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quinta-feira, junho 23, 2005
quarta-feira, junho 22, 2005
terça-feira, junho 21, 2005
O peso da liberdade - por Tiago Coutinho (Diário do Nordeste, 21.06.05)
O Século de Sartre
Um século de pensamento. Hoje se comemora o centenário de Jean-Paul Sartre (1905-1980), pensador mais conhecido do movimento intelectual surgido após a segunda guerra mundial na França: o existencialismo. Além de filósofo, Sartre conquistou destaque mundial por sua produção e engajamento na política, na literatura e no teatro. Desde o começo do ano, ele tem recebido homenagens em todo o mundo. Desde maio, a editora Nova Fronteira relança toda a obra do filósofo
Nascido em Paris, há exatos 100 anos, Jean-Paul Sartre praticamente não possuiu contato com o pai que faleceu quando tinha dois anos. Acompanhando a mãe, ele cedo mudou-se para a cidade Meudon, na França, para morar com o avô materno. Há quem diga que a ausência de contato com o pai contribuiu para o filósofo desenvolver seu pensamento, pois, assim, não teve o veredicto de um superego castrador.
Independente da figura do pai ter ou não contribuído para a formação intelectual de Sartre, o fato é que ele se tornou um homem radicalmente livre, temática abordada com maior afinco em suas produções políticas, filosóficas e artísticas.
O tema da liberdade é presente em toda obra do filósofo. Para ele, os seres humanos, pelo fato de existirem, atribuem a existência significados, e acabam construindo um modelo para o tipo de homem que será. Esta construção se dá livremente, já que não há um modelo para qual o ser humano deva projetar os atos.
Desta forma, o homem está condenado a liberdade, permitindo a ele construir seus valores e tornando-o responsável pelos próprios atos. O princípio da liberdade fundamenta as teorias existenciais, também desenvolvidas pelo filósofo.
Para Sartre, o existencialismo é a prática de ação. Seus ensinamentos assinalam que o homem não tem nada e não é nada além das suas práticas e atitudes. O homem só existe a partir do momento em que se faz existir por meio de ações, sejam elas de qualquer tipo. Além de teorizar a liberdade, Sartre procurou ter uma vida extremamente libertária. Prova disso foi seu relacionamento com a moça “bem-comportada” Simone de Beauvoir (1908-1986), que conheceu na Escola Normal Superior, em 1924. Seu relacionamento amoroso sempre rendeu muito o que falar. Nunca se separaram, mas nunca também viveram juntos. Um casamento moderno, sem igreja nem cartório.
Quando o casal esteve no Brasil, em 1960, muitos buchichos e tititis permearam o meio social. No mesmo ano, Sartre e Simone de Beauvoir estiveram em Fortaleza, a convite do professor Antônio Martins Filho, fundador da UFC. Quatro dias na cidade foram suficientes para o casal visitar Canindé e ministrar conferências sobre literatura popular, no Salão Nobre da Associação Cearense de Imprensa e na Faculdade de Direito.
A cidade ficou admirada, tanto pela qualidade dos debates, quanto pelo fato de o casal de “amigos” dormirem no mesmo quarto do hotel. Neste ano, Sartre aproveitou e visitou muitas capitais do País e concedeu sua primeira entrevista na televisão, para a extinta TV Excelsior. Hoje as imagens compõem o acervo da TV Cultura.
Sartre tinha um grande engajamento político e fundou o movimento “Socialismo e Liberdade”. Era comunista, apesar de ter tido pouco envolvimento direto com o Partido Comunista. Ele era, antes de tudo, um filósofo libertário, anárquico e contrário a qualquer forma de opressão.
Por isso, rompeu com a tentativa de implantação do socialismo na União Soviética e combateu massissamente o autoritarismo exercido por Stálin, publicando o texto “O Fantasma de Stálin” (1956).
Além de textos diretos e acadêmicos, Sartre contribuiu para jornais e revistas como “Os Tempos Modernos”, “A Causa do Povo” e “Liberdade”. O escritor encontrou, na literatura e no teatro, formas emblemáticas de apresentar seu pensamento, burlando a censura existente na época.
A peça “As Moscas” apresenta, aparentemente, um drama grego, no entanto, o espetáculo se trata de uma alegoria da conjuntura política de Paris. A obra “As Moscas” será republicada em Agosto, pela Editora Nova Fronteira, junto com outros títulos.
Em comemoração ao centenário, desde o mês de maio, a Nova Fronteira vem republicando a obra do filósofo. Na bienal do Rio de Janeiro, a trilogia “Os Caminhos da Liberdade”, com as obras “A idade da Razão”, “Sursis” e “Com a Morte na Alma” foi apresentada com revisões e novas capas.
Os três livros narram a história de Mathieu Delarue, um professor de Filosofia, na Paris de 1938, que passa por conflitos existenciais ao chegar na idade aos trinta anos, a idade da razão. Ao longo da história, o protagonista se encontra com personagens que apresentam outras questões que angustiam toda a juventude: aborto, homossexualidade, engajamento político e principalmente a questão existencial, já que, para Sartre, o sujeito é livre dentro de suas escolhas.
No mês de junho, outros dois títulos foram lançados: o livro de contos “O Muro” e o primeiro romance “A Náusea”. Este último apresenta ainda características fortemente biográficas de Sartre. Há declarações dele apreciando o livro como favorito dele. Além disso, “A Náusea” já aponta com bastante clareza questões iniciais do pensamento existencialista, mais tarde apresentadas com maior aprofundamento no calhamaço “O Ser e o Nada”, um de seus textos mais famoso.
Já em “O Muro”, publicado originalmente em 1939, encontram-se cinco contos. Todas as histórias se passam na época da Guerra Civil Espanhola, o autor trabalha com situações e personagens nauseantes e nauseados, discutindo outras questões caras a ele como sexualidade, humanismo, loucura, política e vida conjugal.
Um século de pensamento. Hoje se comemora o centenário de Jean-Paul Sartre (1905-1980), pensador mais conhecido do movimento intelectual surgido após a segunda guerra mundial na França: o existencialismo. Além de filósofo, Sartre conquistou destaque mundial por sua produção e engajamento na política, na literatura e no teatro. Desde o começo do ano, ele tem recebido homenagens em todo o mundo. Desde maio, a editora Nova Fronteira relança toda a obra do filósofo
Nascido em Paris, há exatos 100 anos, Jean-Paul Sartre praticamente não possuiu contato com o pai que faleceu quando tinha dois anos. Acompanhando a mãe, ele cedo mudou-se para a cidade Meudon, na França, para morar com o avô materno. Há quem diga que a ausência de contato com o pai contribuiu para o filósofo desenvolver seu pensamento, pois, assim, não teve o veredicto de um superego castrador.
Independente da figura do pai ter ou não contribuído para a formação intelectual de Sartre, o fato é que ele se tornou um homem radicalmente livre, temática abordada com maior afinco em suas produções políticas, filosóficas e artísticas.
O tema da liberdade é presente em toda obra do filósofo. Para ele, os seres humanos, pelo fato de existirem, atribuem a existência significados, e acabam construindo um modelo para o tipo de homem que será. Esta construção se dá livremente, já que não há um modelo para qual o ser humano deva projetar os atos.
Desta forma, o homem está condenado a liberdade, permitindo a ele construir seus valores e tornando-o responsável pelos próprios atos. O princípio da liberdade fundamenta as teorias existenciais, também desenvolvidas pelo filósofo.
