which is of no consequence at all
What's that...? (I may be paranoid, but no android)
What's that...? (I may be paranoid, but no android)

Ambition makes you look pretty ugly
Kicking, squealing gucci little piggy
You don't remember
You don't remember
Why don't you remember my name?
Off with his head, man
Off with his head, man
Why don't you remember my name? I guess he does...

Rain down, rain down
Come on rain down on me
From a great height
From a great height... height...
Rain down, rain down
Come on rain down on me
From a great height
From a great height... height...
Rain down, rain down
Come on rain down on me

That's it sir
You're leaving
The crackle of pigskin
The dust and the screaming
The yuppies networking
The panic, the vomit
The panic, the vomit
God loves his children, God loves his children, yeah!

(tradução)

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Cinema - Bruno Braga

Entrou no cinema. Contou onze pessoas dentro daquela sala imensa. O vazio da grande maioria das cadeiras tornava possível ouvir cada sussurro e cada movimento da escassa platéia. Pensou como era engraçado a relatividade das coisas. Aquelas onze pessoas dentro do seu quarto num domingo à noite assistindo um filme qualquer na sua televisão de 29 polegadas, em meio a tantos papéis e roupas espalhadas pelo chão, seriam uma multidão. Naquela sala de cinema, porém, passavam quase despercebidas.

Havia dois casais, um grupo de três amigas, dois moleques que não pareciam ter mais de doze anos e mais duas pessoas sozinhas, assim como ele. Não tinha o costume de ir só pro cinema, mas queria muito ver o filme e não estava a fim de encontrar ninguém naquele dia. Não agüentava mais as mesmas pessoas, as mesmas conversas. Queria o escuro do cinema, a solidão de sua cadeira em meio a pessoas completamente estranhas. Precisava de um momento assim, pra ele mesmo.

Sentou-se atrás, na penúltima fileira. Como ainda tinha alguns minutos antes que começassem os trailers, se entreteve observando os outros expectadores. Um dos casais se agarrava intensamente, enquanto o outro trocava carícias mais contidas e risadinhas que demonstravam maior intimidade. Enquanto fitava o grupo de três amigas que falava sobre algo relacionado a roupas, foi pego de surpresa por uma nova integrante na rasa platéia. Ela sentou duas cadeiras ao seu lado. Encarou-a, mas ela não parecia notar sua presença. Não entendia como uma garota tão linda podia estar num cinema sozinha. Não era do tipo que anda sem namorado por aí.

No final do filme, ainda a encarava. Ela ainda sem dar nem sinal de retorno a sua tentativa frustrada de troca de olhares. Acenderam novamente as luzes, voltou a vê-la, seu perfil enquanto ajeitava os cabelos. Achava que se pode dizer muito de uma mulher pelo jeito como ela mexe nos cabelos. Ela mexia exatamente como ele prevera, sutil, delicada, indiferente, como quem não nota a presença de mais ninguém ao seu redor, porém segura e confiante. Não tirava os olhos dela. Depois de longo período que não tem idéia quanto durou ela, com os cabelos presos, devolveu-lhe o olhar por um único e breve momento. Não demorou mais que três segundos para ela voltar seu rosto pro outro lado, levantar-se e sair do cinema. Se ela me olhasse mais uma vez, uma única vez, se ao menos nota-se minha presença, pensou. Nada aconteceu. E, assim como chegou, saiu sozinho do cinema.

Lá fora, ela se perguntava o que ele fazia sozinho no cinema. Estava nervosa, com medo de ter parecido muito oferecida tendo sentado a duas cadeiras dele, tendo tantas outras livres na sala quase vazia. Já o tinha notado na fila para comprar o ingresso, seu jeito apreensivo, meio sem graça de estar sozinho numa fila de cinema. Por isso não resistiu de sentar perto dele. Não queria parecer oferecida. Apenas sentia que ele precisava de companhia, de alguém novo, desconhecido. Uma estranha. Na saída, ainda lançou um último olhar, na esperança de que ele fosse ao seu encontro, a notasse, e ela deixasse de ser uma estranha para ele. Nada aconteceu.

(conheçam os belos textos del Chuco clicando
aqui)

domingo, fevereiro 11, 2007

Buena Vista Social Club



De Alto Cedro voy para Macané
Llego al Puerto voy para Mayarí

El cariño que te tengo
Yo no lo puedo negar
Se me sale la babita
Yo no lo puedo evitar

Cuando Juanica y Chan Chan
En el mar cernían arena
Como sacudía el 'jibe'
A Chan Chan le daba pena

Limpia el camino de pajas
Que yo me quiero sentar
En aquel tronco que veo
Y así no puedo llegar

De Alto Cedro voy para Macané
Llego al Puerto voy para Mayarí

"Durante muitos anos, artistas cubanos da vanguarda ficaram no ostracismo; muitos deles sem tocar seus instrumentos por mais de 10 anos.
O produtor musical Ry Cooder, com a expectativa de encontrar artistas cubanos e reuni-los para a gravação de um disco, viajou até Havana em 1996. Entre os mais famosos, destacam-se Ibrahim Ferrer, Compay Segundo, Omara Portuondo, Eliades Ochoa e Rubén Gonzáles.
O título do disco, Buena Vista Social Club, é uma referência a uma antiga casa de shows cubana, que havia deixado de existir por volta dos anos 50.
O documentário mostra, a partir do retorno de Ry Cooder a Havana, em 1998, as histórias de vida dos músicos cubanos envolvidos no projeto e como o sucesso do disco Buena Vista Social Club, premiado com um Grammy, que se reflete nas apresentações dos artistas em Amsterdam (HOL) e no Carnegie Hall, em Nova Iorque (EUA), transformou a vida dessas pessoas."

