quinta-feira, outubro 20, 2005

Dragões voam






O Fim do Mundo - Cecília Meireles

A primeira vez que ouvi falar no fim do mundo, o mundo para mim não tinha nenhum sentido, ainda; de modo que não me interessava nem o seu começo nem o seu fim. Lembro-me, porém, vagamente, de umas mulheres nervosas que choravam, meio desgrenhadas, e aludiam a um cometa que andava pelo céu, responsável pelo acontecimento que elas tanto temiam.

Nada disso se entendia comigo: o mundo era delas, o cometa era para elas: nós, crianças, existíamos apenas para brincar com as flores da goiabeira e as cores do tapete.

Mas, uma noite, levantaram-me da cama, enrolada num lençol, e, estremunhada, levaram-me à janela para me apresentarem à força ao temível cometa. Aquilo que até então não me interessava nada, que nem vencia a preguiça dos meus olhos pareceu-me, de repente, maravilhoso. Era um pavão branco, pousado no ar, por cima dos telhados? Era uma noiva, que caminhava pela noite, sozinha, ao encontro da sua festa? Gostei muito do cometa. Devia sempre haver um cometa no céu, como há lua, sol, estrelas. Por que as pessoas andavam tão apavoradas? A mim não me causava medo nenhum.

Ora, o cometa desapareceu, aqueles que choravam enxugaram os olhos, o mundo não se acabou, talvez eu tenha ficado um pouco triste - mas que importância tem a tristeza das crianças?

Passou-se muito tempo. Aprendi muitas coisas, entre as quais o suposto sentido do mundo. Não duvido de que o mundo tenha sentido. Deve ter mesmo muitos, inúmeros, pois em redor de mim as pessoas mais ilustres e sabedoras fazem cada coisa que bem se vê haver um sentido do mundo peculiar a cada um.

Dizem que o mundo termina em fevereiro próximo. Ninguém fala em cometa, e é pena, porque eu gostaria de tornar a ver um cometa, para verificar se a lembrança que conservo dessa imagem do céu é verdadeira ou inventada pelo sono dos meus olhos naquela noite já muito antiga.

O mundo vai acabar, e certamente saberemos qual era o seu verdadeiro sentido. Se valeu a pena que uns trabalhassem tanto e outros tão pouco. Por que fomos tão sinceros ou tão hipócritas, tão falsos e tão leais. Por que pensamos tanto em nós mesmos ou só nos outros. Por que fizemos voto de pobreza ou assaltamos os cofres públicos - além dos particulares. Por que mentimos tanto, com palavras tão judiciosas. Tudo isso saberemos e muito mais do que cabe enumerar numa crônica.

Se o fim do mundo for mesmo em fevereiro, convém pensarmos desde já se utilizamos este dom de viver da maneira mais digna.

Em muitos pontos da terra há pessoas, neste momento, pedindo a Deus - dono de todos os mundos - que trate com benignidade as criaturas que se preparam para encerrar a sua carreira mortal. Há mesmo alguns místicos - segundo leio - que, na Índia, lançam flores ao fogo, num rito de adoração.

Enquanto isso, os planetas assumem os lugares que lhes competem, na ordem do universo, neste universo de enigmas a que estamos ligados e no qual por vezes nos arrogamos posições que não temos - insignificantes que somos, na tremenda grandiosidade total.

Ainda há uns dias a reflexão e o arrependimento: por que não os utilizaremos? Se o fim do mundo não for em fevereiro, todos teremos fim, em qualquer mês...

quarta-feira, outubro 19, 2005

O Mundo está um Caos: Por onde andam nossos Heróis?






Pequeno Tratado das Grandes Virtudes - André Comte-Sponville

“Se a virtude pode ser ensinada, como creio, é mais pelo exemplo do que pelos livros. Então, para que um tratado das virtudes? Para isto, talvez: tentar compreender o que deveríamos fazer, ou ser, ou viver, e medir com isso, pelo menos intelectualmente, o caminho que daí nos separa. Tarefa modesta, tarefa insuficiente, mas necessária. Os filósofos são alunos (só os sábios são mestres), e alunos precisam de livros; é por isso que eles às vezes escrevem livros, quando os que têm à mão não os satisfazem ou sufocam. Ora, que livro é mais urgente, para cada um de nós, do que um tratado de moral? E o que é mais digno de interesse, na moral, do que as virtudes? Assim como Spinoza, não creio haver utilidade em denunciar os vícios, o mal, o pecado. Para que sempre acusar, sempre denunciar? É a moral dos tristes, e uma triste moral. Quanto ao bem, ele só existe na pluralidade irredutível das boas ações, que excedem todos os livros, e das boas disposições, também elas plurais, mas sem dúvida menos numerosas, que a tradição designa pelo nome de virtudes, isto é (este é o sentido em grego da palavra arete, que os latinos traduziram por virtus), de excelências.”

(clique no título e conheça um dos melhores livros do melhor filósofo da atualidade)

terça-feira, outubro 18, 2005

Por onde anda Tim Burton?





O amor é feio - Tribalistas

O amor é feio
tem cara de vício
anda pela estrada
não tem compromisso

O amor é isso
tem cara de bicho
por deixar meu bem
jogado no lixo

O amor é sujo
tem cheiro de mijo
ele mete medo
vou lhe tirar disso

O amor é lindo...

O amor é lindo
faz o impossível
o amor é graça
ele dá e passa

O amor é livre

Quem nunca desejou?

(clique no título e faça virtualmente o que você sempre quis fazer quando seu computador lhe estressa)

Pessoas com quem trabalhamos - Por Sílvia Curiati


A Tia Nil. Inesquecível. Tia da limpeza e do café, lá na Rapp Collins. Ah, e do bolo de cenoura com cobertura de chocolate, aquele que amaciava os clientes na hora de papos difíceis.Uma senhora baixinha, bem baixinha, de cabelinho curto, rosto redondo e bochechas cor-de-rosa. Um olhar sofrido que só ela. Mas por trás daquele semblante calmo e humilde, escodia-se a rainha da sacanagem.Tia Nil dava duas batidinhas leves na porta do banheiro masculino, gritava "esconde o pau que eu tô entrando" e mandava ver. Nem esperava ouvir "um segundo, por favor", já ia entrando.Em seguida, corria pro banheiro das mulheres e perguntava com cara safada "quem quer saber o tamanho do bilau do fulaninho?" A mulherada "Ai, tia, deixa pra lá". Bastava falar isso pra ela alegar "Ihhh, esta não é boa de cama, não quer saber de bilau. Deixa eu ver o tamanho da sua canela". Ela apertava o ossinho e podia afirmar se a menina mandava bem ou não. Dizia que não era a grossura da canela que importava, era a sensação e o movimento.... coisas da Nil.Era muito apegada a mim porque eu era a dona da melhor mesa de toda a agência. Uma que ficava no fundão, de frente pra todo mundo e de costas pra janela. Todo horário de almoço ela ia tirar uma soneca debaixo da minha mesa. A soneca se prolongava até eu chegar da academia distraída e esfomeada e sentar, metendo o pezão na tia. Um dia veio conversar comigo que seu casamento já não era a mesma coisa... O bom era aquele tempo em que ela chegava em casa e o marido estava peladão. Daí ela ficava peladona também e eles brincavam de pega-pega. "Tem coisa mió não, fía...". Ok, pra mim pode parecer muito mais engraçado que pra você, que não conheceu a tia. O fato é, a cena me faz chorar de rir.Quando estávamos em reunião, ela entrava com o café gritando "chegou a alegria da festa" ou coisas parecidas. Fora quando o cliente estava falando e ela vinha cutucá-lo perguntando se queria um bolinho, só 1 real...No meio de uma agência cheia de figuras, tia Nil tinha que ser a primeira. Vem mais por aí.