Para Sartre, o existencialismo é a prática de ação. Seus ensinamentos assinalam que o homem não tem nada e não é nada além das suas práticas e atitudes. O homem só existe a partir do momento em que se faz existir por meio de ações, sejam elas de qualquer tipo. Além de teorizar a liberdade, Sartre procurou ter uma vida extremamente libertária. Prova disso foi seu relacionamento com a moça “bem-comportada” Simone de Beauvoir (1908-1986), que conheceu na Escola Normal Superior, em 1924. Seu relacionamento amoroso sempre rendeu muito o que falar. Nunca se separaram, mas nunca também viveram juntos. Um casamento moderno, sem igreja nem cartório.
Quando o casal esteve no Brasil, em 1960, muitos buchichos e tititis permearam o meio social. No mesmo ano, Sartre e Simone de Beauvoir estiveram em Fortaleza, a convite do professor Antônio Martins Filho, fundador da UFC. Quatro dias na cidade foram suficientes para o casal visitar Canindé e ministrar conferências sobre literatura popular, no Salão Nobre da Associação Cearense de Imprensa e na Faculdade de Direito.
A cidade ficou admirada, tanto pela qualidade dos debates, quanto pelo fato de o casal de “amigos” dormirem no mesmo quarto do hotel. Neste ano, Sartre aproveitou e visitou muitas capitais do País e concedeu sua primeira entrevista na televisão, para a extinta TV Excelsior. Hoje as imagens compõem o acervo da TV Cultura.
Sartre tinha um grande engajamento político e fundou o movimento “Socialismo e Liberdade”. Era comunista, apesar de ter tido pouco envolvimento direto com o Partido Comunista. Ele era, antes de tudo, um filósofo libertário, anárquico e contrário a qualquer forma de opressão.
Por isso, rompeu com a tentativa de implantação do socialismo na União Soviética e combateu massissamente o autoritarismo exercido por Stálin, publicando o texto “O Fantasma de Stálin” (1956).
Além de textos diretos e acadêmicos, Sartre contribuiu para jornais e revistas como “Os Tempos Modernos”, “A Causa do Povo” e “Liberdade”. O escritor encontrou, na literatura e no teatro, formas emblemáticas de apresentar seu pensamento, burlando a censura existente na época.
A peça “As Moscas” apresenta, aparentemente, um drama grego, no entanto, o espetáculo se trata de uma alegoria da conjuntura política de Paris. A obra “As Moscas” será republicada em Agosto, pela Editora Nova Fronteira, junto com outros títulos.
Em comemoração ao centenário, desde o mês de maio, a Nova Fronteira vem republicando a obra do filósofo. Na bienal do Rio de Janeiro, a trilogia “Os Caminhos da Liberdade”, com as obras “A idade da Razão”, “Sursis” e “Com a Morte na Alma” foi apresentada com revisões e novas capas.
Os três livros narram a história de Mathieu Delarue, um professor de Filosofia, na Paris de 1938, que passa por conflitos existenciais ao chegar na idade aos trinta anos, a idade da razão. Ao longo da história, o protagonista se encontra com personagens que apresentam outras questões que angustiam toda a juventude: aborto, homossexualidade, engajamento político e principalmente a questão existencial, já que, para Sartre, o sujeito é livre dentro de suas escolhas.
No mês de junho, outros dois títulos foram lançados: o livro de contos “O Muro” e o primeiro romance “A Náusea”. Este último apresenta ainda características fortemente biográficas de Sartre. Há declarações dele apreciando o livro como favorito dele. Além disso, “A Náusea” já aponta com bastante clareza questões iniciais do pensamento existencialista, mais tarde apresentadas com maior aprofundamento no calhamaço “O Ser e o Nada”, um de seus textos mais famoso.
Já em “O Muro”, publicado originalmente em 1939, encontram-se cinco contos. Todas as histórias se passam na época da Guerra Civil Espanhola, o autor trabalha com situações e personagens nauseantes e nauseados, discutindo outras questões caras a ele como sexualidade, humanismo, loucura, política e vida conjugal.
segunda-feira, junho 20, 2005
Relembrando Gothan City
(clique no título e jogue um pouco com o homem-morcego)
ps: Passou da fase do elevador? Me diga como...
ps: Passou da fase do elevador? Me diga como...
War - Bob Marley
Até que a filosofia que torna uma raça superior e outra inferior, seja finalmente permanentemente desacreditada e abandonada haverá guerra, eu digo guerra. Até que existam cidadãos de 1º e 2º classe em qualquer nação. Até que a cor da pele de um homem não tenha maior significado que a cor dos seus olhos haverá guerra. Até que todos os direitos básicos sejam igualmente garantido para todos, a não ser que tenha consideração com raça, até esse dia o senhor da paz final, da almejada cidadania e o papel da moralidade, internacional, não será mais que mera ilusão a ser percebida e nunca atingida agora haverá guerra, rumores de guerra. Até que o governo que humilha nossos irmãos da Angola, em Mozambique, África do sul escravisada, não mais exista e seja destruído haverá guerra, eu disse guerra. Guerra no leste, guerra no oeste, guerra no norte, guerra no sul, guerra rumores de guerra. Até esse dia, o continente africano não conhecera a paz. Nós africanos lutaremos, nós acharemos e conheceremos a vitória. O bem sobre o mal, bem sobre o mal
quinta-feira, junho 16, 2005
SHE´S GONNA BOIL MY BUNNY OU DA MINHA PROVÁVEL INEXISTÊNCIA - Peter Krause

O mundo ficcional obedece à regra da verossimilhança. O que parece óbvio tem implicações sobre o leitor da obra, em especial audiovisual onde o impacto está ligado diretamente a ela. "A Cela", um filme visualmente rico e detalhado, pecou pela falta de empatia para com um público inundado em imagens, enquanto "A Bruxa de Blair", ganhou sua audiência com base na dúvida gerada pela crueza da técnica usada. Verossimilhança e Pacto Ficcional andam de mãos dadas pelas pradarias do Velho Oeste. Era uma vez um sujeito que acredita em tudo aquilo que começa com era uma vez. Mas o mundo ficcional para funcionar precisa de leis mais rigidas que o não ficcional, absurdo por natureza.
Não gostam do uso do termo Absurdo por suas implicações existenciais, camusianas? Usemos então o termo "randômico". O mundo não ficcional é randômico.
Vejamos alguns exemplos. Num mundo ficcional, não é verossímil que uma personagem seja abordado por um punk bêbado na rua que o olhe e diga "eu sou niilista" e vá embora. No universo não ficcional isto ocorre.
No universo ficcional, professores que se envolvem com alunos (vide Boston Public) são demitidos sumariamente. No mundo não ficcional, não.
No mundo ficcional uma mulher não mutila a língua de um homem com os dentes enquanto outra pessoa pula do décimo andar no mesmo bairro. Em Porto Alegre, no dia 1º de Junho de 2001, isto ocorreu na Cidade Baixa.
Na não-ficção não existe justiça poética.
A conclusão de "Garota Interrompida" é que os loucos são "como você e eu, só que mais". O conjunto de malucas do filme recém mencionado não é muito diferente dos drugues de Alex ou dos habitantes de um certo Hotel de um Milhão de Dólares. A diferença é que o primeiro filme é a autobiografia da autora enquanto os outros seriam trabalhos de ficção pura. Mas os mundos são povoados de freaks e isto é natural de qualquer sociedade, terrestre ou extraterrestre. Há loucos vivendo sob a Matrix.
Um grupo de pessoas tomadas de obsessões, todas amigas e dividindo interesses e paixões (em todos os sentidos) não poderia existir numa ficção realista. No entanto, tal grupo perambula pelas ruas e avenidas da capital gaúcha como se existissem … porque existem.