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Chico Buarque - Construção



Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acbou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público

Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contramão atrapalhando o sábado

Monoface


(clique aqui e faça seu próprio rosto)

Propaganda da Axe


(clique aqui e use a pena da melhor forma)

Diferença entre homem e mulher no banho


How To Shower - Men & Women - video powered by Metacafe

Funny Sponge

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Amor e Loucura, juntos - Silvia Curiati

A Loucura resolveu convidar os amigos para tomar um café em sua casa.
Todos os convidados foram. Após tomarem café a Loucura propôs:
- Vamos brincar de esconde-esconde?
Todos aceitaram, menos o Medo e a Preguiça.
- 1, 2, 3, ... - a Loucura começou a contar.
A Pressa se escondeu primeiro, em um lugar qualquer.
A Timidez, tímida como sempre, escondeu-se na copa de uma árvore.
A Alegria correu para o meio do jardim.
Já a Tristeza começou a chorar, pois não achava um local apropriado para se esconder.
A Inveja acompanhou o Triunfo e se escondeu perto dele, debaixo de uma pedra.
O Desespero ficou desesperado ao ver que a Loucura já estava no noventa e nove ...
- Cem, gritou a Loucura. Vou começar a procurar.
A primeira a aparecer foi a Curiosidade, já que não agüentava mais.
Ao olhar para o lado, a Loucura viu a Dúvida em cima de uma cerca sem saber em qual dos lados iria se esconder.
E assim foram aparecendo a Alegria, a Tristeza, a Timidez...
Quando estavam todos reunidos, a Curiosidade perguntou: - Onde está o Amor?
Ninguém o tinha visto.
A Loucura começou a procurá-lo. Procurou em cima da montanha, nos rios, debaixo das pedras e nada do Amor aparecer.
Procurando por todos os lados a Loucura viu uma roseira, pegou um pauzinho e começou a vasculhar entre os galhos, quando de repente ouviu um grito.
Era o Amor, que havia furado o olho com espinho. A Loucura não sabia o que fazer. Pediu desculpas, implorou pelo perdão do Amor e até prometeu seguir-lhe para sempre.
O Amor aceitou as desculpas.
Desde então, o Amor é cego e a Loucura sempre o acompanha...

domingo, fevereiro 04, 2007

Coldplay - Speed of Sound


How long, before I get in?
Before it starts, before I begin?
How long before you decide?
before I know what it feels like?

Where to, where do I go?
If you never try, then you'll never know
How long do I have to climb?
Up on the side of this mountain of mine?

Look up, I look up at night
Planets are moving at the speed of light
Climb up, up in the trees
Every chance you get is a chance you seize
How long am I gonna stand
With my head stuck under the sand?
I'll start before I can stop
Before I see things the right way up

All that noise and
all that sound
All those places I got found
And birds go flying at the speed of sound
To show you how it all began
Birds came flying from the underground
If you could see it, then you'll understand

Ideas that you'll never find
All the inventors could never design
The buildings that you put up
Japan and China all lit up
A sign that I couldn't read
Or the light that I couldn't see
Some things you have to believe
But others are puzzles, puzzling me

All that noise and all that sound
All those places I got found
And birds go flying at the speed of sound
To show you how it all began
Birds came flying from the underground
If you could see it, then you'd understand
Ah when you see it, then you'll understand

All those signs I knew what they meant
Some things you can't invent
Some get made and some get sent
And birds go flying at the speed of sound
To show you how it all began
Birds came flying from the underground
If you could see it, then you'd understand
Ah when you see it, then you'll understand

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Os melhores vídeos dos Beatles


(clique aqui pra entrar no site. Lá, é só escolher o vídeo)

Como dirigir um tanque no Iraque

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Animação: Flashback


(clique aqui e curta a animação)