segunda-feira, outubro 17, 2005

Corpos Pintados - Arte na Pele


Uma exibição de imagen de Corpos Pintados

(clique no titulo e conheça uma exposição de arte diferente que passou por São Paulo)

Dica: Jedi

domingo, outubro 16, 2005

Sobre a Causa Primeira

“Afirma-se – não sei com quanta veracidade – que um certo pensador hindu acreditava que a Terra estava apoiada em um elefante. Quando lhe perguntaram no que o elefante de sustentava, respondeu que se sustentava numa tartaruga. Quando lhe perguntaram sobre o que a tartaruga se sustentava, ele disse ‘Estou cansado disso. Vamos mudar de assunto’. Isso ilustra o caráter insatisfatório do argumento da Causa Primeira.”
Bertrand Russell

sexta-feira, outubro 14, 2005

Meta Morfose

Nossos inimigos - Bertolt Brecht

Nossos inimigos dizem:
"a luta terminou".
Mas nós dizemos:
"ela começou".
Nossos inimigos dizem:
"a verdade está liquidada".
Mas nós dizemos:
"nós ainda a conhecemos".
Nossos inimigos dizem:
"mesmo que ainda se conheça a verdade, ela não pode mais ser divulgada".
Mas nós a divulgamos

(clique no título e ouça a interpretação livre de Antônio Abujamra)

quinta-feira, outubro 13, 2005

De volta ao futuro II

(clique no título e assita a acrobacias de skate... invisíveis)

A verdade sobre as armas: Os danos da proibição

O bom senso, sob o fogo cerrado da proposta de proibição do comércio legal dearmas, pode ser mais uma das vítimas da ingenuidade ou violência branca dademagogia.O que se pretende com a proibição? Reduzir a criminalidade é a resposta, tãoimediata quanto impensada, que nos vem à cabeça. Mas é uma resposta equivocada.A proibição do comércio legal de armas não fará recuar nem um milímetro aousadia do crime (organizado), não baixará a taxa de delinqüência das ruas nemmesmo trará o conforto de diminuir a sensação de insegurança que, hoje, atingeem graus variados a sociedade brasileira.A proibição do comércio legal de armas, como o simples aumento de penas, amudança do fardamento da polícia, tantas outras medidas (anunciadas ou jáimplementadas), tem sobre a criminalidade o mesmo efeito de um arco-íris no céu:uma ilusão bonita aos nossos olhos.No caso da proibição do comércio de armas, a falsa sensação produzirá, noentanto, um efeito danoso: retirará do Estado a possibilidade de controle (aindaque frágil, como agora) e dificultará ainda mais a investigação de crimespraticados com esse recurso.Proibida a comercialização, o Estado não terá mais instrumentos para ocontrole da circulação de armas. Como a sensação de insegurança persistirá,porque as verdadeiras causas da criminalidade (corrupção e impunidade) não sãoresolvidas em razão das deficiências do Estado, o mercado inteiro de armas defogo irá para a clandestinidade.As provas desse argumento são muitas. Uma delas está no documento"Fiscalização de Armas de Fogo e Produtos Correlatos", publicado pela imprensa,elaborado pelo coronel de infantaria Diógenes Dantas Filho, que, em conjunto como Ministério Público Militar Federal, articulou uma ação policial militar paraapreensão de armas clandestinas no Rio de Janeiro. O trabalho mapeia as rotasutilizadas pelo tráfico de armas e confirma a existência, em circulação, noBrasil, de 20 milhões de armamentos sem registro, em contraposição a 2 milhõesde armas registradas.É uma absurda ingenuidade de uns (e razões suspeitas de outros) imaginar que,diante da proibição do comércio legal, ninguém mais comprará ou deixará deportar armas. O mercado não vai estancar simplesmente porque o Estado proibiu acomercialização. Historicamente não tem sido assim. Quem não se lembra da LeiSeca, nos EUA, ou da reserva de mercado de informática, no Brasil? Nos doiscasos, e em muitos outros que a experiência de proibições comerciais mundo aforaconstruiu, cresceu o mercado clandestino e o contrabando. Esse é o terrenofértil para aumentar a corrupção.A medida certa está no controle da fabricação e do porte de armas de fogo, enão na proibição da comercialização. Nesse ponto, é bom retirar do debate aidéia equivocada de que os que são contra a mera proibição estão no pólo opostoda argumentação, propondo "às armas, cidadãos". Não é assim. Acredito naeficiência da regulamentação e no controle rigoroso da fabricação, do porte e daimportação de armas. Acredito na responsabilização direta e penal de todo aqueleque, mesmo não portando armas, estimule o porte ilegal. Venho defendendopublicamente esses pontos de vista desde o começo dos anos 90. O caminho do controle foi tomado em fevereiro de 1997, com a edição da lei9.437, que estabeleceu condições para o registro e o porte de armas de fogo e,mais relevante, configurou como crime possuir, deter, portar, fabricar,adquirir, vender, alugar, expor à venda ou fornecer, receber, ter em depósito,transportar, ceder (mesmo que gratuitamente), emprestar, remeter, empregar,manter sob guarda e ocultar arma de fogo, de uso permitido, sem a autorização eem desacordo com determinação legal ou regulamentar.Até 1997, o porte ilegal de armas era uma simples contravenção penal. A partirde então, com a lei 9.437, passou a ser crime, com pena de prisão. Recentemente,o Senado melhorou ainda mais a lei, aprovando um projeto que, entre outrasmedidas, torna o porte ilegal de armas um crime inafiançável. A proposta doSenado será submetida à Câmara, onde terá o meu apoio.Apesar de não produzir resultados efetivos para o esforço de redução dacriminalidade, que, comprovadamente, tem causas mais graves, a proposta paraproibição do comércio legal de armas acabará sendo apresentada à população comoum milagroso remédio. E nisto está o segundo, e talvez mais importante,equívoco. Sendo aprovada a proposta e em nada resultando no que concerne ànecessidade de redução da criminalidade, veremos aumentar a incredulidade dapopulação com as medidas que venham do Estado. Com isso, continuaremos perdendoum importante aliado na luta contra o crime: a confiança do cidadão no Estado.