Punks com mestrado e doutorado, Warhol superstars, presbiterianos com supostos pactos com satã, virgens suicidas, bregamanícos metaleiros, meninas de dezesseis anos na universidade, pessoas sendo chutadas por mendigos, sexo sem amor, amor sem sexo, niilistas à mancheia, famequianas que gostam de Schoppenhauer, Kant se masturbando nas páginas da Crítica da Razão Pura, chefes de departamento com bottoms "I got this way kissing boys", Fischer e Frank Jorge, Wander e Iggy Pop, Tatata, Regininha Poltergeist, Nei Lisboa na Lancheria, a onipresença de Otto Guerra, o lingüiceiro do Alto da Bronze era um vampiro, Bob Dylan no Mercado Público e Ian Anderson de havaianas, Gisele Bündchen e Ieda Maria Vargas, o afilhado da Ieda Maria Vargas se formando na Famecos com uma monografia sobre videogames, geração de Brasília, Renato Russo e Freddie Mercury, Daniela Mercury, ACM na YMCA, Irmãs da Caridade, "as pessoas que você teve de encontrar sem suas roupas" , eu, você, o Zanella e sua coleção pornô em super8, as Meninas Superpoderosas, As Viagens de Gulliver, Gavin Friday, Paul e um menininho chamado Elijah Bob Patricius Guggi Q Hewson, os efeminados do Segundo Caderno, Patti Smith, Robert Smith e Roy Orbison, Sócrates comendo Platão comendo Aristóteles, Ren & Stimpy, a viagem sem volta de Sid Barret, Gretchen virando evangélica, o fato de que um dia existiu um sujeito chamado Gaudí e que ele fez o que fez, Salvador Dalí e Michelangelo, Shakespeare e aquele ex-presidente que escreveu Marimbondos de Fogo, você, eu, o WC, tomar banho todos os dias, perfumes, George Lucas e Lars von Trier, Cicciolina e Madre Tereza de Calcutá, sapateado, jazz, pagode e paçoquinha, Plano Collor, Guerras Mundiais, Manhattan, Projeto Manhattan, Nixon, o boquete no Clinton, alguém dizendo "eu te amo", coelhinhos fervidos, prostitutas endinheiradas, um tapa na cara, encontrar um hippie no meio do deserto, conhecer o amor da sua vida no 138, rock'n'roll, Boy George, Glam Rock, os oscars do Tom Hanks, o sucesso da Madonna, Graforréia Xilarmônica regravada pelo Pato Fu, perder parte da língua, brindar à chuva ácida que corrói nossas pálpebras, as quatro bolas pretas para Tolerância, Berlim, Bom Fim, Orbis Tertius.
Já que, q.e.d., o mundo não tem sentido em si, os homens (e mulheres também) fazem de tudo para atribuir sentido ao que não tem. A ficção surge nas cavernas para tentar ordenar e dar sentido ao mundo que nos é apresentado. Não admira que as primeiras obras literárias sejam os Mitos de Criação, Ilíada, Odisséia, Genesis, Eneida, O Grande Roubo de Touros, gregos, judaico-cristão, romano e celta, respectivamente.
Não é de admirar também que o maior sucesso ficcional do século XX seja também um mito de Criação: Star Wars. Também não é de admirar que haja um movimento para regulamentar a religião Jedi (na Inglaterra).
Os grandes mitos não são os únicos, no entanto. Cada pessoa tende a construir suas pequenas ficções no "cineminha da mente" para ordenar o que lhes ocorre. Quando eu conto que saí a caminhar pelo deserto do Mojave e encontrei um hippie de quase cinqüenta anos, a tendência é dizer "claro, isso é um baita dum cliché". Seria, num filme ou num livro, mas ninguém está escrevendo a minha vida e o fato só vira um cliché quando é narrado para uma terceira pessoa e, portanto, passa à obedecer às duas principais regras da ficção, Coerência Interna e Verossimilhança. Por esta mesma razão, quando uma vida se preenche muito do que seriam clichés ou, ao contrário, quase não possui nenhum, os terapeutas dos amigos vêm a afirmar que não passamos de figmentos da imaginação daqueles.
A pílula azul E a vermelha
Para quem agüentou ler até aqui, ficou evidente que não foi usado o termo "Mundo Real". A explicação é simples: tanto os universos ficcional e não ficcional existem, na medida que podemos reconhecê-los. E mais, os confundimos … vide o caso dos Jedis ingleses. Não temos a escolha de Alice ou de Neo, Lestat não é gentil conosco. Precisamos do ficcional para o não ficcional e do não ficcional para o ficcional, pois só compreendemos um com a ajuda do outro. Somos leitores uns dos outros e nossa incapacidade de nos compreendermos completamente, a inutilidade da psicanálise, os corações partidos, os Vinte Poemas de Amor e a Canção Desesperada, os mal entendidos surgem do fato de que temos de ser verossímeis para os terceiros embora não o sejamos para nós mesmos. Sim, sabemos instintivamente da falta de sentido das coisas, só que não admitimos isto uns para os outros nem que aquela velha vaca tussa de novo lá no brejo.
Vivemos presos entre ficções e realidades, não admira que discípulos de Descartes tenham afirmado não conseguir conceber o mundo exterior a seus corpos, terem ficado presos à noção do Gênio Maligno da Segunda Meditação, nem que este tenha-se transmodificado em The Matrix, mediado pela teoria do Cérebros no Balde de Hillary Putnam (que, diga-se de passagem, é um homem). É preciso provar que esse tal de Real existe, porque do virtual todo mundo sempre teve consciência - mesmo antes dos computadores.
Uma coisa deve existir, se a conhecemos, reconhecemos e podemos comunica-la … pelo menos em teoria, diria Sexto Empírico. Vamos então partir do princípio que existem os mundos ficcional e não ficcional e dar esta discussão por encerrada.
Da minha provável não-existência (no mundo ficcional)
Conforme já foi afirmado, a ficção precisa de coerência interna para existir. Uma personagem também. Há muito que assumi minhas contradições. Todo mundo sabe que "A" e "~A" não podem coexistir. Logo eu não coexisto comigo mesmo, ergo, não existo.
Só que eu existo. Caso contrário não estaria escrevendo isto.
Entretanto, quem for falar de mim, ou de meus amigos, ou de você, precisará limar nossas contradições internas fulminantes e deixar-nos mancos de nós mesmos para que possamos nos tornar críveis a estes improváveis ouvintes.
Na ficção da mente dos outros somos fração de nós mesmos. Nada podemos fazer a este respeito.
Saudade - Miguel Falabella
Rodin
Trancar o dedo numa porta dói.
Bater com o queixo no chão dói.
Torcer o tornozelo dói.
Um tapa, um soco, um pontapé, doem.
Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim.
Mas o que mais dói é a saudade.
Saudade de um irmão que mora longe.
Saudade de uma cachoeira da infância.
Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais.
Saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu.
Saudade de uma cidade.
Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa.
Doem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama.
Saudade da pele, do cheiro, dos beijos.
Saudade da presença, e até da ausência consentida.
Você podia ficar na sala e ela no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá.
Você podia ir para o dentista e ela para a faculdade, mas sabiam-se onde.
Você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem vê-lo, mas sabiam-se manhã.
Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é basicamente não saber.
Não saber mais se ela continua fungando num ambiente mais frio.
Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia.
Não saber se ela ainda usa aquela saia.
Não saber se ele foi na consulta com o dermatologista como prometeu.