O amor deixa muito a desejar - Arnaldo Jabor

A Rita Lee fez uma música com a letra tirada de um artigo que escrevi, sobre amor e sexo.
A música é linda, estou emocionado, não mereço tão subida honra, quem sou eu, quase enxuguei uma furtiva lágrima com minha "gélida manina" por estar num disco, girando na vitrola sem parar com Rita, aquela hippie florida com consciência crítica, aquela hippie paródica, aquela mulher divinamente dividida, de noiva mutante ou de cartola e cabelo vermelho que, em 67, acabou com a caretice de Sampa e de suas lindas "minas" pálidas.
A música veio mesmo a calhar, pois ando com uma fome de arte, ando com saudade da beleza, ando com saudade de tudo, saudade de alguma delicadeza, paz, pois já não agüento mais ser apenas uma esponja absorvendo e comentando os bodes pretos que os políticos produzem no Brasil e o Bush lá fora. Ando meio desesperançado, mas essa canção de Rita trouxe de volta a minha mais antiga lembrança de amor. Isso mesmo: a canção me trouxe uma cena que, há mais de 50 anos, me volta sempre. Sempre achei que esse primeiro momento foi tão tênue, tão fugaz que não merecia narração. Mas, vou tentar.
Eu devia ter uns 6 anos, no máximo. Foi meu primeiro dia de aula no colégio, lá no Meier, onde minha mãe me levou, pela Rua 24 de Maio, coberta de folhas de mangueira que o vento derrubava. Fiquei sozinho, desamparado, sem pai nem mãe no colégio desconhecido. No pátio do recreio, crianças corriam. Uma bola de borracha voou em minha direção e bateu em meu peito. Olhei e vi uma menina morena, de tranças, com olhos negros, bem perto, me pedindo a bola e, nesse segundo, eu me apaixonei. Lembro-me de que seu queixo tinha um pequeno machucado, como um arranhão com mercúrio-cromo, lembro-me que ela tinha um nariz arrebitado, insolente e que, num lampejo, eu senti um tremor desconhecido, logo interrompido pelo jogo, pela bola que eu devolvi, pelos gritos e correria do recreio. Ela deve ter me olhado no fundo dos olhos por uns três segundos mas, até hoje, eu me lembro exatamente de sua expressão afogueada e vi que ela sentira também algum sinal no corpo, alguma informação do seu destino sexual de fêmea, alguma manifestação da matéria, alguma mensagem do DNA. Recordando minha impressão de menino, tenho certeza de que nossos olhos viram a mesma coisa, um no outro. Senti que eu fazia parte de um magnetismo da natureza que me envolvia, que envolvia a menina, que alguma coisa vibrava entre nós e senti que eu tinha um destino ligado àquele tipo de ser, gente que usava trança, que ria com dentes brancos e lábios vermelhos, que era diferente de mim e entendi vagamente que, sem aquela diferença, eu não me completaria. Ela voltou correndo para o jogo, vi suas pernas correndo e ela se virando com uma última olhada.
Misteriosamente, nunca mais a encontrei naquela escola. Lembro-me que me lembrei dela quando vi aquele filme Love Story, não pelo medíocre filme, mas pelo rosto de Ali McGraw, que era exatamente o rosto que vivia na minha memória. Recordo também, com estranheza, que meu sentimento infantil foi de "impossibilidade"; aquele rosto me pareceu maravilhoso e impossível de ser atingido inteiramente, foi um instante mágico ao mesmo tempo de descoberta e de perda. Escrevendo agora, percebo que aquela sensação de profundo "sentido" que tive aos 6 anos pode ter marcado minha maneira de ser e de amar pelos tempos que viriam. Senti a presença de algo belíssimo e inapreensível que, hoje, velho de guerra, arrisco dizer que talvez seja essa a marca do amor: ser impossível. Calma, pessoal, claro que o amor existe, nem eu sou um masoquista de livro, mas a marca do sublime, o momento em que o impossível parece possível, quando o impalpável fica compreensível, esse instante se repetiu no futuro por minha vida, levando-me para um trem-fantasma de alegrias e dores.
Amar é parecido com sofrer - Luís Melodia escreveu, não foi? Machado de Assis toca nisso na súbita consciência do amor entre Bentinho e Capitu:
"Todo eu era olhos e coração, um coração que desta vez ia sair, com certeza, pela boca."
Isso: felicidade e medo, a sensação de tocar por instantes um mistério sempre movente, como um fotograma que pára por um instante e logo se move na continuação do filme. Sempre senti isso em cada visão de mulheres que amei: um rosto se erguendo da areia da praia, uma mulher fingindo não me ver, mas vendo-me de costas num escritório do Rio... São momentos em que a "máquina da vida" parece se explicar, como se fosse uma lembrança do futuro, como se eu me lembrasse ali, do que iria viver.
Esses frêmitos de amor acontecem quando o "eu" cessa, por brevíssimos instantes, e deixamos o outro ser o que é em sua total solidão. Vemos um gesto frágil, um cabelo molhado, um rosto dormindo, e isso desperta em nós uma espécie de "compaixão" pelo nosso próprio desamparo, entrevisto no outro.
A cultura americana está criando um "desencantamento" insuportável na vida social. Vejam a arte tratada como algo desnecessário, sem lugar, vejam as mulheres nuas amontoadas na internet. Andamos com fome de beleza em tudo, na vida, na política, no sexo; por isso, o amor é uma ilusão sem a qual não podemos viver. Todas essas tênues considerações, essas lembranças de lembranças, essa tentativa de capturar lampejos tão antigos, com risco de ser piegas, tudo isso me veio à cabeça pela emoção de me ver subitamente numa música, parceiro de Rita Lee, "lovely Rita", a mais completa tradução de São Paulo, essa cidade cheia de famintos de amor.