Denise Frossard
Juíza de Direito; aposentada, fundadora da Transparência Brasil e DeputadaFederal pelo RJ.

O Pensador

Aos que vierem depois de nós - Bertolt Brecht

"Realmente, vivemos muito sombrios!
A inocência é loucura. Uma fronte sem rugas
denota insensibilidade. Aquele que ri
ainda não recebeu a terrível notícia
que está para chegar.

Que tempos são estes, em que
é quase um delito
falar de coisas inocentes.
Pois implica silenciar tantos horrores!
Esse que cruza tranqüilamente a rua
não poderá jamais ser encontrado
pelos amigos que precisam de ajuda?

É certo: ganho o meu pão ainda,
Mas acreditai-me: é pura casualidade.
Nada do que faço justifica
que eu possa comer até fartar-me.
Por enquanto as coisas me correm bem
[(se a sorte me abandonar estou perdido).
E dizem-me: "Bebe, come! Alegra-te, pois tens o quê!"

Mas como posso comer e beber,
se ao faminto arrebato o que como,
se o copo de água falta ao sedento?
E todavia continuo comendo e bebendo.

Também gostaria de ser um sábio.
Os livros antigos nos falam da sabedoria:
é quedar-se afastado das lutas do mundo
e, sem temores,
deixar correr o breve tempo. Mas
evitar a violência,
retribuir o mal com o bem,
não satisfazer os desejos, antes esquecê-los
é o que chamam sabedoria.
E eu não posso fazê-lo. Realmente,
vivemos tempos sombrios.


Para as cidades vim em tempos de desordem,
quando reinava a fome.
Misturei-me aos homens em tempos turbulentos
e indignei-me com eles.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

Comi o meu pão em meio às batalhas.
Deitei-me para dormir entre os assassinos.
Do amor me ocupei descuidadamente
e não tive paciência com a Natureza.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

No meu tempo as ruas conduziam aos atoleiros.
A palavra traiu-me ante o verdugo.
Era muito pouco o que eu podia. Mas os governantes
Se sentiam, sem mim, mais seguros, — espero.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

As forças eram escassas. E a meta
achava-se muito distante.
Pude divisá-la claramente,
ainda quando parecia, para mim, inatingível.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

Vós, que surgireis da maré
em que perecemos,
lembrai-vos também,
quando falardes das nossas fraquezas,
lembrai-vos dos tempos sombrios
de que pudestes escapar.

Íamos, com efeito,
mudando mais freqüentemente de país
do que de sapatos,
através das lutas de classes,
desesperados,
quando havia só injustiça e nenhuma indignação.

E, contudo, sabemos
que também o ódio contra a baixeza
endurece a voz. Ah, os que quisemos
preparar terreno para a bondade
não pudemos ser bons.
Vós, porém, quando chegar o momento
em que o homem seja bom para o homem,
lembrai-vos de nós
com indulgência. "

fonte: http://www.releituras.com

Agradecimentos ao amigo Igor Réi

Ausência

quarta-feira, outubro 12, 2005

Escape da sala de detenção

(clique no título e tente sair do castigo)

Fonte: nerd's friend

terça-feira, outubro 11, 2005

Perseguido por si mesmo

Terra brasileira


(clique no título e conheça um excelente site sobre folclore brasileiro e cultura indígena. Organizado por regiões com bons textos. Para os amigos (as) sociólogos (as) que se enteressam pelo assunto)

Anagrama

(clique no título e conheça um site onde você pode colocar o seu nome, ou uma frase qualquer, e descubra dezenas de anagramas)

segunda-feira, outubro 10, 2005

Jogo: Faça o carro atravessar o trânsito infernal

(clique no título e resolva esse quebra-cabeça)

Jogo: Mata-mosca

(clique no título e simplesmente mate mosca)

Chega de saudade - Vinícius de Moraes

"Vai minha tristeza e diz a ela que sem ela
Não pode ser, diz-lhe numa prece
Que ela regresse, porque eu não posso
Mais sofrer. Chega de saudade a realidade
É que sem ela não há paz, não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim, não sai de mim, não sai
Mas se ela voltar, se ela voltar,
Que coisa linda, que coisa louca
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos que eu darei
Na sua boca, dentro dos meus braços
Os abraços hão de ser, milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim
Que é pra acabar com este negócio de você
Viver sem mim. Não quero mais este negócio
De você viver assim"
E eu fiquei sentindo sua falta de tanta saudade que você me fez...
(clique no título e faça o download da música)

Jogo: Arrume seu quarto antes que seus pais apareçam

(clique no título e passe por nenhum aperreio, LIMPE SEU QUARTO!)

Jogo: Kill Bill 2

(clique no título e prepare-se para um jogo com sangue... muito sangue: decaptações de braços, pernas e degolações à vontade)

Jornal manda leitor se comer

(clique no título e leia a reportagem em que o colunista do jornal pensou que as letras em japonês são todos iguais)

CASOS REAIS DE ATENDIMENTO A CLIENTES

CLIENTE: "Não consigo fazer conexão com a Internet."
SUPORTE: "Tem certeza que utilizou a senha certa ?"
CLIENTE: "Sim, tenho certeza. Vi um colega fazendo."
SUPORTE: "Pode me dizer qual foi a senha ?"
CLIENTE: "Cinco estrelinhas."

CLIENTE: "Não consigo imprimir. Cada vez que tento, o computador diz: "Não é possível encontrar a impressora". Já levantei a impressora e coloquei-a em frente ao monitor, mas o computador continua dizendo que não consegue encontrá-la."

SUPORTE: "Serviço ao cliente da HP. Sérgio falando. Em que posso ser útil?"
CLIENTE: "Tenho uma impressora HP que precisa ser reparada."
SUPORTE: "Que modelo é ?"
CLIENTE: "É uma Hewlett-Packard."
SUPORTE: "Isto eu já sei. É colorida ou preto e branco?"
CLIENTE: "É bege."

SUPORTE: "Bom dia. Posso ajudar em alguma coisa ?"
CLIENTE: "Eeh... Olá. Não consigo imprimir."
SUPORTE: "Pode clicar no 'Iniciar' e... ?"
CLIENTE: "Calma aí! Não responda assim muito tecnicamente. Não sou o Bill Gates!"