Não saber se ela tem comido bem por causa daquela mania de estar sempre
ocupada, se ele tem assistido as aulas e inglês, se aprendeu a entrar na Internet e encontrar a página do Diário Oficial, se ela prendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua preferindo Malzebier, se ela continua preferindo suco, se ele continua sorrindo com aqueles olhinhos apertados, se ela continua dançando daquele jeitinho enlouquecedor, se ele continua cantando tão em, se ela continua detestando o MC Donald's, se ele continua amando, se ela continua a chorar até nas comédias.
Saudade é não saber mesmo!
Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber
como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as
lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber se ela está com outro, e ao mesmo tempo querer.
É não saber se ele está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos
por isso...
É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela.
Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer.
Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo e o que você, provavelmente, está sentindo agora depois que acabou de ler...

Trancar o dedo numa porta dói.
Bater com o queixo no chão dói.
Torcer o tornozelo dói.
Um tapa, um soco, um pontapé, doem.
Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim.
Mas o que mais dói é a saudade.
Saudade de um irmão que mora longe.
Saudade de uma cachoeira da infância.
Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais.
Saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu.
Saudade de uma cidade.
Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa.
Doem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama.
Saudade da pele, do cheiro, dos beijos.
Saudade da presença, e até da ausência consentida.
Você podia ficar na sala e ela no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá.
Você podia ir para o dentista e ela para a faculdade, mas sabiam-se onde.
Você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem vê-lo, mas sabiam-se manhã.
Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é basicamente não saber.
Não saber mais se ela continua fungando num ambiente mais frio.
Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia.
Não saber se ela ainda usa aquela saia.
Não saber se ele foi na consulta com o dermatologista como prometeu.
Não saber se ela tem comido bem por causa daquela mania de estar sempre
ocupada, se ele tem assistido as aulas e inglês, se aprendeu a entrar na Internet e encontrar a página do Diário Oficial, se ela prendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua preferindo Malzebier, se ela continua preferindo suco, se ele continua sorrindo com aqueles olhinhos apertados, se ela continua dançando daquele jeitinho enlouquecedor, se ele continua cantando tão em, se ela continua detestando o MC Donald's, se ele continua amando, se ela continua a chorar até nas comédias.
Saudade é não saber mesmo!
Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber
como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as
lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber se ela está com outro, e ao mesmo tempo querer.
É não saber se ele está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos
por isso...
É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela.
Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer.
Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo e o que você, provavelmente, está sentindo agora depois que acabou de ler...
quarta-feira, junho 15, 2005
Os dentes de Fernanda - Dante Sasso
Perdemos de novo. Eu fui o goleiro. Não jogo nessa posição, mas o titular não veio e ninguém do time gosta de jogar no lugar dele. Então encarei o desafio, disse que eu era o único macho ali pra substitui-lo. Meu time todo achou graça e eu acabei fazendo um papel lamentável. Ainda tive que agüentar o goleiro adversário imitando com deboche meus frangos do outro lado do campo. Fiquei quieto, eu já estava bastante irritado com o jogo perdido.
Fernanda chegou a cinco minutos do final. Parou na lateral da quadra, sentou em um banco de madeira, estava fumando um cigarro.
Quando a campainha tocou avisando o fim do nosso horário, cumprimentei todo mundo, menos o goleiro palhaço, saí da quadra e sentei ao seu lado.
Por que tu chega sempre só no final? — eu bufava, o suor escorria pelo rosto.
Sei lá, eu tava em casa dormindo, perdi a hora.
Notei que seus dentes estavam amarelados, talvez fosse o maldito cigarro.
Por que tu não pára de fumar, teus dentes estão horríveis, essa merda ainda vai te matar — falei, na verdade mais com raiva do resultado do jogo do que com os dentes dela.
Fumar me faz bem, e se meus dentes são horríveis o problema é meu — ela resmungou. Vamos sair hoje?
Não posso, combinamos um churrasco agora — acenei para meus amigos, eles já estavam em volta da churrasqueira, no fundo do ginásio, bebendo cerveja.
Na semana seguinte eu joguei na linha, mas não fiz uma boa partida. Machuquei o pé logo no início: driblei o goleiro e quando fui chutar em gol ele me calçou por trás, ainda deitado no chão. Discutimos e o jogo ficou parado por alguns minutos. Ainda estávamos calmos, se fosse ao final da partida, os ânimos explodindo em adrenalina, aquela discussão tinha virado briga.
Fernanda chegou um pouco antes do jogo acabar. Após o sinal, sentei no banco de madeira com ela.
E então, foi ao dentista? — perguntei. Ela continuava fumando.
Fui, já comecei o tratamento, o dentista é muito legal.
O dentista? É um homem? — tentei parecer desinteressado.
É, um homem, um cara bem simpático.
Bonito? — vacilei.
Lindo — ela disse, jogando o filtro do cigarro na caixinha de areia ao lado do banco.
E esse dentista lindo não mandou parar de fumar? — eu queria parecer irônico, mas na verdade estava mostrando o quanto era imbecil fazendo aquelas perguntas.
Mandou, esse foi o último — ela respondeu — o que nós vamos fazer hoje à noite?
Nada, hoje preciso descansar — respondi, tirando o tênis e a meia. — Machuquei meu pé, olha — mostrei meu tornozelo, doía um pouco e estava levemente inchado. Ela ficou quieta, continuou olhando para o toco de cigarro fumegando dentro da caixinha de areia imunda.
O outro jogo foi bastante disputado, mas de novo não conseguimos ganhar. Eu estava angustiado e joguei muito mal. Discuti com o goleiro adversário mais uma vez. Ele continuava debochando do meu jogo, desta vez por causa dos gols que eu perdia. Xinguei ele e o juiz, recebi um cartão amarelo e quase fui expulso. Quando o jogo estava acabando, Fernanda chegou. Não fumava, agora mascava um chiclete. Tive a impressão de vê-la, de longe, sorrindo pra mim. Passei pelo goleiro e ele cuspiu na minha camiseta. O juiz não viu. Não fiz nada, limpei o cuspe com as mãos e continuei jogando.
Ao final do jogo, abri uma garrafa de água mineral e sentei ao lado dela.
E então, parou mesmo de fumar? Teus dentes até estão mais claros — eu disse.
Parei, tudo pelo tratamento — ela respondeu, simpática. Tinha uma expressão diferente que eu não conseguia identificar o que era. Estava animada como eu não via há muito tempo.
Eu sabia que isso ia deixar teu sorriso mais bonito — insisti.
Obrigada. Vamos sair? — ela sugeriu.
Hoje não vai dar, amanhã tenho uma reunião importante no trabalho e preciso descansar. Talvez amanhã à noite... — falei, distraído.
Ela não respondeu, continuou mascando o chiclete com uma expressão feliz no rosto. Talvez aquele sorriso fosse uma defesa e ela estivesse profundamente irritada com minha recusa, mas achei melhor não levantar esse assunto.
No jogo seguinte ela chegou um pouco mais cedo, pôde ver algumas jogadas, neste dia eu estava inspirado mas não consegui marcar nenhum gol. Ela continuava mascando chiclete, o goleiro continuava me irritando, e numa confusão perto da área, quando surgiu a oportunidade, pisei na perna dele.
Qual o problema, cara? — ele me perguntou, no chão, a mão na perna machucada.
Não respondi, o juiz me olhou com reprovação e eu pedi pra ser substituído, senão aquele desentendimento ia engrossar.
Sentei com Fernanda no mesmo banco de sempre.
E então — comecei — agora largou o cigarro e ficou viciada em chiclete?