terça-feira, janeiro 23, 2007

Jogo: World Domination Battle


(Clique aqui e jogue com os clássicos)

sábado, janeiro 20, 2007

Curta: Tomek Baginski - The Cathedral

Curta-metragem: Balance

Animação: Kiwi - O Preço da Liberdade

Bobagens românticas - Airton Monte

Quando eu era jovem e um rebelde sem causa, andava pelos bares de Fortaleza como um fantasma, mergulhado no silêncio cúmplice da madrugada. Diante de cada porta, meus sentidos estavam despertos e atentos aos mínimos detalhes. Já achava que beber sozinho era um acontecimento triste. Eu via as pessoas como crianças desesperadas, desprotegidas na sua solidão compartilhada. Só assim, pensava, eu conseguia amá-las, mas não era amor que eu sentia, era piedade. Talvez de mim mesmo, de minha suposta generosidade. Como era tolo quando era jovem.
Por vezes, me dava um pavor juvenil pela suprema tolice de pensar que podia jogar o jogo da vida sem comprometer-me. Eu tentava ver as pessoas como se elas fizessem parte de um jardim zoológico, eu, é claro, ficava do lado de fora das jaulas e observava as pessoas com olhinhos cruéis de um taxonomista. De madrugada, numa cidade então sem muitos perigos, caminhava pelas ruas desertas, esperando que enfim amanhecesse. Vinha uma vontade maluca de acordar as pessoas do marasmo em que eu acreditava que viviam.
Era-me impossível amá-las, não a tais pessoas sujas, frias, desconhecedoras da beleza e impregnadas do cheiro da morte, enquanto dentro de mim novas palavras ferviam, novas idéias se agitavam e afloravam-me novas descobertas a respeito de mim, do mundo. Eu apenas sofria de tristeza como outros sofriam do fígado. E fingia que não tinha medo e zombava da minha solidão sem perceber que estava cada vez mais só, mais sofrido, mais amargo, mais aprisionado a meus fantasmas. Nem desconfiava ser o pior de meus inimigos, porque o mais solerte.
Um pouco depois, já me cansava em ser um rebelde sem causa, queria ser poeta. E que ser poeta não era fácil nem difícil, e se o fosse, jamais conseguiria deixar de sê-lo. E caminhar sobre o gume de uma faca e por incrível que pareça, cortar realmente os pés e mesmo assim, mutilado, prosseguir, embora a alma fosse se tornando um mapa-mundi de cicatrizes. Nunca acreditei no mito que faz dos poetas elefantes moribundos em busca de seu inefável cemitério. Ser poeta é uma coisa à toa. Qualquer um pode ser, desde que o seja.

quarta-feira, janeiro 17, 2007

O homem que não tinha nada - Silvia Curiati

Ele não tinha nada. Não tinha casa, não tinha carro, não tinha filhos nem mulher, não tinha mãe, nunca teve pai, não tinha idéias, vontades, aspirações, curiosidades, desejos, metas, medos.
Era a sua maneira livre de levar a vida, sem amarras, que o fazia sorrir todas as manhãs no elevador, como se fosse o homem mais feliz daquele lugar. Às vezes, quando eu chegava a pé depois de uma caminhada, o via vigiando os arredores. E sempre quando terminava, dava tapinhas no muro do prédio como fazemos nas costas de um amigo quando queremos dizer "é isso aí", ou "você vai longe". Aquele gesto que transmite ao mesmo tempo carinho, orgulho e estímulo.
Zelou por alguns anos ainda, depois que o conheci. Quando faleceu, limparam o seu quartinho modesto e lá encontraram uma única posse, pequena, que foi enterrada ao lado da árvore mais próxima à guarita, para que ninguém mais conhecesse o segredo de sua alegria.

Vencedores do Globo de Ouro 2006

CINEMA

Melhor Filme - Drama
Babel
Os Infiltrados
Bobby
Pecados Íntimos
The Queen

Melhor Atriz - Drama
Helen Mirren - The Queen
Penélope Cruz - Volver
Judi Dench - Notes on a Scandal
Maggie Gyllenhaal - Sherrybaby
Kate Winslet - Pecados Íntimos

Melhor Ator - Drama
Forest Whitaker - O último rei da Escócia
Leonardo DiCaprio - Diamante de Sangue
Leonardo DiCaprio - Os Infiltrados
Peter O'Toole - Venus
Will Smith - À procura da Felicidade

Melhor Filme - Comédia ou Musical
Dreamgirls - Em busca de um sonho
Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan
O Diabo veste Prada
Pequena Miss Sunshine
Obrigado por Fumar

Melhor Atriz - Comédia ou Musical
Meryl Streep - O Diabo veste Prada
Annette Bening - Correndo com tesouras
Toni Collette - Pequena Miss Sunshine
Beyoncé Knowles - Dreamgirls - Em busca de um sonho
Renée Zellweger - Senhorita Potter

Melhor Ator - Comédia ou Musical
Sacha Baron Cohen - Borat
Johnny Depp - Piratas do Caribe - O Baú da Morte
Aaron Eckhart - Obrigado por Fumar
Chiwetel Ejiofor - Kinky Boots
Will Ferrell - Mais Estranho que a Ficção