CLIENTE: De repente aparece uma mensagem na minha tela, que diz Clique 'Reiniciar'... O que eu devo fazer ?"
SUPORTE: O senhor aperte o botão solicitado, desligue e ligue novamente. Sem pestanejar, o cliente desliga o telefone na cara do atendente e liga para o suporte novamente.
CLIENTE: E agora o que eu faço ?

CLIENTE: "Tenho um grande problema. Um amigo meu colocou um protetor de tela no meu computador, mas a cada vez que mexo o mouse, ele desaparece!"

SUPORTE: "Em que posso ajudar ?"
CLIENTE: "Estou escrevendo o meu primeiro e-mail."
SUPORTE: "OK, qual é o problema ?"
CLIENTE: "Já fiz a letra "a". Como é que se faz o círculozinho em volta dela ?"

CLIENTE: "A Internet também abre aos domingos ?"

Depois de um tempo falando com o atendente do suporte.
SUPORTE: "o que tem do lado direito da tela ?"
CLIENTE: "uma samambaia !"
SUPORTE: silêncio...

sexta-feira, outubro 07, 2005

O outro lado da moeda... Está enferrujado

(clique no título e assista ao terror da diferença social no mundo)

quinta-feira, outubro 06, 2005

A arte de René Magritte









Desenvolveu sua variante pessoal do surrealismo, reunindo à sua volta um grupo de simpatizantes deste movimento. O desconcerto de suas telas partia do uso de elementos que contrastavam ou se excluíam, sempre representados por um realismo conciso

Desilusão

Fora do Amigo - por Rodrigo Rangel e Thadeu Braga. JORNAL O POVO, Buchicho - Clube do Bolinha de 06 de outubro de 2005


Quem nunca de nós, Bolinhas, foi a um show e levou tantos foras que perdeu a conta? Muitas vezes nem ligamos, porque no final sempre temos boas histórias para contar. Mas nada pior do que levar um “fora do amigo”. Esse fora fica marcado e muitas vezes a amizade acaba por ali. Quem nunca ouviu uma gatinha dizer: “ah... eu também gosto de você, só que de um jeito diferente: como amigo”, “eu não consigo te ver de outra forma, só como amigo”, ou “se a gente ficasse, ia estragar nossa amizade”. Mas o que fazer para evitar esse constrangimento?
O negócio é sério. Essas situações são chatas e embaraçosas. Porém, não são apenas os Bolinhas que são culpados disso. Muitas vezes as meninas nos provocam e fazem acreditar que elas também estão envolvidas, e quando vamos ver, quebramos a cara. O “fora do amigo” é a arma predileta das Luluzinhas na hora de nos dispensar. Mas a gente tem que entender, né? Quando elas fazem isso, é sinal que não querem ser grosseiras. E acredite, por pior que seja ouvir um “desculpa, mas você é só meu amigo”, é melhor do que ouvir a verdade nua e crua. Ou você ficaria mais feliz em ouvir um belo “Sai daqui menino véi!”?
O correto seria deixar claro nossa intenção logo no início. Ou, no outro caso, quando notarmos que algo pode estar rolando, jogar as cartas na mesa e demonstrar nossos sentimentos. Ninguém gosta de levar o “fora do amigo”. Lógico! Aliás, ninguém gosta de levar fora algum. Então não vamos pegar tanto no pé das Luluzinhas por conta disso. No fundo elas não querem nos magoar. Não custa nada tentar entendê-las de vez em quando. Portanto, para quem levou o “fora do amigo”, o melhor é seguir para a próxima. Ficar parado é que não resolve nada.

(clique no título e leia do original a reportagem e sua continuação. Mais uma matéria do Rochedão!)

quarta-feira, outubro 05, 2005

Dia de Merda - Luis Fernando Veríssimo (história verídica)