É uma goma pra clarear os dentes, sugestão do dentista — ela se defendeu. Continuava com um olhar distante, mas estava bastante amorosa e sorridente.
Puxa, esse cara deve ser muito bom — forcei, só pra ver sua resposta.
É ótimo, mas acho que o tratamento está no final. Uma pena, tenho me sentido muito bem cuidando do meu sorriso — ela disse.
Eu já imaginava isso, é bom cuidar do próprio corpo.
A gente podia sair hoje... — ela insinuou.
Amanhã tenho uma prova importante, preciso estudar, quem sabe não transferimos pra outro dia? — me esquivei.
Na outra semana eu joguei muito bem e fiz vários gols. Há muito tempo eu não marcava, aquilo me aliviou. Fernanda chegou na metade do tempo, talvez ela estivesse começando a gostar das partidas. De longe eu a vi entrando no ginásio, os dentes pareciam artificiais, brilhavam muito, ela toda estava realmente mais bonita.
Pouco antes do jogo acabar, recebi a bola livre na frente do goleiro e ele não hesitou: seu chute veio direto na minha coxa, eu caí para o lado urrando de dor. O juiz apitou. O segundo chute veio no meu rosto, embaixo do nariz, e depois do terceiro eu parei de contar.
Acordei alguns instantes depois com o uniforme encharcado de sangue. Fui atendido pelos meus amigos. Minha primeira reação foi perguntar a eles pelo filho da puta do goleiro, mas eu não conseguia falar. Coloquei a mão na boca e senti que me restavam poucos dentes.
Fernanda continuava sentada no mesmo banco de madeira, mascando seu chiclete e sorrindo pra mim, impassível.
Hoje tenho um bom motivo pra não sair — falei com dificuldade. Eu queria parecer engraçado, mas enquanto falava eu babava mais sangue. Minha situação não era nada boa.
Tudo bem, hoje eu já tenho compromisso mesmo — ela disse, sorrindo. — Vou sair com o dr. Sérgio.
Antes que eu pudesse perguntar quem era o dr. Sérgio ela se levantou do banco e completou.
Acho que quem precisa de dentista agora é tu — depois ela cuspiu o chiclete na caixinha de areia e se foi.
Eu não consegui dizer nada, fiquei olhando ela ir embora, depois me agachei e comecei a catar meus dentes espalhados sobre o sangue no chão da quadra.
Os dentes da serpente mudam e são substituídos ao longo de sua vida.
Fernanda chegou a cinco minutos do final. Parou na lateral da quadra, sentou em um banco de madeira, estava fumando um cigarro.
Quando a campainha tocou avisando o fim do nosso horário, cumprimentei todo mundo, menos o goleiro palhaço, saí da quadra e sentei ao seu lado.
Por que tu chega sempre só no final? — eu bufava, o suor escorria pelo rosto.
Sei lá, eu tava em casa dormindo, perdi a hora.
Notei que seus dentes estavam amarelados, talvez fosse o maldito cigarro.
Por que tu não pára de fumar, teus dentes estão horríveis, essa merda ainda vai te matar — falei, na verdade mais com raiva do resultado do jogo do que com os dentes dela.
Fumar me faz bem, e se meus dentes são horríveis o problema é meu — ela resmungou. Vamos sair hoje?
Não posso, combinamos um churrasco agora — acenei para meus amigos, eles já estavam em volta da churrasqueira, no fundo do ginásio, bebendo cerveja.
Na semana seguinte eu joguei na linha, mas não fiz uma boa partida. Machuquei o pé logo no início: driblei o goleiro e quando fui chutar em gol ele me calçou por trás, ainda deitado no chão. Discutimos e o jogo ficou parado por alguns minutos. Ainda estávamos calmos, se fosse ao final da partida, os ânimos explodindo em adrenalina, aquela discussão tinha virado briga.
Fernanda chegou um pouco antes do jogo acabar. Após o sinal, sentei no banco de madeira com ela.
E então, foi ao dentista? — perguntei. Ela continuava fumando.
Fui, já comecei o tratamento, o dentista é muito legal.
O dentista? É um homem? — tentei parecer desinteressado.
É, um homem, um cara bem simpático.
Bonito? — vacilei.
Lindo — ela disse, jogando o filtro do cigarro na caixinha de areia ao lado do banco.
E esse dentista lindo não mandou parar de fumar? — eu queria parecer irônico, mas na verdade estava mostrando o quanto era imbecil fazendo aquelas perguntas.
Mandou, esse foi o último — ela respondeu — o que nós vamos fazer hoje à noite?
Nada, hoje preciso descansar — respondi, tirando o tênis e a meia. — Machuquei meu pé, olha — mostrei meu tornozelo, doía um pouco e estava levemente inchado. Ela ficou quieta, continuou olhando para o toco de cigarro fumegando dentro da caixinha de areia imunda.
O outro jogo foi bastante disputado, mas de novo não conseguimos ganhar. Eu estava angustiado e joguei muito mal. Discuti com o goleiro adversário mais uma vez. Ele continuava debochando do meu jogo, desta vez por causa dos gols que eu perdia. Xinguei ele e o juiz, recebi um cartão amarelo e quase fui expulso. Quando o jogo estava acabando, Fernanda chegou. Não fumava, agora mascava um chiclete. Tive a impressão de vê-la, de longe, sorrindo pra mim. Passei pelo goleiro e ele cuspiu na minha camiseta. O juiz não viu. Não fiz nada, limpei o cuspe com as mãos e continuei jogando.
Ao final do jogo, abri uma garrafa de água mineral e sentei ao lado dela.
E então, parou mesmo de fumar? Teus dentes até estão mais claros — eu disse.
Parei, tudo pelo tratamento — ela respondeu, simpática. Tinha uma expressão diferente que eu não conseguia identificar o que era. Estava animada como eu não via há muito tempo.
Eu sabia que isso ia deixar teu sorriso mais bonito — insisti.
Obrigada. Vamos sair? — ela sugeriu.
Hoje não vai dar, amanhã tenho uma reunião importante no trabalho e preciso descansar. Talvez amanhã à noite... — falei, distraído.
Ela não respondeu, continuou mascando o chiclete com uma expressão feliz no rosto. Talvez aquele sorriso fosse uma defesa e ela estivesse profundamente irritada com minha recusa, mas achei melhor não levantar esse assunto.
No jogo seguinte ela chegou um pouco mais cedo, pôde ver algumas jogadas, neste dia eu estava inspirado mas não consegui marcar nenhum gol. Ela continuava mascando chiclete, o goleiro continuava me irritando, e numa confusão perto da área, quando surgiu a oportunidade, pisei na perna dele.
Qual o problema, cara? — ele me perguntou, no chão, a mão na perna machucada.
Não respondi, o juiz me olhou com reprovação e eu pedi pra ser substituído, senão aquele desentendimento ia engrossar.
Sentei com Fernanda no mesmo banco de sempre.
E então — comecei — agora largou o cigarro e ficou viciada em chiclete?
É uma goma pra clarear os dentes, sugestão do dentista — ela se defendeu. Continuava com um olhar distante, mas estava bastante amorosa e sorridente.
Puxa, esse cara deve ser muito bom — forcei, só pra ver sua resposta.
É ótimo, mas acho que o tratamento está no final. Uma pena, tenho me sentido muito bem cuidando do meu sorriso — ela disse.
Eu já imaginava isso, é bom cuidar do próprio corpo.
A gente podia sair hoje... — ela insinuou.
Amanhã tenho uma prova importante, preciso estudar, quem sabe não transferimos pra outro dia? — me esquivei.