Melhor Animação
Carros
Happy Feet - O Pingüim
A Casa Monstro

Melhor Filme em Língua Estrangeira
Cartas de Iwo Jima (EUA/Japão)
Apocalypto (EUA)
The Lives of Others (Alemanha)
O Labirinto do Fauno (México)
Volver (Espanha)

Melhor Atriz Coadjuvante
Jennifer Hudson - Dreamgirls - Em Busca de um Sonho
Adriana Barraza - Babel
Cate Blanchett - Notes on a Scandal
Emily Blunt - O Diabo veste Prada
Rinko Kikuchi - Babel

Melhor Ator Coadjuvante
Eddie Murphy - Dreamgirls - Em Busca de um Sonho
Ben Affleck - Hollywoodland - Bastidores da Fama
Jack Nicholson - Os Infiltrados
Brad Pitt - Babel
Mark Wahlberg - Os Infiltrados

Melhor Diretor
Martin Scorsese - Os Infiltrados
Clint Eastwood - A Conquista da Honra
Clint Eastwood - Letters from Iwo Jima
Stephen Frears - The Queen
Alejandro González Iñárritu - Babel

Melhor Roteiro
Peter Morgan - The Queen
Guillermo Arriaga - Babel
Todd Field & Tom Perrotta - Pecados Íntimos
Patrick Marber - Notes on a Scandal
William Monahan - Os Infiltrados

Melhor Trilha Sonora
Alexandre Desplat - The Painted Veil
Clint Mansell - Fonte da Vida
Gustavo Santaolalla - Babel
Carlo Siliotto - Nomad
Hans Zimmer - O Código Da Vinci

Melhor Canção
"The Song of the Heart" - Happy Feet - O Pingüim
"A Father's Way" - À Procura da Felicidade
"Listen" - Dreamgirls - Em Busca de um Sonho
"Never Gonna Break My Faith" - Bobby
"Try Not to Remember" - Home of the Brave

TELEVISÃO

Melhor Série - Drama
Grey's Anatomy
24 Horas
Amor Imenso
Heroes
Lost

Melhor Atriz - Série Dramática
Kyra Sedgwick - The Closer
Patricia Arquette - Medium
Edie Falco - Família Soprano
Evangeline Lilly - Lost
Ellen Pompeo - Grey's Anatomy

Melhor Ator - Série Dramática
Hugh Laurie - House
Patrick Dempsey - Grey's Anatomy
Michael C. Hall - Dexter
Bill Paxton - Amor Imenso
Kiefer Sutherland - 24 Horas

Melhor Série - Humor ou Musical
Ugly Betty
Desperate Housewives
Entourage
The Office
Weeds

Melhor Atriz - Série de Humor ou Musical
America Ferrera - Ugly Betty
Marcia Cross - Desperate Housewives
Felicity Huffman - Desperate Housewives
Julia Louis-Dreyfus - The New Adventures of Old Christine
Mary-Louise Parker - Weeds

Melhor Ator - Série de Humor ou Musical
Alec Baldwin - 30 Rock
Zach Braff - Scrubs
Steve Carell - The Office
Jason Lee - My Name Is Earl
Tony Shalhoub - Monk

Melhor Minissérie ou Telefilme
Elizabeth I
Bleak House
Broken Trail
Mrs. Harris
Prime Suspect: The Final Act

Melhor Atriz - Minissérie ou Telefilme
Helen Mirren - Elizabeth I
Gillian Anderson - Bleak House
Annette Bening - Mrs. Harris
Helen Mirren - Prime Suspect: The Final Act
Sophie Okonedo - Tsunami, The Aftermath

Melhor Ator - Minissérie ou Telefilme
Bill Nighy - Gideon's Daughter
André Braugher - Thief
Robert Duvall - Broken Trail
Michael Ealy - Sleeper Cell: American Terror
Chiwetel Ejiofor - Tsunami, The Aftermath
Ben Kingsley - Mrs. Harris
Matthew Perry - The Ron Clark Story

Melhor Atriz Coadjuvante - Série, Minissérie ou Telefilme
Emily Blunt - Gideon's Daughter
Toni Collette - Tsunami, The Aftermath
Katherine Heigl - Grey's Anatomy
Sarah Paulson - Studio 60 on the Sunset Strip
Elizabeth Perkins - Weeds

Melhor Ator Coadjuvante - Série, Minissérie ou Telefilme
Jeremy Irons - Elizabeth I
Thomas Haden Church - Broken Trail
Justin Kirk - Weeds
Masi Oka - Heroes
Jeremy Piven - Entourage

Filme: Fúria de Titãs - Perseu contra Medusa

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Curta: Jane Lloyd


Clique aqui e assista a esse curta sobre a brevidade da vida.