Senti um pequeno mal estar causado por uma cólica intestinal, mas nada que uma urinada ou uma barrigada não aliviasse. Mas, atrasado para chegar ao ônibus que me levaria para o Galeão, de onde partiria o vôo para Miami, resolvi segurar as pontas. Afinal de contas são só uns 15 minutos de busão. "Chegando lá, tenho tempo de sobra para dar aquela mijadinha esperta, tranqüilo." O avião só sairia as 16:30. Entrando no ônibus, sem sanitários. Senti a primeira contração e tomeiconsciência de que minha gravidez fecal chegara ao nono mês e que faria um parto de cócoras assim que entrasse no banheiro do aeroporto. Virei para o meu amigo que me acompanhava e, sutil, falei: -
- "Cara, mal posso esperar para chegar na merda do aeroporto porque preciso largar um barro." Nesse momento, senti um urubu beliscando minha cueca, mas botei a força de vontade para trabalhar e segurei a onda. O ônibus nem tinha começado a andar quando, para meu desespero, uma voz disse pelo alto falante: "Senhoras e senhores, nossa viagem entre os dois aeroportos levara em torno de 1 hora, devido a obras na pista."Ai o urubu ficou maluco querendo sair a qualquer custo. Fiz um esforço hercúleo para segurar o trem merda que estava para chegar na estação anus a qualquer momento. Suava em bicas. Meu amigo percebeu e, como bom amigo que era, aproveitou para tirar um sarro. O alivio provisório veio em forma de bolhas estomacais, indicando que pelo menos por enquanto as coisas tinham se acomodado. Tentava me distrair vendo TV mas só conseguia pensar em um banheiro, nãocom uma privada, mas com um vaso sanitário tão branco e tão limpo que alguém poderia botar seu almoço nele. E o papel higiênico então: branco e macio, com textura e perfume e, ops, senti um volume almofadado entre meu traseiro e o assento do ônibus e percebi, consternado, que havia cagado. Um coco sólido e comprido daqueles que dão orgulho de pai ao seu autor. Daqueles que da vontade de ligar pros amigos e parentes e convida-los a apreciar na privada. Tão perfeita obra, dava prá expor em uma bienal. Mas sem duvida, a situação tava tensa. Olhei para o meu amigo, procurando um pouco de solidariedade, e confessei serio:
- "Cara, caguei." Quando meu amigo parou de rir, uns cinco minutos depois, aconselhou-me a relaxar, pois agora estava tudo sob controle. "Que se dane, me limpo no aeroporto." - pensei. "Pior que isso não fico." Mal o ônibus entrou em movimento, a cólica recomeçou forte. Arregalei os olhos, segurei-me na cadeira mas não pude evitar, e sem muita cerimonia ou anunciação, veio a segunda leva de merda. Desta vez, como uma pasta morna. Foi merda para tudo que e lado, borrando, esquentando e melando a bunda, cueca, barra da camisa, pernas, panturrilha, calcas, meias e pés. E mais uma cólica anunciando mais merda, agora liquida, das que queimam o fiofo do freguês ao sair rumo a liberdade. E depois um peido tipo bufa, que eu nem tentei segurar, afinal de contas o que era um peidinho para quem já estava todo cagado. Já o peido seguinte, foi do tipo que pesa. E me caguei pela quarta vez.
Lembrei de um amigo que certa vez estava com tanta caganeira que resolveu botar modess na cueca, mas colocou as linhas adesivas viradas para cima e quando foi tira-lo levou metade dos pelos do rabo junto. Mas era tarde demais para tal artificio absorvente. Tinha menstruado tanta merda que nem uma bomba de cisterna poderia me ajudar a limpar a sujeirada.Finalmente cheguei ao aeroporto e saindo apressado com passos curtinhos, supliquei ao meu amigo que apanhasse minha mala no bagageiro do ônibus e a levasse ao sanitário do aeroporto para que eu pudesse trocar de roupas. Corri ao banheiro e entrando de boxe em boxe, constatei a falta de papel higiênico em todos os cinco. Olhei para cima e blasfemei: "Agora chega, Ne?" Entrei no ultimo, sem papel mesmo, e tirei a roupa toda para analisar minha situação (que conclui como sendo o fundo do poço) e esperar pela minha salvação, com roupas limpinhas e cheirosinhas e com ela uma lufada de dignidade no meu dia. Meu amigo entrou no banheiro com pressa, tinha feito o "check-in" e ia correndo tentar segurar o vôo. Jogou por cima do boxe o cartão de embarque e uma maleta de mão e saiu antes de qualquer protesto de minha parte. Ele tinha despachado a mala com roupas. Na mala de mão só tinha um pulôver de gola "V". A temperatura em Miami era de aproximadamente 35 graus. Desesperado comecei a analisar quais de minhas roupas seriam, de algum modo,aproveitáveis. Minha cueca, joguei no lixo. A camisa era historia. As calcas estavam deploráveis e assim como minhas meias, mudaram de cor tingidas pela merda. Meus sapatos estavam nota 3, numa escala de 1 a 10. Teria que improvisar.A invenção e mãe da necessidade, então transformei uma simples privada em uma magnífica maquina de lavar. Virei a calca do lado avesso, segurei-a pela barra, e mergulhei a parte atingida na água.
Comecei a dar descarga ate que o grosso da merda se desprendeu. Estava pronto para embarcar. Sai do banheiro e atravessei o aeroporto em direção ao portão de embarque trajando sapatos sem meias, as calcas do lado avesso e molhadas da cintura ao joelho (não exatamente limpas) e o pulôver gola "V", sem camisa. mas caminhava com a dignidade de um lorde. Embarquei no avião, onde todos os passageiros estavam esperando o "RAPAZ QUE ESTAVA NO BANHEIRO" e atravessei todo o corredor ate o meu assento, ao lado do meu amigo que sorria. A aeromoça aproximou-se e perguntou se precisava de algo. Eu cheguei a pensar em pedir 120 toalhinhas perfumadas para disfarçar o cheiro de fossa transbordante e uma gilete para cortar os pulsos, mas decidi não pedir:
"Nada, obrigado. Eu só queria esquecer este dia de merda!!!"

Dia de Merda - Luis Fernando Veríssimo

Senti um pequeno mal estar causado por uma cólica intestinal, mas nada que uma urinada ou uma barrigada não aliviasse. Mas, atrasado para chegar ao ônibus que me levaria para o Galeão, de onde partiria o vôo para Miami, resolvi segurar as pontas. Afinal de contas são só uns 15 minutos de busão. "Chegando lá, tenho tempo de sobra para dar aquela mijadinha esperta, tranqüilo." O avião só sairia as 16:30. Entrando no ônibus, sem sanitários. Senti a primeira contração e tomeiconsciência de que minha gravidez fecal chegara ao nono mês e que faria um parto de cócoras assim que entrasse no banheiro do aeroporto. Virei para o meu amigo que me acompanhava e, sutil, falei: -
- "Cara, mal posso esperar para chegar na merda do aeroporto porque preciso largar um barro." Nesse momento, senti um urubu beliscando minha cueca, mas botei a força de vontade para trabalhar e segurei a onda. O ônibus nem tinha começado a andar quando, para meu desespero, uma voz disse pelo alto falante: "Senhoras e senhores, nossa viagem entre os dois aeroportos levara em torno de 1 hora, devido a obras na pista."Ai o urubu ficou maluco querendo sair a qualquer custo. Fiz um esforço hercúleo para segurar o trem merda que estava para chegar na estação anus a qualquer momento. Suava em bicas. Meu amigo percebeu e, como bom amigo que era, aproveitou para tirar um sarro. O alivio provisório veio em forma de bolhas estomacais, indicando que pelo menos por enquanto as coisas tinham se acomodado. Tentava me distrair vendo TV mas só conseguia pensar em um banheiro, nãocom uma privada, mas com um vaso sanitário tão branco e tão limpo que alguém poderia botar seu almoço nele. E o papel higiênico então: branco e macio, com textura e perfume e, ops, senti um volume almofadado entre meu traseiro e o assento do ônibus e percebi, consternado, que havia cagado. Um coco sólido e comprido daqueles que dão orgulho de pai ao seu autor. Daqueles que da vontade de ligar pros amigos e parentes e convida-los a apreciar na privada. Tão perfeita obra, dava prá expor em uma bienal. Mas sem duvida, a situação tava tensa. Olhei para o meu amigo, procurando um pouco de solidariedade, e confessei serio:
- "Cara, caguei." Quando meu amigo parou de rir, uns cinco minutos depois, aconselhou-me a relaxar, pois agora estava tudo sob controle. "Que se dane, me limpo no aeroporto." - pensei. "Pior que isso não fico." Mal o ônibus entrou em movimento, a cólica recomeçou forte. Arregalei os olhos, segurei-me na cadeira mas não pude evitar, e sem muita cerimonia ou anunciação, veio a segunda leva de merda. Desta vez, como uma pasta morna. Foi merda para tudo que e lado, borrando, esquentando e melando a bunda, cueca, barra da camisa, pernas, panturrilha, calcas, meias e pés. E mais uma cólica anunciando mais merda, agora liquida, das que queimam o fiofo do freguês ao sair rumo a liberdade. E depois um peido tipo bufa, que eu nem tentei segurar, afinal de contas o que era um peidinho para quem já estava todo cagado. Já o peido seguinte, foi do tipo que pesa. E me caguei pela quarta vez.
Lembrei de um amigo que certa vez estava com tanta caganeira que resolveu botar modess na cueca, mas colocou as linhas adesivas viradas para cima e quando foi tira-lo levou metade dos pelos do rabo junto. Mas era tarde demais para tal artificio absorvente. Tinha menstruado tanta merda que nem uma bomba de cisterna poderia me ajudar a limpar a sujeirada.Finalmente cheguei ao aeroporto e saindo apressado com passos curtinhos, supliquei ao meu amigo que apanhasse minha mala no bagageiro do ônibus e a levasse ao sanitário do aeroporto para que eu pudesse trocar de roupas. Corri ao banheiro e entrando de boxe em boxe, constatei a falta de papel higiênico em todos os cinco. Olhei para cima e blasfemei: "Agora chega, Ne?" Entrei no ultimo, sem papel mesmo, e tirei a roupa toda para analisar minha situação (que conclui como sendo o fundo do poço) e esperar pela minha salvação, com roupas limpinhas e cheirosinhas e com ela uma lufada de dignidade no meu dia. Meu amigo entrou no banheiro com pressa, tinha feito o "check-in" e ia correndo tentar segurar o vôo. Jogou por cima do boxe o cartão de embarque e uma maleta de mão e saiu antes de qualquer protesto de minha parte. Ele tinha despachado a mala com roupas. Na mala de mão só tinha um pulôver de gola "V". A temperatura em Miami era de aproximadamente 35 graus. Desesperado comecei a analisar quais de minhas roupas seriam, de algum modo,aproveitáveis. Minha cueca, joguei no lixo. A camisa era historia. As calcas estavam deploráveis e assim como minhas meias, mudaram de cor tingidas pela merda. Meus sapatos estavam nota 3, numa escala de 1 a 10. Teria que improvisar.A invenção e mãe da necessidade, então transformei uma simples privada em uma magnífica maquina de lavar. Virei a calca do lado avesso, segurei-a pela barra, e mergulhei a parte atingida na água.
Comecei a dar descarga ate que o grosso da merda se desprendeu. Estava pronto para embarcar. Sai do banheiro e atravessei o aeroporto em direção ao portão de embarque trajando sapatos sem meias, as calcas do lado avesso e molhadas da cintura ao joelho (não exatamente limpas) e o pulôver gola "V", sem camisa. mas caminhava com a dignidade de um lorde. Embarquei no avião, onde todos os passageiros estavam esperando o "RAPAZ QUE ESTAVA NO BANHEIRO" e atravessei todo o corredor ate o meu assento, ao lado do meu amigo que sorria. A aeromoça aproximou-se e perguntou se precisava de algo. Eu cheguei a pensar em pedir 120 toalhinhas perfumadas para disfarçar o cheiro de fossa transbordante e uma gilete para cortar os pulsos, mas decidi não pedir:
"Nada, obrigado. Eu só queria esquecer este dia de merda!!!"