Na outra semana eu joguei muito bem e fiz vários gols. Há muito tempo eu não marcava, aquilo me aliviou. Fernanda chegou na metade do tempo, talvez ela estivesse começando a gostar das partidas. De longe eu a vi entrando no ginásio, os dentes pareciam artificiais, brilhavam muito, ela toda estava realmente mais bonita.
Pouco antes do jogo acabar, recebi a bola livre na frente do goleiro e ele não hesitou: seu chute veio direto na minha coxa, eu caí para o lado urrando de dor. O juiz apitou. O segundo chute veio no meu rosto, embaixo do nariz, e depois do terceiro eu parei de contar.
Acordei alguns instantes depois com o uniforme encharcado de sangue. Fui atendido pelos meus amigos. Minha primeira reação foi perguntar a eles pelo filho da puta do goleiro, mas eu não conseguia falar. Coloquei a mão na boca e senti que me restavam poucos dentes.
Fernanda continuava sentada no mesmo banco de madeira, mascando seu chiclete e sorrindo pra mim, impassível.
Hoje tenho um bom motivo pra não sair — falei com dificuldade. Eu queria parecer engraçado, mas enquanto falava eu babava mais sangue. Minha situação não era nada boa.
Tudo bem, hoje eu já tenho compromisso mesmo — ela disse, sorrindo. — Vou sair com o dr. Sérgio.
Antes que eu pudesse perguntar quem era o dr. Sérgio ela se levantou do banco e completou.
Acho que quem precisa de dentista agora é tu — depois ela cuspiu o chiclete na caixinha de areia e se foi.
Eu não consegui dizer nada, fiquei olhando ela ir embora, depois me agachei e comecei a catar meus dentes espalhados sobre o sangue no chão da quadra.
Os dentes da serpente mudam e são substituídos ao longo de sua vida.
terça-feira, junho 14, 2005
Corações distantes
Um dia, um pensador indiano fez a seguinte pergunta a seus discípulos: "Por que as pessoas gritam quando estão aborrecidas?" "Gritamos porque perdemos a calma" disse um deles. "Mas, por que gritar quando a outra pessoa está ao seu lado?" Questionou novamente o pensador. "Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouça", retrucou outro discípulo. E o mestre volta a perguntar: "Então não é possível falar-lhe em voz baixa?" Várias outras respostas surgiram, mas nenhuma convenceu o pensador. Então ele esclareceu: "Vocês sabem porque se grita com uma pessoa quando se está aborrecido? O fato é que, quando duas pessoas estão aborrecidas, seus corações se afastam muito. Para cobrir esta distância precisam gritar para poderem escutar-se mutuamente. Quanto mais aborrecidas estiverem, mais forte terão que gritar para ouvir um ao outro, através da grande distância. Por outro lado, o que sucede quando duas pessoas estão enamoradas? Elas não gritam. Falam suavemente. E por quê? Porque seus corações estão muito perto. A distância entre elas é pequena. Às vezes estão tão próximos seus corações, que nem falam, somente sussurram. E quando o amor é mais intenso, não necessitam sequer sussurrar, apenas se olham, e basta. Seus corações se entendem. É isso que acontece quando duas pessoas que se amam estão próximas." Por fim, o pensador conclui, dizendo: "Quando vocês discutirem, não deixem que seus corações se afastem, não digam palavras que os distanciem mais, pois chegará um dia em que a distância será tanta que não mais encontrarão o caminho de volta".
segunda-feira, junho 13, 2005
Brain Damage - Pink Floyd

The lunatic is on the grass.
The lunatic is on the grass.
Remembering games and daisy chains and laughs.
Got to keep the loonies on the path.
The lunatic is in the hall.
The lunatics are in my hall.
The paper holds their folded faces to the floor
And every day the paper boy brings more.
And if the dam breaks open many years too soon
And if there is no room upon the hill
And if your head explodes with dark forebodings too
I'll see you on the dark side of the moon.
The lunatic is in my head.
The lunatic is in my head
You raise the blade, you make the change
You re-arrange me 'till I'm sane.
You lock the door
And throw away the key
There's someone in my head but it's not me.
And if the cloud bursts, thunder in your ear
You shout and no one seems to hear.
And if the band you're in starts playing different tunes
I'll see you on the dark side of the moon.
"I can't think of anything to say except...
I think it's marvellous! HaHaHa!"
Antes de amanhã, já digo de hoje...
"Dane-se a hora, se é cedo se é tarde
Dane-se a capa, a foto, o encarte
Dane-se o mundo, o raso, o profundo
Dane-se nada,
Dane-se tudo,
Quando você está aqui
Dane-se o mundo
Quando você sorri
Dane-se o filme, a história, o ator
Dane-se Caprio, De Niro e Monroe
Dane-se Figo, Ronaldo, Zidanne
Dane-se tudo que não tiver ela
Só penso nela,
Quem é ela,
O nome dela é Gabriela
Dane-se o clipe, a banda, o cantor
Dane-se o tédio, o vento, o calor,
Dane-se o tempo, passado, futuro
Dane-se nada,
Dane-se tudo,
Quando você está aqui
Dane-se o mundo
Quando você sorri
Dane-se o emprego, o salário, o patrão
Dane-se o medo, a loucura, a razão
Dane-se a moda, se é brega ou 'Armani'
Dane-se tudo que não tiver ela
Só penso nela,
Quem é ela,
O nome dela é Gabriela
Só penso nela,
Quem é ela,
O nome dela é Gabriela
Dane-se a hora, se é cedo se é tarde
Dane-se a capa, a foto, o encarte
Dane-se o mundo, o raso, o profundo
Dane-se nada, Dane-se tudo,
Quando você está aqui
Dane-se o mundo
Quando você sorri
Dane-se o filme, a história, o ator
Dane-se Caprio, De Niro e Monroe
Dane-se o verso, a rima também
Dane-se tudo que não tiver ela
Só penso nela,
Quem é ela,
O nome dela é Gabriela
Só penso nela,
Quem é ela,
O nome dela é Gabriela
Só penso nela,
Quem é ela,
O nome dela..."
Ps: Para a menina mais chata, mimada, displicente, preguiçosa, dorminhoca, chorona, brigona, comilona, preta, manhosa, birrenta, e mais apaixonante que existe. Valeu Gabi por tudo que você fez e anda fazendo por mim. E parabéns antecipadamente... Amanhã tem presente, viu? E Big Mac também. Te adoro. Te chuto mais tarde!
Dane-se a capa, a foto, o encarte
Dane-se o mundo, o raso, o profundo
Dane-se nada,
Dane-se tudo,
Quando você está aqui
Dane-se o mundo
Quando você sorri
Dane-se o filme, a história, o ator
Dane-se Caprio, De Niro e Monroe
Dane-se Figo, Ronaldo, Zidanne
Dane-se tudo que não tiver ela
Só penso nela,
Quem é ela,
O nome dela é Gabriela
Dane-se o clipe, a banda, o cantor
Dane-se o tédio, o vento, o calor,
Dane-se o tempo, passado, futuro
Dane-se nada,
Dane-se tudo,
Quando você está aqui
Dane-se o mundo
Quando você sorri
Dane-se o emprego, o salário, o patrão
Dane-se o medo, a loucura, a razão
Dane-se a moda, se é brega ou 'Armani'
Dane-se tudo que não tiver ela
Só penso nela,
Quem é ela,
O nome dela é Gabriela
Só penso nela,
Quem é ela,
O nome dela é Gabriela
Dane-se a hora, se é cedo se é tarde
Dane-se a capa, a foto, o encarte
Dane-se o mundo, o raso, o profundo
Dane-se nada, Dane-se tudo,
Quando você está aqui
Dane-se o mundo
Quando você sorri
Dane-se o filme, a história, o ator
Dane-se Caprio, De Niro e Monroe
Dane-se o verso, a rima também
Dane-se tudo que não tiver ela
Só penso nela,
Quem é ela,
O nome dela é Gabriela
Só penso nela,
Quem é ela,
O nome dela é Gabriela
Só penso nela,
Quem é ela,
O nome dela..."
Ps: Para a menina mais chata, mimada, displicente, preguiçosa, dorminhoca, chorona, brigona, comilona, preta, manhosa, birrenta, e mais apaixonante que existe. Valeu Gabi por tudo que você fez e anda fazendo por mim. E parabéns antecipadamente... Amanhã tem presente, viu? E Big Mac também. Te adoro. Te chuto mais tarde!
Viagem de LSD
(Clique no título e curta um flash alucinante quando se arrasta o mouse para cima ou para baixo, pura viagem!)
sexta-feira, junho 10, 2005
quinta-feira, junho 09, 2005
Complexidade feminina - Luis Fernando Veríssimo
Homem - (Entra em casa)
Mulher - Oi!
Homem - Oi!
Mulher - Trabalhou muito?
Homem - Sim.
Mulher - Tá cansado?
Homem - Um pouco.
Mulher - Toma um banho!
Homem - Vou sim... preciso.. (Banho.)
Mulher - Ué... vai sair?
Homem - Vou dar uma volta.
Mulher - Sozinho?
Homem - É... sozinho.
Mulher - Vai aonde?
Homem - Por aí.
Mulher - Sozinho?
Homem - É.
Mulher - Certeza?
Homem - Sim.
Mulher - Quer que eu vá com você?
Homem - Não... pode deixar... prefiro ir sozinho.
Mulher - Vai sozinho andar pela cidade?
Homem - É.
Mulher - De carro?
Homem - Sim.
Mulher - Tem gasolina?
Homem - Sim... coloquei.
Mulher - Vai demorar?
Homem - Não... coisa de uma hora.
Mulher - Vai a algum lugar específico?
Homem - Não... só rodar por aí.
Mulher - Não prefere ir a pé?
Homem - Não... vou de carro.
Mulher - Traz um sorvete pra mim!
Homem - Trago... que sabor?
Mulher - Manga.
Homem - Ok... na volta eu passo e compro.
Mulher - Na volta?
Homem - Sim... senão derrete.
Mulher - Passa lá, compra e deixa aqui.
Homem - Não... melhor não! Na volta... é rápido!
Mulher - Ahhhhh!
Homem - Quando eu voltar eu tomo com você!
Mulher - Mas você não gosta de manga!
Homem - Eu compro outro... de outro sabor.
Mulher - Aí fica caro... traz de cupuaçu!
Homem - Eu não gosto também.
Mulher - Traz de chocolate... nós dois gostamos.
Homem - Ok! Beijo... volto logo...
Mulher - Ei!
Homem - O que?
Mulher - Chocolate não... Flocos...
Homem - Não gosto de flocos!
Mulher - Então traz de manga prá mim e o que quiser prá você.
Homem - Foi o que sugeri desde o começo!
Mulher - Você está sendo irônico?
Homem - Não... tô não! Vou indo.
Mulher - Vem aqui me dar um beijo de despedida!
Homem - Querida! Eu volto logo... depois.
Mulher - Depois não... quero agora!
Homem - Tá bom! (Beijo.)
Mulher - Vai com o seu ou com o meu carro?
Homem - Com o meu.
Mulher - Vai com o meu... tem cd player.... o seu não!
Homem - Não vou ouvir música... vou espairecer...
Mulher - Tá precisando?
Homem - Não sei... vou ver quando sair!
Mulher - Demora não!
Homem - É rápido... (Abre a porta de casa.)
Mulher - Ei!
Homem - Que foi agora?
Mulher - Nossa!!! Que grosso! Vai embora!
Homem - Calma... estou tentando sair e não consigo!
Mulher - Porque quer ir sozinho? Vai encontrar alguém?
Homem - O que quer dizer?
Mulher - Nada... nada não!
Homem - Vem cá... acha que estou te traindo?
Mulher - Não... claro que não... mas sabe como é?
Homem - Como é o quê?
Mulher - Homens!
Homem - Generalizando ou falando de mim?
Mulher - Generalizando.
Homem - Então não é meu caso... sabe que eu não faria isso!
Mulher - Tá bom... então vai.
Homem - Vou.
Mulher - Ei!
Homem - Que fooooi ?
Mulher - Leva o celular, estúpido!
Homem - Prá quê? Prá você ficar me ligando?
Mulher - Não... caso aconteça algo, estará com celular.
Homem - Não... pode deixar...
Mulher - Olha... desculpa pela desconfiança... estou com saudade... só isso!
Homem - Ok meu amor... Desculpe-me se fui grosso. Tá.. eu te amo!
Mulher - Eu também!
Mulher - Posso futricar no seu celular?
Homem - Prá quê?
Mulher - Sei lá! Joguinho!
Homem - Você quer meu celular prá jogar?
Mulher - É.
Homem - Tem certeza?
Mulher - Sim.
Homem - Liga o computador... lá tem um monte de joguinhos!
Mulher - Não sei mexer naquela lata velha!
Homem - Lata velha? Comprei pra a gente mês passado!
Mulher - Tá.. ok... então leva o celular senão eu vou futricar...
Homem - Pode mexer então... não tem nada lá mesmo...
Mulher - É?
Homem - É.
Mulher - Então onde está?
Homem - O quê?
Mulher - O que deveria estar no celular mas não está...
Homem - Como!?
Mulher - Nada! Esquece!
Homem - Tá nervosa?
Mulher - Não... tô não...
Homem - Então vou!
Mulher - Ei!
Homem - Que ééééééé?
Mulher - Não quero mais sorvete não!
Homem - Ah é?
Mulher - É!
Homem - Então eu também não vou sair mais não!
Mulher - Ah é?
Homem - É.
Mulher - Oba! Vai ficar comigo?
Homem - Não vou não. cansei... vou dormir!
Mulher - Prefere dormir do que ficar comigo?
Homem - Não... vou dormir, só isso!
Mulher - Está nervoso?
Homem - Claroooo!!!
Mulher - Por que você não vai dar uma volta para espairecer?
Mulher - Oi!
Homem - Oi!
Mulher - Trabalhou muito?
Homem - Sim.
Mulher - Tá cansado?
Homem - Um pouco.
Mulher - Toma um banho!
Homem - Vou sim... preciso.. (Banho.)
Mulher - Ué... vai sair?
Homem - Vou dar uma volta.
Mulher - Sozinho?
Homem - É... sozinho.
Mulher - Vai aonde?
Homem - Por aí.
Mulher - Sozinho?
Homem - É.
Mulher - Certeza?
Homem - Sim.
Mulher - Quer que eu vá com você?
Homem - Não... pode deixar... prefiro ir sozinho.
Mulher - Vai sozinho andar pela cidade?
Homem - É.
Mulher - De carro?
Homem - Sim.
Mulher - Tem gasolina?
Homem - Sim... coloquei.
Mulher - Vai demorar?
Homem - Não... coisa de uma hora.
Mulher - Vai a algum lugar específico?
Homem - Não... só rodar por aí.
Mulher - Não prefere ir a pé?
Homem - Não... vou de carro.