A vida é como um filme

Daqueles bem dramáticos, derrramadores de rios de lágrimas e românticos. Daqueles filmes com enredo complexo, não muito culto, algo bem simples, mas de tão simples, complexo. Algo cheio de questionamentos, de porquês e com poucas respostas (mas muitos sentimentos).
A vida é como um filme de Chaplin. Em preto e branco, com espertalhões, ditadores, meninas surdas e amorosas, pessoas surdas e não-amorosas. A vida é como um filme de Tarantino: sangrenta, malvada, pevertida, sexual e carnal. E a vida é como um filme de Wood Allen: colorida, fatídica, intensa, generosa, apaixonate, espiritual e justiceira.
Para mim, viver é isso: grande e ambíguas emoções, com muitos questionamentos, poucas soluções mas muita emoção. E viver, para mim, faz parte de compartilhar minhas idéias e ideias com todos. O Parerga é o espaço que todos nós temos para soltar o verbo e dizer: eu vivo, portanto penso.

A versalidade da palavra FUCK

domingo, janeiro 14, 2007

Como nascem os paradigmas

Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula, em cujo centro puseram uma escada e, sobre ela, um cacho de bananas. Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, o cientistas lançavam um jato de água fria nos que estavam no chão. Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros enchiam-no de pancadas. Passado mais algum tempo, nenhum macaco subia mais a escada, apesar da tentação das bananas. Então, os cientistas substituíram um dos cinco macacos.
A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, dela sendo rapidamente retirado pelos outros, que o surraram. Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não mais subia a escada. Um segundo foi substituído, e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado, com entusiasmo, da surra ao novato. Um terceiro foi trocado, e repetiu-se o fato. Um quarto e, finalmente, o último dos veteranos foi substituído. Os cientistas ficaram, então, com um grupo de cinco macacos que, mesmo
nunca tendo tomado um banho frio, continuavam batendo naquele que tentasse chegar às bananas. Se fosse possível perguntar a algum deles porque batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria: "Não sei, as coisas sempre foram assim por aqui...". Você não deve perder a oportunidade de passar esta história para seus amigos,para que, vez por outra, questionem-se porque estão batendo...

The Doors - The Severed Garden

Em defesa do padrão - João Ubaldo Ribeiro

Não entendo nada de mulher, claro. Aliás, ninguém entende, nem mesmo Freud, que, num momento de aparente exasperação, perguntou o que as mulheres querem e morreu sem saber. Por sobre isso, mister se faz ressalvar que as considerações abaixo são feitas apenas por um amador, esforçadíssimo mas jamais um craque junto a elas, não contando com a experiência de certos amigos meus (alguns já finados, devem ter morrido disso), muito mais afeitos ao convívio com o afamado Eterno Feminino. Para parco consolo nosso, creio que minha condição é partilhada pela maioria dos cada vez mais perplexos machos da espécie. Somos mais ou menos como torcedores de futebol - temos teorias que julgamos irretorquíveis, mas bem poucos somos bons de bola.

Sou provocado a aventurar-me em terreno tão resvaladiço por causa das notícias, cada vez mais freqüentes, de moças que, na busca de atingir o padrão de beleza vigente, caem vítimas de anorexia nervosa e morrem. Ninguém gosta de saber desses acontecimentos tristes, motivados pela ânsia de identificação com o modelo hegemônico ou, mais patético ainda, pelo afã de ter sucesso numa carreira equivocadamente julgada fácil, mas dificílima e penosíssima, onde um número enorme de jovens se perde todos os anos. Mas, claro, só aparecem as lindas e bem-sucedidas, cuja vida para suas admiradoras é um mar de rosas de festas e glamour. E que padrão de beleza é esse, será mesmo o padrão, digamos, ´natu-ral´, será de fato o preferido por homens e mulheres que não estão comprometidos com o conhecido ´Barbie look´?

Quanto às mulheres, massacradas sem clemência por gostosas irretocáveis (na verdade retocadas pelo Photoshop), que não têm uma manchinha na pele, uma estriazinha escondida, uma celulitezinha e ostentam dotes de uma perfeição na verdade fictícia, não posso falar muito. Mas quanto aos homens posso, porque ouço a opinião de muitos deles e não só saudosistas do modelo violão (em inglês ´hourglass look´, aparência de ampulheta), mas jovens também. Em primeiro lugar, devo afirmar enfaticamente, não por demagogia ou qualquer interesse subalterno, mas em função de uma permanente pesquisa sociológica informal, existe vasto e devotado mercado para as gordinhas e até para as mais gordinhas do que as gordinhas.

Meu querido e finado amigo Zé de Honorina deplorava a ´falta de carne´ da atualidade e a ausência de cintura que parece ser causada pela malhação contemporânea e admirava com sincero fervor estético certas enxúndias bem colocadas, em moças e senhoras que pas-savam pelo largo da Quitanda, onde fazíamos ponto. Eu mesmo tenho uma comadre gordinha, casada há décadas com um marido amantíssimo que a conheceu bem gordinha e fica indignado quando ela perde um quilinho.

Fatores culturais também interferem nisso. Se apreciamos uma calipígia (da bunda bela), as fronteiras com a esteatopígica (da bunda gordinha) são tê-nues e a rapaziada do boteco qualifica de divinal o que as americanas, que, para começo de conversa, não têm bunda nem para pensar em concorrer com a brasileira e, portanto, tendem a desdenhar o que não podem alcançar, consideram gorda. Mulher tem que ter cintura, violão ou ampulheta não interessa, mas é vital a formosa concavidade entre as costelas e as ancas.