Lo que me alimenta, me mata

terça-feira, outubro 04, 2005

Para quem gosta de adivinhação e quebra-cabeça

Incrível!! Um dos melhores links de quebra-cabeça da internet. Você simplesmente acorda em um quarto, não sabe o por quê e como foi parar lá. Seu objetivo: tentar sair dos quartos. Procure em todos os cantos, debaixo da mesa, em cima da cama, atrás do sofá... E faça de tudo para sair. Clique no link e conheça o jogo. São níveis diferente de dificuldade.

http://www.portalchapeco.com.br/~jackson/sala.htm Quarto Azul
http://www.portalchapeco.com.br/~jackson/crimson.htm Quarto Vermelho
http://www.fasco-csc.com/works/viridian/index_e.php Quarto Verde (continuação do quarto vermelho... é o melhor!)
http://www.crazymania.com.br/jogos/escape_the_room.htm Quarto Amarela
http://jogos.hex.com.br/jogo/linsail-mystery/ Quarto Cinza
http://jogos.hex.com.br/jogo/the-pink-room/ Quarto Rosa
http://jogos.hex.com.br/jogo/the-dark-room/ Quarto Preto
http://jogos.hex.com.br/jogo/the-hiding-room/ Quarto Marrom

Fonte: Nerd friend

Popium, o velho Popium - Por: Silvia Curiati

O velho Popium era conhecido por este nome nas redondezas devido à sua semelhança com Mary Poppins, a babá mais completa da história do cinema. Não que ele fosse esbelto, usasse chapéu e maleta, ou nutrisse uma paixão por um limpador de chaminés. Seu encanto estava em suas rugas profundas e longas, que guardavam segredos de todos os que cruzavam o seu caminho.Bastava que uma senhorita passasse ao seu lado com um olhar blasé para que ele colhesse do ar seu suspiro e o guardasse em uma de suas rugas, traduzindo seu sentimento e o definindo em um objeto qualquer. Poderia ser um pequeno broche, neste caso. Enrolado num lencinho com suas iniciais bordadas em azul-calcinha. Já que se tratava de amor, o segredo da donzela deveria ser traduzido em algo delicado, um tanto ridículo e talvez que machucasse um pouquinho. Transformava o sentimento em questão rapidamente em objeto e o escondia nas profundezas de sua pele.Sempre havia espaço para mais. Um estilingue, era o segredo daquele homem de negócios que só dava pedrada em seus funcionários para esconder sua tremenda insegurança. Um batom cor-de-rosa, era o daquele rapaz que não assumia sua homossexualidade. O da vizinha sadomasoquista era um alfinete. Uma gaiola, o do menino que fazia experiências químicas com os hamsters que sua irmã mais nova criava.Popium carregava o peso do mundo em sua pele. Lamentava saber de tantos segredos e não poder fazer nada, porque quando saem da alma de seus donos, já não têm o mesmo valor. Por isso mesmo poderiam ser convertidos em meros objetos inanimados.Resolveu um dia parar numa casa de penhor e deixar os segredos lá, como garantia pela dívida que havia contraído há anos quando começou a fazer sua coleção de álbuns e todo o tipo de material dos Beatles (incluindo canções raras, jamais escutadas por outros ouvidos) e de palitos-helicóptero dos Piracópteros que havia comprado, convencido de que conseguiria voar se arrumasse um jeito de juntá-los e motorizá-los. Era enfim um Day Tripper.Os segredos sumiram. Foram vendidos a preço de banana e espalhados pelo mundo. Certamente os seus donos demoraram a acostumar-se com a idéia de que não havia mais o que esconder, mas acabaram vivendo melhor depois disso.E Popium foi pro céu, com Lennon e Harrison, seus favoritos. Leve como uma pluma, sem nenhuma mágoa, nenhum vício, nenhum amor não-correspondido, nenhuma briga nem mentira em suas 1497 rugas.

Lutando contra moinhos de vento...

sexta-feira, setembro 30, 2005

Mertiolate ou Mercúrio Cromo? Qual pega mais fogo? - por Phelippe Neto

Eu tenho muitos traumas de infância, mas com certeza, a pior coisa era quando eu me machucava e tinha que mostrar o estrago para a minha mãe passar Mertiolate ou Mercúrio Cromo.Eu sei que o machucado podia infeccionar, mas eu não queria passar por aquilo. Era horrível demais. Minha mãe vinha com aqueles frascos, com toda a sua delicadeza, mas como ardia! Parecia que era água com limão e álcool!Lembro-me como se fosse hoje: eu sentado no chão e minha mãe chegando com a redinha, que mais se parecia com aqueles matadores de pernilongo, e eu já me perguntava: “por que eu fui me machucar?!?” Por mais que assoprasse, era inútil... Aquilo latejava no meu machucado de uma maneira que dava pra sentir os meus batimentos cardíacos. E pra completar, o pior eram as manchas de tinta vermelha no corpo, que demorava dias pra sair. Conforme eu tomava alguns banhos, a coisa toda ia descolorindo até chegar a uma cor quase rosa. Mas se ainda não tivesse cicatrizado direito, era só dar mais uma mão de tinta e beleza! Tava lá, na cor original!Depois de quase cinqüenta anos, o remédio foi vetado no mercado em 2001 pelo Ministério da Saúde, alegando que suas substâncias eram prejudiciais à saúde, e que a melhor saída sempre é lavar a ferida com água e sabão. Juro que eu sempre falava isso pra minha mãe, mas ela nunca acreditou.

quinta-feira, setembro 29, 2005

Amigos - por Fernando Pessoa

Um dia a maioria de nós irá se separar....Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, as descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que compartilhamos.Saudades até dos momentos de lágrima, da angústia, das vésperas definais de semana, de finais de ano, enfim... do companheirismo vivido.Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre.Hoje não tenho mais tanta certeza disso.Em breve cada um vai pra seu lado, seja pelo destino, ou por algum desentendimento, segue a sua vida, talvez continuemos a nos encontrar quem sabe... nos e-mails trocados.Podemos nos telefonar conversar algumas bobagens....Aí os dias vão passar, meses... anos... até este contato tornar-secada vez mais raro.Vamos nos perder no tempo...Um dia nossos filhos verão aquelas fotografias e perguntarão? Quem sãoaquelas pessoas?
Diremos... Que eram nossos amigos.E... isso vai doer tanto!Foram meus amigos, foi com eles que vivi os melhores anos de minhavida!A saudade vai apertar bem dentro do peito.Vai dar uma vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente...Quando o nosso grupo estiver incompleto.... nos reuniremos para um ultimo adeus de um amigo.E entre lágrimas nos abraçaremos.Faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante.Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vidinha isolada do passado.E nos perderemos no tempo...Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo : não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades seja a causa de grandes tempestades...Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!





















Destino

Clube do Bolinha: Os homens não são tão insensíveis - por Rodrigo Rangel e Thadeu Braga


É comum ouvir das mulheres que homem não presta, vocês são todos iguais, todo homem é cachorro. Frases que dão a idéia de que os homens são seres brutos e sem qualquer indício de sensibilidade. Segundo elas, nós, homens, não abrimos a porta do carro, não entregamos flores, não discutimos a relação e não fazemos uma infinidade de coisas sensíveis. Mas será que todos os homens são assim mesmo? Claro que existem aqueles que "queimam" nosso filme e por causa destes somos mal vistos pelas Luluzinhas. Os homens estão dispostos a mudar isso. Para isso é preciso demonstrar seus profundos sentimentos pela mulher amada, sem se importar com que os outros vão pensar. Essa nossa fama de mau não pode ser generalizada. Na política as coisas não andam lá muito bem, mas não é por isso que os deputados ou senadores são todos corruptos. Acreditem! Existe sensibilidade em muitos de nós. Já cansei de conversar com muitos colegas arrasados por conta de amor não correspondido, traições, brigas, etc. Sim, os homens também choram – mais do que qualquer pessoa possa imaginar. Essa história de homem ser bruto e grosso é pura generalização. Mulher é mais durona. Qualquer coisa eu choro. Esse negócio que homem não pode chorar é puro machismo, confessa Henio Dias. Se pensarmos bem, as mulheres também poderiam ser taxadas de insensíveis. Afinal, elas também traem, não dão satisfação e, muitas vezes, não ligam para isso. Mas o problema está bem mais fundo, lá onde a luz do sol é fraca. Muitos Bolinhas são sensíveis, mas, por alguma razão, se decepcionaram e decidiram chutar o balde. Aquele cara grosseirão provavelmente já chorou por alguma menina que o fez sofrer e ficou muito magoado, passando a ser insensível. Portanto, elas deviam valorizar os muitos homens sensíveis que estão à solta no mercado, no lugar de ficar babando os mais estúpidos. Nós, homens, sabemos que enquanto elas estão indo atrás do cafajeste, existem vários caras sensíveis loucos para agradá-las e fazer todo tipo de declaração de amor. Quando realmente gostamos, nos entregamos de corpo e alma, e muitos quando não o fazem, é com medo de se machucar ou querendo manter a fama de durão. Contudo, essas máscaras caem, e o homem que antes se intitulava o "pegador", que saia para o show da Ivete no Beach Park e agarrava todas sem compromisso, agora manda flores e cartões no aniversário de mês de namoro. Todos nós somos sensíveis no fundo de nossos corações, basta aparecer alguém que saiba valorizar isso.

(clique no título e leia do original a reportagem e sua continuação feita por Thadeu Braga e Rodrigo Rangel. Me mata de orgulho, Rochedão!)

quarta-feira, setembro 28, 2005

Mario Quitana

"A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa. Quando se vê, já são seis horas! Quando se vê, já é sexta-feira... Quando se vê, já é Natal... Quando se vê, já terminou o ano... Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida... Quando se vê, passaram-se 50 anos! Agora, é tarde demais para ser reprovado... Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio. Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas... Seguraria o amor, que está muito à minha frente, e diria que eu amo... Dessa forma, eu digo: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo. Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz. A única falta que terá, será a desse tempo que infelizmente... Nunca mais voltará."

Clic - Luis Fernando Verissimo

Cidadão se descuidou e roubaram seu celular. Como era um executivo e não sabia mais viver sem celular, ficou furioso. Deu parte do roubo, depois teve uma idéia. Ligou para o número do telefone. Atendeu uma mulher.
— Aloa.
— Quem fala?
— Com quem quer falar?
— O dono desse telefone.
— Ele não pode atender.
— Quer chamá-lo, por favor?
— Ele esta no banheiro. Eu posso anotar o recado?
— Bate na porta e chama esse vagabundo agora.
Clic. A mulher desligou. O cidadão controlou-se. Ligou de novo.
— Aloa.
— Escute. Desculpe o jeito que eu falei antes. Eu preciso falar com ele, viu? É urgente.
— Ele já vai sair do banheiro.
— Você é a...
— Uma amiga.
— Como é seu nome?
— Quem quer saber?
O cidadão inventou um nome.
— Taborda. (Por que Taborda, meu Deus?) Sou primo dele.
— Primo do Amleto?
Amleto. O safado já tinha um nome.
— É. De Quaraí.
— Eu não sabia que o Amleto tinha um primo de Quaraí.
— Pois é.
— Carol.
— Hein?
— Meu nome. É Carol.
— Ah. Vocês são...
— Não, não. Nos conhecemos há pouco.
— Escute Carol. Eu trouxe uma encomenda para o Amleto. De Quaraí. Uma pessegada, mas não me lembro do endereço.
— Eu também não sei o endereço dele.
— Mas vocês...
— Nós estamos num motel. Este telefone é celular.
— Ah.
— Vem cá. Como você sabia o número do telefone dele? Ele recém-comprou.
— Ele disse que comprou?
— Por que?
O cidadão não se conteve.
— Porque ele não comprou, não. Ele roubou. Está entendendo? Roubou. De mim!
— Não acredito.
— Ah, não acredita? Então pergunta pra ele. Bate na porta do banheiro e pergunta.
— O Amleto não roubaria um telefone do próprio primo.
E Carol desligou de novo.
O cidadão deixou passar um tempo, enquanto se recuperava. Depois ligou.
— Aloa.
— Carol, é o Tobias.
— Quem?
— O Taborda. Por favor, chame o Amleto.
— Ele continua no banheiro.
— Em que motel vocês estão?
— Por que?
— Carol, você parece ser uma boa moça. Eu sei que você gosta do Amleto...
— Recém nos conhecemos.
— Mas você simpatizou. Estou certo? Você não quer acreditar que ele seja um ladrão. Mas ele é, Carol. Enfrente a realidade. O Amleto pode Ter muitas qualidades, sei lá. Há quanto tempo vocês saem juntos?
— Esta é a primeira vez.
— Vocês nunca tinham se visto antes?
— Já, já. Mas, assim, só conversa.
— E você nem sabe o endereço dele, Carol. Na verdade você não sabe nada sobre ele. Não sabia que ele é de Quaraí.
— Pensei que fosse goiano.
— Ai esta, Carol. Isso diz tudo. Um cara que se faz passar por goiano...
— Não, não. Eu é que pensei.
— Carol, ele ainda está no banheiro?
— Está.
— Então sai daí, Carol. Pegue as suas coisas e saia. Esse negocio pode acabar mal. Você pode ser envolvida. — Saia daí enquanto é tempo, Carol!
— Mas...
— Eu sei. Você não precisa dizer. Eu sei. Você não quer acabar a amizade. Vocês se dão bem, ele é muito legal. Mas ele é um ladrão, Carol. Um bandido. Quem rouba celular é capaz de tudo. Sua vida corre perigo.
— Ele esta saindo do banheiro.
— Corra, Carol! Leve o telefone e corra! Daqui a pouco eu ligo para saber onde você está.
Clic.
Dez minutos depois, o cidadão liga de novo.
— Aloa.
— Carol, onde você está?
— O Amleto está aqui do meu lado e pediu para lhe dizer uma coisa.
— Carol, eu...
— Nós conversamos e ele quer pedir desculpas a você. Diz que vai devolver o telefone, que foi só brincadeira. Jurou que não vai fazer mais isso.
O cidadão engoliu a raiva. Depois de alguns segundos falou:
— Como ele vai devolver o telefone?
— Domingo, no almoço da tia Eloá. Diz que encontra você lá.
— Carol, não...
Mas Carol já tinha desligado.
O cidadão precisou de mais cinco minutos para se recompor. Depois ligou outra vez.
—Aloa.
Pelo ruído o cidadão deduziu que ela estava dentro de um carro em movimento.
— Carol, é o Torquatro.
— Quem?
— Não interessa! Escute aqui. Você está sendo cúmplice de um crime. Esse telefone que você tem na mão, esta me entendendo? Esse telefone que agora tem suas impressões digitais. É meu! Esse salafrário roubou meu celular!
— Mas ele disse que vai devolver na...
— Não existe Tia Eloá nenhuma! Eu não sou primo dele. Nem conheço esse cafajeste. Ele esta mentindo para você, Carol.
— Então você também mentiu!
— Carol...
Clic.
Cinco minutos depois, quando o cidadão se ergueu do chão, onde estivera mordendo o carpete, e ligou de novo, ouviu um "Alô" de homem.
— Amleto?
— Primo! Muito bem. Você conseguiu, viu? A Carol acaba de descer do carro.
— Olha aqui, seu...
— Você já tinha liquidado com o nosso programa no motel, o maior clima e você estragou, e agora acabou com tudo. Ela está desiludida com todos os homens, para sempre. Mandou parar o carro e desceu. Em plena Cavalhada. Parabéns primo. Você venceu. Quer saber como ela era?
— Só quero meu telefone.
— Morena clara. Olhos verdes. Não resistiu ao meu celular. Se não fosse o celular, ela não teria topado o programa. E se não fosse o celular, nós ainda estaríamos no motel. Como é que chama isso mesmo? Ironia do destino?
— Quero meu celular de volta!
— Certo, certo. Seu celular. Você tem que fechar negócios, impressionar clientes, enganar trouxas. Só o que eu queria era a Carol...
— Ladrão
— Executivo
— Devolve meu...
Clic.
Cinco minutos mais tarde. Cidadão liga de novo. Telefone toca várias vezes. Atende uma voz diferente.
— Ahn?
— Quem fala?
— É o Trola.
— Como você conseguiu esse telefone?
— Sei lá. Alguém jogou pela janela de um carro. Quase me acertou.
— Onde você está?
— Como eu estou? Bem, bem. Catando meus papéis, sabe como é. Mas eu já fui de circo. É. Capitão Trovar. Andei até pelo Paraguai.
— Não quero saber de sua vida. Estou pagando uma recompensa por este telefone. Me diga onde você está que eu vou buscar.
— Bem. Fora a Dalvinha, tudo bem. Sabe como é mulher. Quando nos vê por baixo, aproveita. Ontem mesmo...
— Onde você está? Eu quero saber onde!
— Aqui mesmo, embaixo do viaduto. De noitinha. Ela chegou com o índio e o Marvão, os três com a cara cheia, e...

Extraído do livro "As Mentiras que os Homens Contam", Editora Objetiva - Rio de Janeiro, 2000, pág. 41.

Equilibrium: segredo de tudo

terça-feira, setembro 27, 2005

Lua da Taíba

Jogo: Call of Duty 2

(clique no título e faça o download da demo de Call of Duty 2, um dos mais bem sucedidos games sobre a Segunda Guerra de todos os tempos)

A vida imita a arte