Mulher - Traz um sorvete pra mim!
Homem - Trago... que sabor?
Mulher - Manga.
Homem - Ok... na volta eu passo e compro.
Mulher - Na volta?
Homem - Sim... senão derrete.
Mulher - Passa lá, compra e deixa aqui.
Homem - Não... melhor não! Na volta... é rápido!
Mulher - Ahhhhh!
Homem - Quando eu voltar eu tomo com você!
Mulher - Mas você não gosta de manga!
Homem - Eu compro outro... de outro sabor.
Mulher - Aí fica caro... traz de cupuaçu!
Homem - Eu não gosto também.
Mulher - Traz de chocolate... nós dois gostamos.
Homem - Ok! Beijo... volto logo...
Mulher - Ei!
Homem - O que?
Mulher - Chocolate não... Flocos...
Homem - Não gosto de flocos!
Mulher - Então traz de manga prá mim e o que quiser prá você.
Homem - Foi o que sugeri desde o começo!
Mulher - Você está sendo irônico?
Homem - Não... tô não! Vou indo.
Mulher - Vem aqui me dar um beijo de despedida!
Homem - Querida! Eu volto logo... depois.
Mulher - Depois não... quero agora!
Homem - Tá bom! (Beijo.)
Mulher - Vai com o seu ou com o meu carro?
Homem - Com o meu.
Mulher - Vai com o meu... tem cd player.... o seu não!
Homem - Não vou ouvir música... vou espairecer...
Mulher - Tá precisando?
Homem - Não sei... vou ver quando sair!
Mulher - Demora não!
Homem - É rápido... (Abre a porta de casa.)
Mulher - Ei!
Homem - Que foi agora?
Mulher - Nossa!!! Que grosso! Vai embora!
Homem - Calma... estou tentando sair e não consigo!
Mulher - Porque quer ir sozinho? Vai encontrar alguém?
Homem - O que quer dizer?
Mulher - Nada... nada não!
Homem - Vem cá... acha que estou te traindo?
Mulher - Não... claro que não... mas sabe como é?
Homem - Como é o quê?
Mulher - Homens!
Homem - Generalizando ou falando de mim?
Mulher - Generalizando.
Homem - Então não é meu caso... sabe que eu não faria isso!
Mulher - Tá bom... então vai.
Homem - Vou.
Mulher - Ei!
Homem - Que fooooi ?
Mulher - Leva o celular, estúpido!
Homem - Prá quê? Prá você ficar me ligando?
Mulher - Não... caso aconteça algo, estará com celular.
Homem - Não... pode deixar...
Mulher - Olha... desculpa pela desconfiança... estou com saudade... só isso!
Homem - Ok meu amor... Desculpe-me se fui grosso. Tá.. eu te amo!
Mulher - Eu também!
Mulher - Posso futricar no seu celular?
Homem - Prá quê?
Mulher - Sei lá! Joguinho!
Homem - Você quer meu celular prá jogar?
Mulher - É.
Homem - Tem certeza?
Mulher - Sim.
Homem - Liga o computador... lá tem um monte de joguinhos!
Mulher - Não sei mexer naquela lata velha!
Homem - Lata velha? Comprei pra a gente mês passado!
Mulher - Tá.. ok... então leva o celular senão eu vou futricar...
Homem - Pode mexer então... não tem nada lá mesmo...
Mulher - É?
Homem - É.
Mulher - Então onde está?
Homem - O quê?
Mulher - O que deveria estar no celular mas não está...
Homem - Como!?
Mulher - Nada! Esquece!
Homem - Tá nervosa?
Mulher - Não... tô não...
Homem - Então vou!
Mulher - Ei!
Homem - Que ééééééé?
Mulher - Não quero mais sorvete não!
Homem - Ah é?
Mulher - É!
Homem - Então eu também não vou sair mais não!
Mulher - Ah é?
Homem - É.
Mulher - Oba! Vai ficar comigo?
Homem - Não vou não. cansei... vou dormir!
Mulher - Prefere dormir do que ficar comigo?
Homem - Não... vou dormir, só isso!
Mulher - Está nervoso?
Homem - Claroooo!!!
Mulher - Por que você não vai dar uma volta para espairecer?
A história de amor de Romeu e Julieta - Perfeito porque não durou?
Sabem porque Romeu e Julieta são ícones do amor? São falados e lembrados, atravessaram os séculos incólumes no tempo, se instalando no mundo de hoje como casal modelo de amor eterno? Porque morreram e não tiveram tempo de passar pelas adversidades que os relacionamentos estão sujeitos pela vida afora. Senão provavelmente Romeu estaria hoje com a Manoela e Julieta com o Ricardão. Romeu nunca traiu a Julieta numa balada com uma loira linda motivado pelo impulso do álcool.
Julieta nunca ficou 5 h seguidas esperando o Romeu... ligando incessantemente para o celular dele que estava desligado. Romeu não disse para Julieta que a amava, que ela era especial e depois sumiu por semanas. Julieta não teve a oportunidade de mostrar para ele o quanto ficava insuportável na TPM. Romeu não saia sexta-feira a noite para jogar futebol com os amigos e só voltava as 6 h da manhã bêbado. Julieta não teve filhos, engordou, ficou cheia de estrias e celulite e histérica com muita coisa para fazer. Romeu não disse para Julieta que precisava de um tempo, querendo na verdade curtir a vida e que ainda era muito novo para se envolver definitivamente com alguém. Julieta não tinha um ex-namorado em quem ela sempre pensava ficando por horas distante, deixando Romeu com a pulga atrás da orelha. Romeu nunca deixou de mandar flores para Julieta no Dia dos Namorados alegando estar sem dinheiro. Julieta nunca tomou um porre fenomenal e num momento de descontrole bateu na cara do Romeu no meio de um bar lotado. Julieta nunca teve uma crise de ciúme achando que Romeu estava dando mole para uma amiga dela. Romeu não tinha uma ex-mulher que infernizava a vida da Julieta. Julieta nunca disse que estava com dor de cabeça e virou para o lado e dormiu. Romeu nunca chegou para buscar a Julieta com uma camisa xadrez horrível... Por essas e por outras que eles morreram se amando...
Julieta nunca ficou 5 h seguidas esperando o Romeu... ligando incessantemente para o celular dele que estava desligado. Romeu não disse para Julieta que a amava, que ela era especial e depois sumiu por semanas. Julieta não teve a oportunidade de mostrar para ele o quanto ficava insuportável na TPM. Romeu não saia sexta-feira a noite para jogar futebol com os amigos e só voltava as 6 h da manhã bêbado. Julieta não teve filhos, engordou, ficou cheia de estrias e celulite e histérica com muita coisa para fazer. Romeu não disse para Julieta que precisava de um tempo, querendo na verdade curtir a vida e que ainda era muito novo para se envolver definitivamente com alguém. Julieta não tinha um ex-namorado em quem ela sempre pensava ficando por horas distante, deixando Romeu com a pulga atrás da orelha. Romeu nunca deixou de mandar flores para Julieta no Dia dos Namorados alegando estar sem dinheiro. Julieta nunca tomou um porre fenomenal e num momento de descontrole bateu na cara do Romeu no meio de um bar lotado. Julieta nunca teve uma crise de ciúme achando que Romeu estava dando mole para uma amiga dela. Romeu não tinha uma ex-mulher que infernizava a vida da Julieta. Julieta nunca disse que estava com dor de cabeça e virou para o lado e dormiu. Romeu nunca chegou para buscar a Julieta com uma camisa xadrez horrível... Por essas e por outras que eles morreram se amando...
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