Creio mesmo, que, consultada a opinião pública, tanto de homens como de mulheres, mesmo as descinturadas por uma malhação perversa, a maioria concordaria em que mulher tem que ter cintura, faz parte da figura feminina, é clássico, é até constituinte do doce mistério das mulheres. E há muitas gordinhas, sim senhor, mantidas no modelo violão. Está bem, violoncelo, mas com a cintura no lugar. E sei que as descinturadas, conscientemente ou não, também sabem disso, porque noto, entre as muito fotografadas, que elas procuram sempre posar curvando os quadris para um lado, fingindo ainda ter a cintura insensatamente perdida.

Agora, para alegria dos violonófilos e cinturistas, chega evidência científica de que o padrão esquelético ou Barbie nunca esteve com nada, não deverá estar com nada no futuro e só está com alguma coisa no presente devido a interesses de mercado circunstanciais. Diz aqui numa revista científica que o dr. indiano Devendra Singh, da Universidade do Texas, chefiando uma equipe que analisou centenas de milhares de textos literários ocidentais, onde eles refletiam as preferências estéticas de suas épocas, chegou à conclusão de que a cintura, notadamente, a cintura fina, sempre foi elogiadíssima nas mulheres e tida com um elemento básico em sua beleza.

Mais ainda, o dr. Singh estudou detidamente os dois grandes épicos indianos Mahabharata e Ramayana, além de poesia chinesa clássica, e as referências à beleza das mulheres com cintura fina são inúmeras. A tal ponto chegaram as pesquisas do Dr. Singh, também diz aqui na revista, que sua conclusão é de que o cérebro humano é naturalmente programado (wired) para considerar a cintura, principalmente a fina, como parte essencial da beleza feminina.

E, mais ainda, não se trataria de algo arbitrário na evolução da espécie, mas relacionado com a saúde. As que têm cintura- a-ha! -têm mais saúde. Isto sem dúvida abre horizontes quiçá radiosos para muitos de nós, homens ou mulheres, hoje escravizados pelo pensamento único imposto por estetas de meiatigela. Os modernos somos nós, os violonófilos; as antiquadas são as Barbies. Espero que o país se una em torno do restabelecimento do legítimo padrão nacional e que a mulher brasileira, pioneira natural solertemente desviada por uma falsa modernidade colonizada, reassuma sua estatuesca e inimitável majestade de Vênus tropical, das cheinhas às magrinhas, todas com cintura e bunda, o Criador seja louvado.

Fotografia





Clique aqui e conhece o excelente trabalho de Klaus Mitteldorf.

Filme: Corporações - Noam Chomsky



Flexibilidade do Mercado de Mão-de-obra:
Noam chomsky descreve como é vantajoso para as corporações, promover a insegurança no trabalho.

Francisca na direção - Silvia Curiati

Francisca usava óculos Ray-Ban e dirigia um carro vermelho com vidros abertos. Mantinha o som em volumes quase grosseiros aos tímpanos, e estava numa fase Guns'n'Roses. Sweet Child O'Mine em loop na ida e na volta. Alternava, às vezes, com You Could Be Mine. Ambas cantava a plenos pulmões, como se fosse o próprio Axl. Chamava a atenção no trânsito, ponto.

Aurélio atravessou a rua na frente do carro de Francisca, que obedecia a uma placa de Pare. Ela gritava "... but you´re waaaaaaay out of liiiiiine..." e ele olhou. Sentiu que aquela mulher estranha e instigante cruzaria seu caminho mais uma vez. Mas foi uma sensação rápida, nem eu mesma teria percebido se não fosse uma narradora onisciente.

Aurélio seguiu pela calçada do lado direito e Francisca dobrou à direita. Seguiram paralelos, ela de carro vermelho e ele a pé. Logo adiante, ela virou novamente à direita para entrar no estacionamento. É verdade que estava numa velocidade um tanto elevada para alguém que subiria numa calçada, mas Guns era contagioso "...yoooooou should be.....".

Foi quando suas vidas se cruzaram novamente, como Aurélio previu. A sua, no entanto, abreviada por mais uma destas fatalidades. Um encontro casual, nada mais.

Filme: Waking Life - O Existencialismo

sábado, janeiro 13, 2007

Eu sei, mas não devia - Marina Colasanti

Eu sei que a gente se acostuma.

Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E porque à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora.

A tomar café correndo porque está atrasado. A ler jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíches porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. A gente se acostuma a abrir a janela e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números da longa duração. A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que paga. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com o que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes, a abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema, a engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às besteiras das músicas, às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À luta. À lenta morte dos rios. E se acostuma a não ouvir passarinhos, a não colher frutas do pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda satisfeito porque tem sono atrasado. A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.

Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.

A gente se acostuma para poupar a vida.

Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.

sexta-feira, janeiro 12, 2007

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Arte de espremer cravos e espinhas - Xico Sá

Aqui nos pegamos, numa sessão de nostalgia com testosterona, para lembrar os tempos em que as mulheres espremiam nossas espinhas e tiravam todos os cravos do nariz e arredores - inclusive aqueles na ponta da napa, motivo suficiente para gritaria e espirros tantos da nossa parte.
Reclamávamos nesse momento, éramos chamados de frouxos. Inevitáveis comparações com a dor do parto e outras dores femininas ecoavam no ar nessa hora solene. E quando elas escolhiam justo a hora do futebol, o ataque do time deo coração...
Hoje, quando estão praticamente extintas as mulheres da brigada contra cravos e espinhas (conheço apenas um exemplar, uma descendente de Iracema, ali das subidas da gruta de Ubajara, que habita hoje a margem esquerda do Capibaribe, no Recife) , sentimos a perda, uma vez que nunca dominamos muito bem essa arte. Nem mesmo na adolescência, quando nos transformamos em verdadeiros e monstruosos Mr. Hydes - culpa, óbvio, do glorioso vício solitário, que além das espinhas ainda nos pregava pêlos na palma da mão.
Como não acreditamos nos milagrosos creminhos usados pelos metrossexuais - esse novo tipo de homem moderno gerado da costela de David Beckhan - preferimos incentivar o resgate da prática feminina de tirar cravos e espinhas, essa bela e útil mania praticamente extinta nos dias que correm.
Vez por outra ainda damos a sorte de avistar, em alguma parada de ônibus, uma voluntariosa senhora ou senhorita a espremer o rosto de um camarada. Sempre uma bela cena produzida pelos suburbanos corações.
Não tem a menor graça, nesse mundo tão imbecilmente profissionalizado, a limpeza de pele dos salões de beleza. Seu rosto ali entregue a amistosas funcionárias sem nenhuma intimidade, mulheres que nunca ouviram os nossos roncos de noite na cama. É o tipo de serviço que exige histórico de intimidades. Tal arte carece de pelo menos um mês de namoro ou acasalamento. Não é tarefa para qualquer uma. É tão delicado quanto tirar a roupa pela primeira vez na frente de outrem - e, pensando bem, uma reveladora prova de devoção.
A menos que seja uma perversa incatalogável, uma gazela não escarafuncha suas crateras à toa. Quando ela posiciona aqueles dois indicadores sobre a sua bíblica face, parece aceitar a convivência harmoniosa até com as nossas mais indignas impurezas. É provação. Coisa boa demais para a leseira das belas tardes de domingo.

link: Diario do Nordeste

quarta-feira, janeiro 03, 2007

O melhor de Jim Carrey

Vera De-Milo:
Jim Carrey e Will Ferrel:
Fire Marshall Bill:
Fire Marshall Bill II:

O poder de um decote - Silvia Curiati

Ela nunca usava decote, pensou ao entrar no restaurante. Tinha belas pernas, mas ele queria ver a sua saboneteira. Bem que hoje ela poderia abrir uma exceção. Não há nada mais sensual que saboneteiras salientes.

Sentou-se e pediu um uísque, duas pedras de gelo, enquanto esperava por sua companhia.

Onze minutos depois ela entra, apressada mas elegante, como se realmente estivesse preocupada com o atraso mas sem nenhuma intenção de desculpar-se.

Olha rapidamente ao redor e o identifica. Caminha em sua direção, fazendo movimento de tirar os braços do casaco pesado que a protegia do vento frio. Faz uma pausa no gesto para arrumar o cabelo e desnuda seu corpo de maneira prática, que não poderia ser mais sensual aos olhos dele.

O colo estava ali, dourado, sem adornos que atrapalhassem a visão. O pescoço parecia mais longo e os cabelos ganharam um charme especial, contrastando com a cor do colo coberto por uma peça azul royal que ele nem se preocupou em ver se era blusa ou vestido.

Não escondeu o sorriso quando ela se sentou. Linda, você está linda. Ela agradeceu com o olhar.

O papo foi longo, lento, cheio de pausas. Cenário ideal para uma contemplação.

Ela tinha uma pequena espinha rosada querendo aparecer no seio direito. Bem pequena, bem discreta. Poderia ser uma picada de um filhote de pernilongo, mas ele preferiu assumir ser uma espinha. Uma pequena mácula na perfeição que era aquele colo.

A noite terminou horas mais tarde que o imaginado. Copos de licor e xícaras de café iam e vinham, ora cheios, ora vazios. Despediram-se com um abraço e um carinhoso beijo no rosto como tinha de ser. Ele já a conhecia o suficiente para saber que, se queria conquistá-la, deveria começar pelo intelecto e aos poucos, com segurança e sem pressa, retornar ao plano físico.

Antes de ir, no entanto, olhou novamente para a espinha, desta vez sem procurar disfarçar. Ela sentiu-se desejada, mas ele não percebeu.
Ele passou a noite em claro, pensando em revê-la logo, antes que a espinha fosse curada sem deixar rastros.

Rebulicação: Ilha das flores

Um ácido e divertido retrato da mecânica da sociedade de consumo. Acompanhando a trajetória de um simples tomate, desde a plantação até ser jogado fora, o curta escancara o processo de geração de riqueza e as desigualdades que surgem no meio do caminho. Documentário de Jorge Furtado.

PARTE I :
PARTE II: